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sábado, 9 de abril de 2011

Tragédia no Rio mostra a tragédia da comunicação no Brasil

Hoje pela manhã (fato), jovem do sexo masculino (fato) invade escola na Zona Oeste do Rio (fato), atira contra vários estudantes (fato), matando alguns deles (fato) e ferindo outros (fato). Em seguida ele atira contra a própria cabeça (suposição) e morre (fato). Por Antônio Mello, em seu blog

Emissoras de rádio e TV e portais de grandes grupos da mídia partem para uma cobertura sensacionalista do fato (fato), entrevistando pais e mães (de preferência estas) desesperados (fato) para conquistarem audiência (fato) e aumentarem market share (meta).

O povo (essa entidade que sempre joga o verbo para a terceira pessoa, pois nunca nos inclui) gosta disso (fato?). Pelo menos é o que alegam responsáveis pela cobertura. "Se não dermos, a concorrência dá", argumentam.

Mas a exposição sensacionalista de um fato, sua transformação em espetáculo midiático, pode estimular a reprodução dos fatos, como ocorre nos Estados Unidos (fato).

A mídia vai encarar a suposição como uma possibilidade de mercado (fato) que talvez aumente market share (meta).

Outros vão morrer (fato), mas a grande mídia se importa com tudo, exceto os fatos (fato).

Realengo e a guerra pela audiência

sábado, 5 de março de 2011

O mundo, a mídia e nós


As editorias internacionais da imprensa brasileira estão, em geral, entre as piores de todas as publicações. É praticamente impossível seguir um tema mais além de momentos específicos, seja porque o espaço reservado é muito pequeno, seja porque a própria equipe de internacional costuma ser reduzida.

Me lembro de ter perguntado a editor de um jornal paulista sobre o porquê disso e ele me respondeu que era porque não havia interesse dos leitores. Claro círculo vicioso: se produz uma internacional desinteressante e não se recebe demanda por maior empenho nos temas internacionais. Eu disse a ele que naquela semana o jornal que ele dirigia por herança familiar tinha publicado uma matéria muito interessante sobre a confissão de militares norteamericanos de que inflacionavam os sucessos durante os combates de uma guerra, para dar a impressão que estavam no bom caminho e assim obter mais recursos do governo e do Parlamento. Ele simplesmente não tinha lido.

Mas, ao dar pouca importância e espaço para a cobertura internacional, as publicações podem se valer dessa falta de informações para enganar os leitores, usando de forma equivocada exemplos de outros países. Basta dizer que aqui mesmo na América Latina a imprensa usou vários países em diferentes momentos, como “modelos” de neoliberalismo de sucesso.

Em um certo momento o exemplo a seguir seria o México, até que a crise de 1994 – que os leitores não puderam entender, porque não lhes foi fornecida informações e analises concretos sobre a economia mexicana – terminou com essas ilusões. O primeiro país a assinar um Tratado de Livre Comércio com os EUA, ao invés de beneficiar-se desse suposto privilégio, era vítima dessa relação exclusiva.

Em seguida a Argentina ocupou esse lugar. Contava-se maravilhas sobre a política de paridade entre o dólar e o peso, até que a economia argentina implodiu de maneira espetacular em 2001/2002, provocando o maior retrocesso que o país viveu, revelando como a paridade era uma bomba de tempo, que finalmente terminou explodindo.

Um outro país que era muito citado como suposto modelo de neoliberalismo bem sucedido era a Coréia do Sul. Ao mesmo tempo não se davam as informações para que aquela referência pudesse ser controlada. A Coréia do Sul é um exemplo antineoliberal, em que o Estado teve sempre um papel muito importante, a ponto que a indústria automobilística é toda coreana e a metade dela é estatal. Bastaria isso para desmentir o uso que a imprensa fazia do caso coreano.

Ao mesmo tempo, as crises que detonavam os países antes considerados modelos eram sempre atribuídas a fatores conjunturais – Menem, Fujimori, PRI, Carlos Andrés Perez -, nunca ao esgotamento do modelo. Fôssemos depender da velha imprensa, não nos daríamos conta que foram surgindo governos de reação ao fracasso dos modelos neoliberais, que terminaram marcando toda a década recém terminada.

As editorias econômicas e principalmente os editoriais da velha mídia ainda não incorporaram o esgotamento do modelo neoliberal e o vigor dos modelos que os sucederam em tantos países da América Latina. A realidade avançou muito mais do que a capacidade das velhas cabeças dogmáticas pôde captá-la. Foi a imprensa alternativa, uma parte impressa, mas principalmente via internet, que apontou para essas novas realidades e nos permite acompanhar esses processos inovadores.

Por Emir Sader, publicado em seu blog no Carta Maior

também no blog do Miro

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

BBB despenca na audiência. Será o último?

Segundo a coluna “Outro Canal”, da Folha, a 11ª edição do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, registra a pior média de audiência do reality show ao longo dos últimos anos. Apesar de ser veiculado após a novela “Insensato Coração”, que se mantém na casa dos 32 pontos do Ibope, o BBB-11 teve abrupta queda de telespectadores e registrou média de 25,7 pontos de audiência.

A decadência do programa apavora a família Marinho e anima os concorrentes. O Portal R7, da TV Record, observa que a queda de audiência hoje é mais acelerada. “Na quinta edição do BBB o programa bateu em média 50,3 pontos nas quatro primeiras eliminações, enquanto nesta 11ª temporada o índice ficou em 25,7 pontos... A queda foi gradativa com o passar dos anos”.

Alegria e lucro dos concorrentes

Na sexta edição, em 2006, o BBB registrou 45,2 pontos em média nas primeiras eliminações. Já no ano seguinte, ficou em 40,8 pontos. Entre 2008 e 2010, trafegou na faixa dos 30 pontos – 38,7 em 2008, 32,5 em 2009 e 30,9 em 2010. E neste ano foi para a zona dos 20 pontos pela primeira vez. A Rede Record não esconde sua felicidade com o abalo na hegemonia da TV Globo:

“As outras emissoras têm lucrado com a queda de números do BBB. A Band aumentou sua audiência média às terças-feiras de 1,9 ponto em 2005 para 3,6 em 2011 – crescimento de 89,4%. Já a Record teve aumento de 157,69% nos números – pulou de 5,2 pontos em 2005 para 13,4 neste ano”. O crescimento da audiência resulta em mais publicidade e mais lucros!

Big Brother “é um grande desserviço”

O alto comando da TV Globo já teria sentido o baque, orientando seus subordinados a “apimentarem” ainda mais o BBB. Novas baixarias, que estimulam os piores instintos humanos, devem pintar na telinha desta concessão pública. Segundo o Jornal do Brasil, “a situação do reality show continua alarmante e o sinal vermelho voltou a tocar no Projac... Mesmo com as tentativas de inovação, a décima primeira edição do programa anda fria e marcando a pior audiência do reality desde as primeiras semanas”.

Em recente entrevista ao portal Terra Magazine, o subprocurador-geral da República, Aurélio Rios, informou que o Ministério Público Federal está monitorando o BBB-11. “Achamos que (a atração) é um grande desserviço e serve muito à deseducação. Não estimula a criação, o princípio de solidariedade, os valores éticos”, explicou. Para ele, a classificação indicativa do programa é inapropriada. “Na minha opinião, apenas na minha opinião, não deveria ser para 14, mas para 18 anos”.

Denúncias e desrespeito à Procuradoria

Em dezembro de 2010, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) encaminhou à Rede Globo recomendação para que fossem respeitados os direitos constitucionais na 11ª edição BBB. O documento, uma espécie de alerta, foi motivado por inúmeras reclamações da sociedade. Só a edição anterior foi alvo de 400 denúncias, como homofobia, incitação à violência, apelo sexual, inadequação no horário de exibição e violação da dignidade da pessoa humana.

Na recomendação, a PFDC solicitou à Globo que adotasse "medidas preventivas necessárias para evitar a veiculação de práticas de violações de direitos humanos, tais como tratamento desumano ou degradante, preconceito, racismo e homofobia". Segundo Aurélio Rios, o prazo estipulado para a resposta foi de 30 dias, mas até agora a emissora não se dignou a responder à solicitação. “Vamos pedir justificativa sobre porque não foi respondido e sobre porque não foi tomada nenhuma providência”.

O fim está próximo?

No mesmo rumo, apesar do tom moralista, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também está no encalço do BBB. Em nota oficial, ela chegou a exortar “a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a sociedade". E acionou o Ministério Público, solicitando “providências em relação à programação televisiva”.

Diante a queda acentuada de audiência e do bombardeio de críticas, há boatos de que a TV Globo pode encerrar a exibição anual do Big Brother Brasil. O modelito mundial do BBB já foi abandonado em vários países do planeta. Se mantiver o atual formato, a fuga de telespectadores deve crescer; se “apimentar” ainda mais o programa, o Ministério Público Federal pode até punir a empresa, conforme garante o subprocurador Aurélio Rios. O fim do BBB faria um enorme bem à saúde dos brasileiros!

Por Altamiro Borges, publicado em seu Blog

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os cinco crimes capitais da Globo

No inesquecível encontro de blogueiros sujos em Fortaleza, o presidente do Instituto Barão de Itararé da Mídia Alternativa, Miro Borges, arrancou da platéia um minuto da vaia retumbante, quando bradou: William Bonner e a Fatima Bernardes não podem mais massacrar um candidato e pedir perdão a outro.

E tome vaia.

A caminho da saída, um blogueiro sujo perguntou a este ansioso blogueiro que cadeira sugerir para um Curso de Jornalismo para Blogueiros Sujos em Pernambuco.

Este ansioso blogueiro sugeriu um curso de nome “Os cinco crimes capitais da Globo”.

E reproduziu o breve relato que tinha acabado de fazer a mil e tantas pessoas da platéia.

Primeiro crime capital

A Globo começou como uma infratora.

Ela não era a Globo quando nasceu, nas uma extensão do grupo americano Time-Life.

O presidente Costa e Silva mandou o Roberto Marinho expulsar os americanos do Brasil.

Delfim Netto, o ministro da Fazenda, chamou o Dr Roberto para conversar.

Dr Roberto disse que não tinha dinheiro para continuar.

E, ou vendia a Globo, inteira, ao Time-Life, ou comprava a parte do Time-Life se o Governo enchesse a programação da Globo de anúncios do Governo, comprados pela tabela “cheia” de publicidade.

Tabela sem desconto.

E ninguém no mundo vende publicidade na tevê pela tabela “cheia”.

E Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa, a Eletrobrás – o Governo militar encheu o Roberto Marinho de tabela cheia e ele comprou a parte dos americanos.

Foi assim que a Globo se tornou “brasileira”.

Segundo crime capital

Em 1982, a Globo coonestou numa patranha montada pelo Governo Figueiredo para derrotar Leonel Brizola e dar a vitória a Wellington Moreira Franco, na campanha para governador do Rio.

Clique aqui para ver que Wellington faz qualquer papel.

Foi a primeira eleição a usar computador no Brasil e o SNI operou uma empresa de “tecnologia” chamada Proconsult, que introduziu um “coeficiente Delta” no programa de apuração.

O “coeficiente Delta” tirava votos do Brizola e jogava na coluna dos “brancos” e “nulos”.

O papel da Globo foi dar destaque às primeiras apurações da Proconsult, e anunciar na tevê, no rádio e no jornal que Wellington saía na frente e ia ganhar a eleição.

O papel da Globo era criar o fato consumado.

Melar a apuração e levar para a Justiça Eleitoral.

A Globo foi a precursora da Fox, que “elegeu” George Bush, antes de concluída a apuração, a vitória na eleição fraudada na Florida.

Depois, a Suprema Corte confirmou a notícia da Fox.

A partir dessa tentativa de Golpe da Globo, Brizola passou a lutar pelo “papelzinho” da urna eletrônica.

“Papelzinho” que já é lei, mas que a dra. Cureau, sempre imparcial, quer rasgar.

Sobre esse tema, o ansioso blogueiro escreveu, com Maria Helena Passos, o livro “Plim-Plim – a peleja do Brizola contra a fraude eleitoral”.

Terceiro crime capital

No dia 25 de janeiro de 1984, no primeiro comício das diretas, o jornal nacional entrou ao vivo da Praça da Sé, em São Paulo, para dizer que aquela multidão estava ali para comemorar o aniversário da cidade.

Quarto crime capital

A edição do jornal nacional na véspera da eleição de 1989.

O jornal nacional editou o debate entre Collor e Lula com instruções expressas de Roberto Marinho: tudo de bom do Collor e tudo de mau do Lula.

Os autores da obra marinha foram o diretor de jornalismo Alberico de Souza Cruz e o editor de política, Ronald Carvalho.

E editor que seguiu as instruções de Cruz e Carvalho, na ilha de edição, Octavio Tostes, deu histórico depoimento ao Sindicato dos Jornalistas do Rio, convidado pelo então diretor, Oswaldo Maneschy.

E Tostes contou, ali, como foi a patranha.

Cruz e Carvalho preferiram não aceitar o convite do Maneschy.

Nesta mesa edição do jn, foi feita uma pesquisa por telefone – naquela altura, 1989, só quem tinha telefone era branco de olhos azuis – que atestava que Collor tinha vencido o debate.

Por fim, o jn se encerrava com um editorial de Alexandre Maluf Garcia – que continua a desempenhar o mesmo papel até hoje - para enaltecer a democracia: aquela democracia, que, logo antes, considerava que Collor vencera o debate.

Quinto crime capital

Ali Kamel levou a eleição de 2006 para o segundo turno.

Kamel, diretor de jornalismo ainda mais poderoso que Souza Cruz, omitiu o desastre da Gol em que morreram 154 brasileiros.

(Porque dois pilotos americanos de um jato Legacy não ligaram o transponder.)

Kamel omitiu a tragédia para não desmontar a paginação do jornal nacional, ali, na véspera da eleição do primeiro turno – Lula, x Alckmin.

O jn estava montado para tratar, quase que exclusivamente, da foto do dinheiro dos “aloprados”.

Como se sabe, um delegado da policia federal de São Paulo (sempre São Paulo!), o famoso delegado Bruno (onde anda o delegado Bruno?) esqueceu as pilhas de dinheiro dos aloprados em cima da mesa.

E, sem que ele percebesse, ou por mera coincidência, o Rodrigo Bocardi, da Globo e a Lílian Christofoletti, da Folha (*), passavam ali, na hora, e fotografaram tudo.

Uma coincidência impressionante!

Essa histórica edição do jn – talvez mereça capítulo dourado no próximo livro – sempre um best-seller – do Kamel -, mostrou também a cadeira vazia do Lula, que não foi ao debate da véspera, na Globo.

Um trabalho Golpista irretocável.

O Conversa Afiada tratou deste momento inesquecível da carreira fulminante de Kamel no post “O primeiro Golpe já houve. Falta o segundo”.

Este ansioso blogueiro se ofereceu ao blogueiro sujo de Pernambuco para dar seu testemunho pessoal a dois segmentos do curso.

O do “crime da Proconsult” e o do “crime do debate do Collor”.

Este ansioso blogueiro sugeriu também que o paraninfo da turma seja o Mino Carta.

E que a turma tenha o nome de “Turma Ali Kamel – 2010.”

Por Paulo Henrique Amorim, publicado no blog Conversa Afiada

domingo, 20 de fevereiro de 2011

BBB: Ainda pior que o pior!!!

A verdade por trás do BBB



BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço… A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,… encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros… todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE…

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós.. , pescar…, brincar com as crianças… , namorar…, acessar blogs ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

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A Globo befla

O que há por trás da negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nas temporadas de 2012 a 2014 é muito mais do que uma disputa de dois grupos de comunicação por público e receita. Em jogo está uma mudança de paradigma na televisão brasileira. Assim, tenho minhas dúvidas se a Rede Globo não vai mesmo participar da disputa.

Quando comecei a trabalhar lá, nos anos 90 do século passado, era corrente a história de que o esporte pagava sozinho todos os salários do departamento de jornalismo. Ainda que não seja mais assim, é significativo, não só o faturamento em si, mas o esporte como estratégia para alavancar e organizar a grade de programação.

A Rede Record, num lance ousado, ofereceu a possibilidade de alterar o horário da rodada de meio de semana para 20h, o que para o torcedor é o melhor dos mundos. E no horário nobre, uma revolução. Já imaginou um jogo do Flamengo, no Rio, do Corinthias, em São Paulo e de outros grandes em seus estados com transmissões regionais, ao vivo, cedo assim? Na quarta e quinta-feiras, por exemplo, das oito às dez da noite? O que faria a emissora líder? Alteraria o horário do Jornal Nacional? Faria a novela das nove começar às dez da noite?
Claro que não. Mas uma emissora como a Record, por exemplo, pode fazer ajustes mais facilmente. Levar os jornais regionais, por exemplo, para a espera do jogo. E fazer o chamado “esquenta”, com giros de repórteres. Consolidaria sua audiência, formaria equipes para os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo e atrapalharia significativamente a concorrência.

Em vez de show de intervalo, por exemplo, um Jornal de Rede de quinze minutos de duração, com pílulas das principais notícias do dia e chamada para um telejornal completo às dez da noite, antes da novela da própria emissora? Isso, ao longo do tempo, certamente mudaria hábitos e permitiria outras alterações na programação em benefício do próprio telespectador.

A regionalização também aumentaria a receita dos clubes pequenos e fomentaria um mercado de trabalho estrangulado pelo monopólio atual. Por tudo isso, não tenho dúvida, eles não largarão o osso tão facilmente. Vão sim para o tudo ou nada! Para o bem de todos, espero que percam.

Por Marco Aurélio Mello, no DoLaDoDeLá

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BBB 11 - Ética pelo ralo

O formato é o mesmo já consagrado pelo público e pelos anunciantes: invasão de privacidade com a venda de corpos quase sempre sarados, bronzeados e bem torneados e com a exposição de mentes vazias a abrigar ideias que trafegam entre a futilidade e a galeria de preconceitos.

No dia 11/1/201 a TV Globo levou ao ar seu programa de maior audiência no verão brasileiro: Big Brother Brasil 11. Sucesso de público, sucesso de marketing, sucesso financeiro, sempre na casa dos milhões de reais. Fracasso ético, fracasso de cidadania, fracasso de respeito aos direitos humanos fundamentais.

O prêmio será de R$ 1,5 milhão para o vencedor. O segundo e terceiro lugares levam, respectivamente, R$ 150 mil e R$ 50 mil. As inscrições para a próxima edição do BBB já estão encerradas. Ao todo, nas dez edições, foram 140 participantes. E já foram entregues mais de R$ 8,5 milhões em prêmios. Balanço raquítico, tanto numérico quanto financeiro para seus participantes, para um programa que se especializou em degradar a condição humana.

Aos 11 anos de existência, roubando sempre 25% do ano (janeiro a março) e agora entrando na puberdade como se humano fosse, o BBB começa anunciando que passará por mudanças na edição 2011. Se você pensou que as mudanças seriam para melhorar o que não tem como ser melhorado se enganou redondamente. O formato será sempre o mesmo, consagrado pelo público e pelos anunciantes: invasão de privacidade com a venda de corpos quase sempre sarados, bronzeados e bem torneados e com a exposição de mentes vazias a abrigar ideias que trafegam entre a futilidade e a galeria de preconceitos contra negros, pobres, analfabetos funcionais.

Após dez anos seguidos, sabemos que a receita do reality show inclui em sua base de sustentação as antivirtudes da mentira, da deslealdade, dos conluios e... da cafajestagem. Aos poucos, todos irão se despir de sua condição humana tão logo um deles diga que "isto aqui é um jogo". Outros ensaiarão frases pretensamente fincadas na moral: "Mas nem tudo vou fazer para ganhar esse jogo."

Como miquinhos amestrados, os participantes estarão ali para serem desrespeitados, não poucas vezes humilhados e muitas vezes objeto de escárnio e lições filosóficas extraídas de diferentes placas de caminhões e compartilhadas quase diariamente pelo jornalista Pedro Bial, ao que parece, senhor absoluto do reality show. Não faltarão "provas" grotescas, como colocar uma participante para botar ovo a cada trinta minutos; outra para latir ou miar a cada hora cheia; algum outro para passar 24 horas de sua vida fantasiado de bailarina ou para pular e coaxar como sapo sempre que for ativado determinado sinal acústico. O domador, que terá como chicote sua lábia de ocasião ou nalgumas vezes sua língua afiada, continuará sendo Pedro Bial que, a meu ver, representa um claro sinal de como as engrenagens que movem a televisão guardam estreita semelhança com aqueles velhos moedores de carne.

O último a sair da jaula
É inegável que Bial é talentoso. É inegável que passou parte de sua vida tendo páginas de livros ao alcance das mãos e dos olhos. É inegável também que parece inconsciente dos prejuízos éticos e morais que haverá de carregar vida afora. Isto porque a cada nova edição do reality mais se plasmam os nomes BBB e Pedro Bial. E será difícil ao ouvir um não lembrar imediatamente o outro. Porque lançamos aqui nosso nome, que poderá ter vida fugaz de cigarra ou ecoará pela eternidade. Imagino, daqui a uns 25 anos, em 2035, quando um descendente deste Pedro for reconhecido como bisneto daquele homem engraçado que fazia o Big Brother no Brasil. E os milhares de vídeos armazenados virtualmente no YouTube darão conta de ilustrar as gerações do porvir.

E, no entanto, essas quase duas dezenas de jovens estarão ali para ganhar fama instantânea, como se estivessem acondicionados naqueles pacotinhos de sopa da marca Miojo. Imagino cada um deles a envergar letreiro imaginário a nos dizer com a tristeza possível que "Coloco à venda meu corpo sem alma, meu coração quebrado e minha inteligência esgotada; vendo tudo isso muito barato porque vejo que há muita oferta no mercado". E teremos aquele interminável desfile de senso comum. Afinal, serão 90 dias de vida desperdiçada, ou melhor, de vida em que a principal atividade humana será jogar conversa fora. O que dá no mesmo. E não será o senso comum exatamente aquele conjunto de preconceitos adquiridos antes de completarmos 15 anos de vida?

Friederich Nietzsche (1844-1900) parecia ter o dom da premonição. É que o filósofo alemão se antecipava muito quando se tratava de projetar ideias sobre a condição humana. É dele esta percepção: "O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele". Isto porque Nietzsche foi poupado de atrações quase sérias e semi-circenses, como o BBB. No picadeiro, o macaco é aplaudido por sua imitação do humano: se equilibra e passeia de triciclo e de bicicleta, se veste de gente, com casaca e gravata, sabe usar vaso sanitário, descasca alimentos. No picadeiro do BBB, os seres humanos são aplaudidos por se mostrarem intolerantes uns com os outros, se vestem de papagaios, ladram, miam, coaxam, zumbem – e tudo como se animais fossem. Chegam a botar ovo em momento predeterminado. Se vestem de esponja e se encharcam de detergente a limpar pratos descomunais noite afora.

Em sua imitação de animal, o humano que se sobressai no BBB é aquele que consegue ficar engaiolado – digo, literalmente engaiolado – junto com outros bípedes não emplumados – por grande quantidade de horas. E sem poder satisfazer as necessidades humanas básicas, muitas vezes tendo que ficar em uma mesma posição, como seriemas destreinadas. E são os únicos animais que demonstram imensa felicidade em permanecer por mais tempo na gaiola. Não lhes jogam bananas nem pipocas, mas quem for o último a sair da jaula semi-humana ganha uma prenda. Pode ser um passeio de helicóptero, pode ser um carro, pode ser uma noite na Marquês de Sapucaí.

Heidegger reconheceria
O leitor atento deve ter percebido que em algum momento deste texto mencionei que o BBB 11 terá mudanças. Nem vou me dar ao trabalho de editar. Eis o quecopiei do site G1:

"Boninho, diretor do BBB, falou em seu Twitter nesta quarta-feira, 24/11, sobre a nova edição do programa, a 11ª, que estreará em janeiro de 2011. E ele adianta que, desta vez, as coisas vão mudar. ‘Esse ano tudo vai ser diferente... Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser’, postou Boninho em seu microblog. Questionado sobre o que estaria liberado no confinamento que não estava em edições anteriores, ele respondeu: ‘Esse ano... liberado! Vai valer tudo, até porrada’. Boninho também comentou sobre as bebidas no reality show: ‘Acabou o ice no BBB... Vai ser power... chega de bebida de criança’, escreveu."

Não terá chegado a hora de o portentoso império Globo de comunicação negociar com o governo italiano a cessão do Coliseu romano para parte das locações, ao menos aquelas em que murros e safanões, sob efeito de álcool ou não, certamente ocorrerão? E como nada compreendo de Heidegger, só me resta dizer que ao longo de toda sua vida madura Heidegger esteve obcecado pela possibilidade de haver um sentido básico do verbo "ser" que estaria por trás de sua variedade de usos. E são recorrentes suas concepções quanto ao que existe, o estudo do que é, do que existe: a questão do Ser (i.e. uma Ontologia) dependente dos filósofos antes de Sócrates, da filosofia de Platão e de Aristóteles e dos Gnósticos.

Quem sabe tivesse assistido uma única noite do BBB – caso o formato da Endemol estivesse em cena antes de 1976 –, o filósofo, por muitos cultuado, não apenas teria uma confirmação segura de que não valia mesmo a pena publicar o segundo volume de sua obra principal, O Ser e o Tempo, como também haveria de reconhecer a inexistência de algo anterior ao ser. Mas, com certeza, se fartaria com a miríade de usos dados ao verbo "ser".

Por
Washington Araújo, Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

também no Carta Maior

Salário mínimo e o preço do desgaste

O governo Dilma Rousseff venceu fácil a sua primeira batalha no Congresso Nacional. A proposta de reajuste do salário mínimo para R$ 545 foi aprovada com folgada maioria pela base governista, demonstrando a força temporária desta hibrida aliança. A emenda do PSDB, que oportunisticamente propunha um aumento para R$ 600, foi rejeitada por 376 votos – nem sequer todos os tucanos votaram nela. Já a emenda do DEM, que defendia um reajuste para R$ 560, foi rejeitada por 361 votos.

Mais sujo do que pau de galinheiro

A proposta segue agora à votação no Senado e, se for aprovada, começa a valer em 1º de março, com o salário mínimo subindo de R$ 510 para R$ 545. Em mais de dez horas de debates acalorados, vaias, bravatas e votações, os deputados federais também mantiveram a fórmula de cálculo do reajuste do mínimo acordada entre o presidente Lula e as centrais sindicais – que repõe a inflação do ano, mais a variação do Produto Interno Bruto nos dois anos anteriores. Esta fórmula valerá por mais quatro anos.

O resultado, como já foi dito, expressa a força da base governista. Todos os partidos aliados optaram por seguir as orientações do Palácio do Planalto, sob o argumento de que uma derrota na primeira escaramuça congressual causaria transtornos à presidenta Dilma no início do seu mandato. A oposição de direita até tentou se aproveitar da situação constrangedora, com os seus líderes – mais sujos do que pau de galinheiro – fazendo demagogia sobre o mínimo. No final, a foto demonstrou sua crescente fragilidade.

Autonomia e pressão das centrais sindicais

Já as centrais sindicais cumpriram seu papel. De forma unitária, preservaram sua autonomia diante do novo governo e apostaram na mobilização para exigir um reajuste maior. Durante vários dias, elas “infernizaram” a vida dos parlamentares. Não caíram nas bravatas neoliberais de que o aumento real do salário mínimo causaria inflação e abalaria as contas públicas. Também criticaram a forma intransigente como o governo conduziu as negociações sobre o projeto, em especial o ministro Guido Mantega.

As centrais defenderam a manutenção do acordo firmado com o ex-presidente Lula, que garantiu maior valorização do mínimo nos últimos anos e foi um dos responsáveis pelo aquecimento do mercado interno, o que reduziu o impacto da crise mundial do capitalismo no Brasil. Ao mesmo tempo, com base no crescimento acelerado da economia no ano passado, elas pressionaram por um aumento maior. Afinal, para salvar empresas em dificuldades e ruralistas endividados, o governo vive promovendo ajustes em “contratos”. Por que, então, esta discriminação aos trabalhadores? Para o capital tudo, para o trabalho o mínimo do mínimo!

“Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”

O governo Dilma Rousseff, que se mantém enclausurado no Palácio do Planalto, venceu fácil o seu primeiro teste no parlamento. Alguns líderes governistas, que já esqueceram a sua origem nas lutas dos trabalhadores, devem ter comemorado um bocado na madrugada. A pergunta que fica é qual será o preço desta vitória? Ao final da votação, alguns sindicalistas cantaram nas galerias do Congresso Nacional: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

O sindicalismo teve um papel decisivo na eleição de Dilma Rousseff no final do ano passado. O demotucano José Serra sentiu a sua pegada e até voltou a usar o refrão golpista da “república sindical”. O sindicalismo não se alia com a oposição de direita, não quer o retrocesso, mas também não pode ficar passivo diante de posturas insensíveis do atual governo. Ele suou a camisa na campanha eleitoral para garantir o avanço das mudanças iniciadas por Lula e não a mesmice tecnocrática, tão servil ao “deus-mercado”.

Por Altamiro Borges, publicado em seu Blog

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O que a TV nos manda ver

O Correio do Metrô desta semana, ano 18/edição 397, traz interessante, oportuno e inquietante artigo da jornalista e psicóloga Sandra Fernandes onde ela nos propoe uma reflexão acerca da forma como nós aceitamos, passivamente, a ditadura de conteúdo da TV.

Trata-se de reflexão pra lá de oportuna, tendo em vista que o telespectador brasileiro se depara uma vez mais com o tal do BBB e a manipulação de conteúdo dos telejornais no que diz respeito ao Egito e Oriente Médio. Confira!

*****

O que a TV nos manda ver

Sandra Fernandes

Você já reparou que temos o hábito consolidado de sentar no sofá, ligar a TV e esperar por informações acerca do que está acontecendo no mundo, dia após dia, ouvindo, consumindo, mas nunca questionando? Alguma vez já se perguntou que fatia dos acontecimentos mundiais, nacionais e locais está representada ali? Já pensou em quanta coisa fica fora dos noticiários? Já parou para refletir que existe alguém que decide o que entra no ar e o que não entra? Já se perguntou quais critérios essa pessoa usa para fazer essa triagem noticiosa decidindo o que será e o que não será repassado ao telespectador? Será que aquilo que ela considera importante seria o mesmo que você consideraria importante? Se você pudesse selecionar as informações, será que escolheria as mesmas notícias? O que eles mostram ali realmente influencia sua vida?

É assustador pensar que tem alguém decidindo por nós o que iremos saber e aquilo de que não tomaremos conhecimento. A quem servem esses senhores anônimos, mas conscientes do que fazem, levando mensagens a um público semi-adormecido? Precisamos acordar, despertar de nossa passividade e refletir acerca de como são fabricados, distribuídos e vendidos esses produtos chamados notícias, bens intangíveis, mas que nem por isso deixam de ser bens de consumo. Ligamos nossa TV despreocupadamente acreditando que iremos ouvir verdades. Será? Acreditamos que seus “conselhos” são bons. Será que são? Pensamos que as notícias veiculadas refletem realmente o que há de mais importante para saber. Será mesmo?

Você já reparou nos anúncios que assiste enquanto espera pelo próximo bloco? Quem são aquelas empresas que investem milhões para veicular seus nomes e seus produtos naquele chamado horário nobre em que milhões e milhões de pessoas estão, tal qual você, sentados assistindo aquele programa jornalístico? Claro, elas bancam o custo da produção televisiva que, todos sabemos, é muito alto e que nós recebemos gratuitamente em nossos lares.

Mas, será que em algum momento não pode haver um choque entre os interesses deles (patrocinadores) e nosso direito de conhecer os fatos e suas verdades? Se houver esse conflito, que sairá ganhando, nós, simples consumidores – e no mais das vezes, nem consumidores somos porque não podemos comprar o que eles vendem – ou os grandes e poderosos grupos que patrocinam os telejornais e enchem de glamour e de dinheiro os concessionários de canais de TV? Aliás, vale lembrar que as TVs têm apenas concessões e que, portanto, prestam um serviço publico por delegação do Estado.

Você já reparou que há varias formas de contar a mesma história? Várias abordagens, várias ênfases, vários significados? Já reparou que normalmente a primeira frase de uma matéria televisiva já determina de que forma ela deve ser interpretada e já prepara o caminho para a conclusão que deve ser tomada sobre o que foi dito? Já reparou que não há questões em aberto para você refletir? Tudo vem pronto, mastigado, resolvido. Em perfeita harmonia como roupa prêt-à-porter e como a comida fast-food, também alguém já lhe poupa o trabalho de pensar, de refletir, de analisar os fatos. O risco é você começar a acreditar que não tem capacidade para pensar, já que não lhe dão essa oportunidade.

Você já reparou que todos os dias as pessoas repetem, nas ruas, no trabalho, nos bares, a surrada frase “você viu… na TV ontem, que coisa horrível/engraçada/triste/absurda?” E se você, naquela fatídica noite, precisou levar sua sogra para a rodoviária e perdeu o famigerado pautador de assuntos, passa a ser considerado um desprezível e desatualizado cidadão que não leu na cartilha da boiada a lição da noite anterior. O curioso é que todos saem com a mesma opinião pasteurizada sobre os assuntos e ai de você se discordar do senso comum!

Em suma, alguém decide sobre o que você vai conversar no dia seguinte e que impressão você vai causar no seu grupo social. Curioso, não? Mais curioso ainda é que tudo isso nos parece normal. Estranho é questionar essas coisas. Mas precisamos questioná-las. Não podemos permanecer adormecidos, passivos, conformados. Precisamos ansiar pela verdade simples, clara e objetiva e, sobretudo, não podemos deixar de considerar que toda mensagem é transmitida por alguém que está dentro de um contexto, que faz escolhas, que tem um objetivo ao transmiti-la. É necessário que essas mensagens astutamente elaboradas cheguem a cabeças críticas e conscientes e não apenas depósitos cerebrais de informações e interpretações pré-fabricadas.

Por blog Passe Livre

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Globo fica em terceiro lugar na disputa matutina

Record e SBT bateram a Rede Globo na briga matutina desta quarta-feira (9). Entre as 8h45 e 9h40, a Record ficou na liderança do Ibope com 6 pontos contra 4,9 de índice médio do SBT e 4,8 da Rede Globo. Os números são de aferição prévia do instituto.

A Band ficou em quarto lugar na faixa de horário, com 2 pontos em média.

No horário da disputa, a Record passava o jornalístico Fala Brasil, enquanto a Globo transmitia o programa Mais Você, de Ana Maria Braga. Já o SBT e a Band passavam desenhos animados no horário.

Os números citados representam a audiência média. No horário de pico da diferença da disputa, às 8h56, a Record chegou a marcar 6,1 pontos contra 3,9 da Globo e 4,8 do SBT.


Veja no gráfico abaixo os índices das emissoras.

graficoaudiencia

Cada ponto no Ibope corresponde a cerca de 58 mil domicílios na Grande São Paulo.

do R7

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vexame na Band: programa de Datena censura entrevista de Erundina

Nesta semana, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) teve uma entrevista vetada pela direção da Rádio Bandeirantes. A deputada iria falar sobre um projeto de lei por ela proposto, mas na manhã da entrevista recebeu uma ligação cancelando-a e como justificativa escutou: “Este veto é uma resposta aos ataques que a deputada vem fazendo à Rede Bandeirantes”.

A deputada Luiza Erundina é uma das parlamentares mais atuantes na luta pela democratização das comunicações, que em muitos momentos contraria os interesses das empresas de radiodifusão. Entretanto, o objetivo destas ações não é atacar nenhuma das emissoras e sim “motivar mais democracia e transparência no processo de renovação das concessões públicas de rádios e TVs”.

Abaixo reproduzimos a nota enviada pela assessoria da deputada, com mais detalhes sobre o caso.

Veto ao interesse público e ao direito à informação

A produção do programa Manhã Bandeirantes, na Rádio Bandeirantes de São Paulo, agendou uma entrevista por telefone com a deputada Luiza Erundina para esta quarta-feira, 9 de fevereiro, às 10h30. A pauta seria o Projeto de Lei n° 55/2011, apresentado pela deputada Erundina na Câmara, que institui referendo popular obrigatório para a fixação dos vencimentos do Presidente da República e dos parlamentares.

O projeto é de notório interesse público visto que o reajuste de 62% nos subsídios dos parlamentares aprovado no final de 2010 foi implacavelmente criticado por grande parte da população brasileira e pela imprensa. Inclusive, no dia anterior à entrevista com a deputada Luiza Erundina, o apresentador do programa Manhã Bandeirantes, José Luiz Datena, questionou a dificuldade para o reajuste do salário mínimo dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros enquanto que, o reajuste de 62% para os parlamentares foi votado e aprovado em caráter de urgência pela Casa, com voto da imensa maioria dos congressistas.

Nesse contexto estávamos, a deputada Luiza Erundina e sua assessoria, aguardando a ligação para a participar do programa quando, 1h antes da possível participação, recebemos uma outra ligação cancelando a entrevista. Tratava-se de um veto da direção do grupo.

Questionados sobre o porquê da censura, do veto à fala de uma parlamentar brasileira em um veículo da imprensa livre, sobre projeto de interesse público, fomos surpreendidos com uma justificativa de cunho absolutamente pessoal: “Este veto é uma resposta aos ataques que a deputada vem fazendo à Rede Bandeirantes”.

Ora, a deputada Luiza Erundina apresentou requerimento junto à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, para a realização de audiências públicas com o objetivo de debater a renovação de concessões públicas de rádio e TV. E ela não fez isso como um “ataque” pessoal à Rede Bandeirantes.

Ela apresentou requerimentos solicitando audiências públicas para debater o processo de renovação de emissoras ligadas à Rede Globo, à Rede Record e à Rede Bandeirantes, não como um ataque a essas emissoras, mas com o objetivo de motivar mais democracia e transparência no processo de renovação das concessões PÚBLICAS de rádios e TVs. (REQ-205/2009 CCTCI e REQ-220/2009)

O pleito da deputada Luiza Erundina foi absolutamente isento de pessoalidade. Apenas suscita o uso de instrumentos democráticos do Congresso – as audiências públicas – para a avaliação de um serviço de interesse público, antes da sua renovação por mais 15 anos.

Já o posicionamento da rede Bandeirantes revela exatamente o contrário: numa retaliação ao exercício parlamentar da deputada, priva a sociedade de ter mais informações sobre um Projeto de Lei de absoluto interesse público, já que os subsídios dos representantes do povo são oriundos do orçamento público, que pertence ao povo.

Episódios como este, violam o direito à informação, e revelam que a liberdade de expressão no Brasil, definitivamente, não é uma realidade. Isenção, impessoalidade, interesse público, direito à informação ainda são expressões estranhas à maioria dos meios de comunicação. Lamentável para as comunicações. Lamentável para o Brasil.

Por Juliana Sada, no blog Escrevinhador e também no vermelho.org

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jornal Nacional perde mais de 55% de sua audiência em 20 anos

Assim como as novelas e toda a programação da Globo o Jornal Nacional, o principal telejornal do país, vem sofrendo queda na audiência, em 1990 o JN tinha 68 pontos de média semanal, atualmente se chegar a 30 é muito, segundo o IBOPE.

A alta concorrência e a migração do público para novas mídias como a internet, por exemplo, são fatores que acarretaram essa queda significativa da audiência da emissora da família Marinho.

Confira as Médias semanais do Jornal Nacional:

1989
16/01/1989 a 21/01/1989 54 pontos
23/01/1989 a 28/01/1989 58 pontos
30/01/1989 a 04/02/1989 59 pontos
06/02/1989 a 11/02/1989 57 pontos
13/02/1989 a 18/02/1989 55 pontos
20/02/1989 a 25/02/1989 58 pontos
27/02/1989 a 04/03/1989 58 pontos
13/03/1989 a 18/03/1989 57 pontos
08/05/1989 a 13/05/1989 61 pontos
22/05/1989 a 27/05/1989 58 pontos
29/05/1989 a 03/06/1989 59 pontos
05/06/1989 a 10/06/1989 60 pontos
12/06/1989 a 17/06/1989 63 pontos
19/06/1989 a 24/06/1989 62 pontos
26/06/1989 a 01/07/1989 60 pontos
03/07/1989 a 08/07/1989 60 pontos
10/07/1989 a 15/07/1989 59 pontos
17/07/1989 a 22/07/1989 65 pontos
24/07/1989 a 29/07/1989 63 pontos
31/07/1989 a 05/08/1989 67 pontos
07/08/1989 a 12/08/1989 64 pontos
14/08/1989 a 19/08/1989 65 pontos
21/08/1989 a 26/08/1989 63 pontos
28/08/1989 a 02/09/1989 63 pontos
11/09/1989 a 16/09/1989 61 pontos
25/09/1989 a 30/09/1989 56 pontos
09/10/1989 a 14/10/1989 59 pontos
16/10/1989 a 21/10/1989 58 pontos
23/10/1989 a 28/10/1989 57 pontos
30/10/1989 a 04/11/1989 56 pontos
06/11/1989 a 11/11/1989 62 pontos
13/11/1989 a 18/11/1989 62 pontos
20/11/1989 a 25/11/1989 58 pontos
27/11/1989 a 02/12/1989 61 pontos
04/12/1989 a 09/12/1989 55 pontos
11/12/1989 a 16/12/1989 61 pontos
18/12/1989 a 23/12/1989 48 pontos
25/12/1989 a 30/12/1989 55 pontos


1990

01/01/1990 a 06/01/1990 58 pontos
08/01/1990 a 13/01/1990 54 pontos
15/01/1990 a 20/01/1990 50 pontos
22/01/1990 a 27/01/1990 54 pontos
29/01/1990 a 03/02/1990 55 pontos
05/02/1990 a 10/02/1990 56 pontos
12/02/1990 a 17/02/1990 65 pontos
26/02/1990 a 03/03/1990 62 pontos
05/03/1990 a 10/03/1990 62 pontos
12/03/1990 a 17/03/1990 65 pontos
19/03/1990 a 24/03/1990 68 pontos
02/04/1990 a 07/04/1990 62 pontos
09/04/1990 a 14/04/1990 58 pontos
16/04/1990 a 21/04/1990 65 pontos
23/04/1990 a 28/04/1990 56 pontos
07/05/1990 a 12/05/1990 60 pontos
14/05/1990 a 19/05/1990 61 pontos
21/05/1990 a 26/05/1990 61 pontos
04/06/1990 a 09/06/1990 57 pontos
11/06/1990 a 16/06/1990 60 pontos
18/06/1990 a 23/06/1990 65 pontos
25/06/1990 a 30/06/1990 62 pontos
02/07/1990 a 07/07/1990 62 pontos
09/07/1990 a 14/07/1990 59 pontos
16/07/1990 a 21/07/1990 62 pontos
23/07/1990 a 28/07/1990 65 pontos
30/07/1990 a 04/08/1990 59 pontos
06/08/1990 a 11/08/1990 56 pontos
13/08/1990 a 18/08/1990 58 pontos
27/08/1990 a 01/09/1990 61 pontos
03/09/1990 a 08/09/1990 54 pontos
10/09/1990 a 15/09/1990 59 pontos
24/09/1990 a 29/09/1990 59 pontos
01/10/1990 a 06/10/1990 60 pontos
08/10/1990 a 13/10/1990 58 pontos
15/10/1990 a 20/10/1990 61 pontos
22/10/1990 a 27/10/1990 62 pontos

1992

06/02/1992 a 11/02/1992 44 pontos
16/03/1992 a 21/03/1992 51 pontos
30/03/1992 a 04/04/1992 53 pontos
06/04/1992 a 11/04/1992 51 pontos
13/04/1992 a 18/04/1992 48 pontos
20/04/1992 a 25/04/1992 51 pontos
27/04/1992 a 02/05/1992 52 pontos
04/05/1992 a 09/05/1992 51 pontos
11/05/1992 a 16/05/1992 52 pontos
18/05/1992 a 23/05/1992 53 pontos
25/05/1992 a 30/05/1992 51 pontos
01/06/1992 a 06/06/1992 49 pontos
08/06/1992 a 13/06/1992 51 pontos
15/06/1992 a 20/06/1992 51 pontos
22/06/1992 a 27/06/1992 50 pontos
29/06/1992 a 04/07/1992 53 pontos
06/07/1992 a 11/07/1992 54 pontos
13/07/1992 a 18/07/1992 54 pontos
20/07/1992 a 25/07/1992 58 pontos
27/07/1992 a 01/08/1992 55 pontos

1993

08/03/1993 a 13/03/1993 50 pontos
15/03/1993 a 20/03/1993 51 pontos
22/03/1993 a 27/03/1993 51 pontos
29/03/1993 a 03/04/1993 52 pontos
05/04/1993 a 10/04/1993 48 pontos
12/04/1993 a 17/04/1993 50 pontos
19/04/1993 a 24/04/1993 53 pontos
26/04/1993 a 01/05/1993 54 pontos
03/05/1993 a 08/05/1993 53 pontos
10/05/1993 a 15/05/1993 52 pontos
24/05/1993 a 29/05/1993 54 pontos
31/05/1993 a 05/06/1993 49 pontos
07/06/1993 a 12/06/1993 47 pontos
14/06/1993 a 19/06/1993 46 pontos
21/06/1993 a 26/06/1993 47 pontos
28/06/1993 a 03/07/1993 46 pontos
12/07/1993 a 17/07/1993 47 pontos
19/07/1993 a 24/07/1993 46 pontos
02/08/1993 a 07/08/1993 48 pontos
09/08/1993 a 14/08/1993 49 pontos
16/08/1993 a 21/08/1993 50 pontos
06/09/1993 a 11/09/1993 49 pontos
13/09/1993 a 18/09/1993 47 pontos
20/09/1993 a 25/09/1993 48 pontos
27/09/1993 a 02/10/1993 45 pontos
04/10/1993 a 09/10/1993 46 pontos
11/10/1993 a 16/10/1993 44 pontos
18/10/1993 a 23/10/1993 45 pontos
25/10/1993 a 30/10/1993 45 pontos
01/11/1993 a 06/11/1993 45 pontos
08/11/1993 a 13/11/1993 44 pontos
22/11/1993 a 27/11/1993 40 pontos
29/11/1993 a 04/12/1993 39 pontos
06/12/1993 a 11/12/1993 40 pontos
13/12/1993 a 18/12/1993 40 pontos


1994

03/01/1994 a 08/01/1994 45 pontos
17/01/1994 a 22/01/1994 44 pontos
28/02/1994 a 05/03/1994 43 pontos
14/03/1994 a 19/03/1994 43 pontos
02/05/1994 a 07/05/1994 54 pontos
09/05/1994 a 14/05/1994 53 pontos
16/05/1994 a 21/05/1994 49 pontos
23/05/1994 a 28/05/1994 50 pontos
30/05/1994 a 04/06/1994 49 pontos
06/06/1994 a 11/06/1994 47 pontos
13/06/1994 a 18/06/1994 46 pontos
20/06/1994 a 25/06/1994 43 pontos
27/06/1994 a 02/07/1994 50 pontos
04/07/1994 a 09/07/1994 52 pontos
11/07/1994 a 16/07/1994 53 pontos

2010

26/12/2010 a 02/01/2010 32 pontos
29/11/2010 à 05/12/2010 31 pontos

2011

24/01/2011 a 30/01/2011 30 pontos

Por RD1 Audiência

O Brasil não merece o BBB

Estou na sala de estar de casa com a esposa e a neta, de dez anos. Na tela da tevê, um rapagão de quase dois metros de altura e uma garota gorduchinha, ambos lá pelos vinte e poucos anos, protagonizam uma cena lamentável. Insultam-se, dizem palavrões e têm espasmos de verdadeira histeria, com berros assustadores e gritos ininteligíveis.

Precisam ser contidos por outro casal, que parece achar que se atracarão aos socos e pontapés. As imagens confirmam a percepção. Choca um pouco o pensamento de que o rapaz a agrediria – e talvez ela a ele – se não estivessem na tevê, mesmo que pareça que estão prestes a esquecer disso e partirem para as vias de fato.

Digo à minha esposa que não concordo com que a minha neta assista ao programa. E que ela mesma não deveria. Estão se divertindo, porém. Acreditam que é inofensivo. Dizem que já vão desligar, enquanto riem do que vêem.

Não posso culpá-las. Não há nada melhor na tevê aberta e acabaram de lavar a louça do jantar. Estão naquele momento em que as pessoas só querem relaxar e tirar a mente de qualquer coisa séria.

Dirão que é uma deficiência educacional com a minha neta, mas todos sabem que essa é a realidade de milhões e milhões de famílias de todas as classes sociais e regiões do país. Além do que, proibir jovens de fazer alguma coisa só funciona enquanto estão sob os nossos olhares vigilantes. Há que convencê-los do que não devem fazer. E estou tentando, mas não é fácil.

Na escola da minha neta, colegas discutem animadamente sobre o Big Brother Brasil; a enfermeira que cuida da minha filha caçula, moça simples que veio da Bahia sem nada, batalhou e rompeu com a lógica dessas garotas do Nordeste que vinham para São Paulo e se tornavam empregadas domésticas automaticamente, também adora.

A enfermeira já se tornou parte da família. Às vezes até dorme em casa, quando eu e minha mulher temos que sair cedo para o nosso escritório no dia seguinte. Ela adora o BBB. Torce por um dos rapazes marombados e desprovidos de neurônios, que considera “lindo”. Tem 24 anos. É uma moça simples, esforçada, honesta. E minha mulher acha ótimo terem o programa para discutir.

Poderiam discutir uma boa teledramaturgia, por exemplo. Não precisaria ser esse lixo. Mas como não lhes oferecem coisa melhor, então “se viram” com o que têm.

Isso ocorre na residência de um ativista político de esquerda que desde que seus quatro filhos – sendo três deles adultos, hoje – eram bebês prega contra a baixaria na tevê e se dedica à causa da melhora da comunicação no Brasil. Imaginem o que acontece em famílias sem influência política ou intelectual…

Porque é inevitável. É “isso” o que temos na tevê aberta, no Brasil. Baixaria, vulgarização do sexo, bebedeira, ódio, mesquinhez, violência, inveja, desonestidade. Esses são os valores que a tevê aberta, um direito e uma propriedade da cidadania, incute em nossa juventude, em nossa infância e até em faixas etárias mais maduras.

Esse programa, porém, supera tudo o mais que há de ruim na tevê. Sobretudo por seu alcance, mas também pelos exemplos de lassidão dos costumes, do comportamento em sociedade. É um pisotear incessante de valores elevados que a tevê deveria difundir, mesmo que seja por sua condição de concessão pública.

O cinema ou o teatro que as tevês exibem, por exemplo, via de regra, mesmo exibindo comportamentos inaceitáveis, sempre terminam oferecendo a premissa de que o mau comportamento não compensa e de que tem um preço. Programas como o BBB, não. Aqueles dois ignorantes que discutiam com aquela virulência, ganham pelo que fazem. Nem que seja fama.

Quanto daquilo ficará na alma da minha neta? Que influência assistir a esse tipo de comportamento terá nas mentes mais simples? É liberdade de expressão vender a idiotia, a covardia, os maus instintos todos como características de jovens “descolados”?

O país suporta passivamente essa bofetada em sua face em que se consiste cada programa Big Brother Brasil, ano após ano. E, com a queda de audiência no Brasil de um programa que deixou de ser exibido no resto do mundo por falta justamente de audiência, pode-se prever que a apelação da Globo só fará aumentar.

E não há uma mísera autoridade que diga um A.

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania e também no blog do Miro

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Até Jô Soares rejeita o BBB-11

O Big Brother Brasil, programa de baixarias e vilanias da TV Globo, causa cada vez mais rejeição e desconforto. Além da queda de audiência nestes primeiros dias da sua décima primeira edição, o BBB tem recebido críticas até das "estrelas globais" da própria emissora.

No final de janeiro, Jô Soares postou no seu twitter: "BBB = desligue a TV". Ao ser questionado sobre a sua dica, o apresentador, que está em férias, distante da direção da Rede Globo, ainda respondeu: "Liberdade de expressão. Eu falo do programa que eu quiser." Mas tentou evitar maiores danos. "Não estou incentivando ninguém a desligar a TV, desliga quem quer".

Um bando "sem graça"

Logo na sequência, Agnaldo Silva, autor de várias novelas da emissora, criticou o fato da transexual Adriana ter sido eliminada no primeiro paredão do programa. Ele escreveu no seu twitter: “Alguém falou e eu concordo: tirar Adriana do BBB é o mesmo que matar o protagonista da novela no primeiro capítulo. Fica sem graça!”.

O dramaturgo ainda esculhambou “aquele bando de homens com cara de quem não lava as partes há vários dias? Sem graça!”. E até aconselhou o diretor do programa: “Eu se fosse o Boninho virava a mesa, trazia a bicha de volta e, quando me perguntassem porquê, eu responderia: ‘por que quero, po**a’!”

"Eu não gosto mesmo"

Agora, no Jornal da Tarde desta segunda-feira (7), o ator José Wilker – que acumula um currículo de 55 novelas, 49 filmes e 30 peças – afirmou com todas as letras que o programa é entediante. Ele bateu duro na entrevista:

“Eu não gosto mesmo. Vi o Big Brother na casa de amigos. Aquilo me entedia um pouco. Na verdade, se trata de trabalhar com personagens pobres. E a coisa do dinheiro, em função de um comportamento, acaba nivelando as pessoas por baixo. Nada contra, mas eu não apostaria muito nisso”.

Campeão de baixarias na TV

Apesar das críticas "globais" e da baixa audiência - o BBB-11 amarga desde a estréia o pior índice da história do reality show –, a direção da Globo parece que não está disposta a mudar de rumo. O programa de baixarias, que explora os piores instintos humanos, ainda dá muito lucro à emissora.

Para seduzir novos telespectadores - a média das primeiras semanas do BBB alcançou 26 pontos no Ibope, abaixo dos 31 pontos registrados na décima edição, considerada a pior até então -, Boninho não vacila no jogo sujo.

O diretor tenta de tudo: paredão quádruplo com direito a duas eliminações de uma só vez; construção de uma casa de vidro num famoso shopping carioca para dar a chance de um dos cinco primeiros eliminados retornarem ao programa; e até a intervenção de Pedro Bial apelando para os participantes “curtirem a vida dentro da casa”. O BBB-11 entrará para a história como um dos programas mais abjetos da televisão brasileira.

Por Altamiro Borges, Blog do Miro

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A novela do salário mínimo

Em dezembro do ano passado, Paulo Bernardo e Alexandre Padilha, hoje ministros de Dilma, se reuniram com as centrais sindicais e deixaram entreaberta a possibilidade de o novo governo apresentar proposta de um salário mínimo bem melhor do que a atual.

Embora Dilma não tivesse ainda tomado posse, os dois falavam como porta-vozes oficiais da presidente eleita. A lambança veio depois. Começou pela boca de Guido Mantega, que gosta de falar manso com os banqueiros e falar grosso com os trabalhadores.

O ministro da Fazenda disse que seria R$ 540 o valor do novo salário mínimo e nada de mexer na tabela do imposto de renda! As bravatas desse ministro e a intransigência dos negociadores do governo podem tornar azedas as negociações ainda em andamento e levar a polêmica para um debate mais complexo no Congresso Nacional.

O governo Dilma poderia muito bem ter começado seu mandato sem essa desnecessária turbulência com os trabalhadores. A vida demonstrou à exaustão que é papo furado que aumentos reais do salário mínimo quebram a Previdência e os municípios pequenos.

Por Nivaldo Santana, dirigente da CTB, publicado em seu blog

Globo diz que escolas do Rio não vão ser "rabaixadas"

Erros de toda natureza, inclusive gramaticais, são comuns no jornalismo, mas quando se insinuam pelas manchetes chamam a atenção do leitor, revelam desleixo editorial e motivam gargalhadas na concorrência. É o caso, hoje, da chamada na capa do site do Globonews sobre o incêndio na cidade do samba: “Escolas do Rio não vão ser rabaixadas”.

O autor provavelmente quis dizer rebaixada, em vez da "rabaixada" que cometeu, mas teve a infelicidade de reiterar o erro no título interno. A notícia se refere às negociações para definir novas regras para a classificação das escolas de samba após o incêndio na chamada cidade do samba, inclusive mudança na ordem dos desfiles.

Presidentes de escolas atingidas por incêndio se reuniram com o prefeito do Rio, informa o Globo. Na reunião, ficou decidido que Portela, Grande Rio e União da Ilha vão desfilar, mas não vão ser julgadas. Esse ano não haverá rebaixamento no Grupo Especial e uma escola vai subir do Grupo de Acesso. Houve mudança na ordem dos desfiles. A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilará na segunda-feira e a Portela no domingo.

O título sobre o rebaixamento das escolas cariocas reflete um erro menor do monopólio midiático dirigido pela família Marinho. Bem mais séria é a manipulação diária dos fatos e notícias para sustentar os interesses e ideologia reacionárias que orientam as Organizações Globo, manipulação que transparece com mais força durante eleições presidenciais.

Da redação vermelho

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lula abre alas

Lula O Cara


Estacionado no Sambódromo de São Paulo, a poucos metros da passarela do Carnaval, o caminhão Mercedes-Benz carrega re­pi­ques, cuícas, surdos, pandeiros e tamborins. Enquanto os integrantes da escola de samba Tom Maior descarregam os instrumentos musicais para o primeiro grande ensaio do desfile 2011, nota-se que o veículo recebeu uma pintura curiosa. Foram desenhadas no para-choque dezenas de estrelas vermelhas parecidas com aquelas que viraram símbolo do Partido dos Trabalhadores. Pode ser coincidência, mas há outros sinais indicando que a política está presente no Carnaval da Tom Maior. Uma bandeira da Central Única dos Trabalhadores tremula ao sabor do vento, aqui e ali há gente caminhando com adereços sindicais (broches do Sindicato dos Químicos, faixas da CUT na cabeça, essas coisas que lembram passeatas) e um sujeito exibe orgulhoso uma camiseta com a inscrição “100% Lula”. Se há alguma dúvida a respeito das intenções da escola, ela desaparece quando o samba começa a tocar. Versos como “sem medo de ser feliz” e “brilhou lá” são quase explícitos: eles são uma referência ao ex-presidente. O tema central da escola é a cidade de São Bernardo do Campo, polo industrial na Grande São Paulo onde Lula começou sua arrancada, mas isso é só um pano de fundo para o verdadeiro homenageado. Pela primeira vez Lula vai sair em uma escola de samba – e cada vez aumenta mais o cordão de amigos, companheiros, militantes, sindicalistas e puxa-sacos sedentos por aproveitar a chance de sair ao lado, ou pelo menos perto, do ex-presidente.

Lula não afirmou publicamente que vai desfilar no Carnaval paulista (e sua assessoria tampouco confirma isso), mas uma conversa testemunhada por várias pessoas colocou um ponto final nas especulações. “O Lula garantiu que está dentro”, diz Frank Aguiar, cantor de forró e vice-prefeito de São Bernardo, que ouviu o sim durante a partida entre Corinthians e São Bernardo, no domingo 30. “A chance de ele não aparecer na Tom Maior é zero.” Na semana passada, secretários da Prefeitura de São Bernardo e assessores petistas foram ao barracão da Tom Maior dar uma olhada na escola, como se quisessem saber de antemão em que terreno o ex-presidente vai pisar. “Eles viram tudo, perguntaram sobre as alegorias, prestaram atenção no carro do Lula”, diz o carnavalesco e responsável pelo desfile da escola, Chico Spinoza, um admirador do tucano Fernando Henrique Cardoso e que anulou seu voto na última eleição presidencial (mas ele jura que o fato de não ser exatamente um admirador do PT não interferiu na sua criatividade). Os emissários de Lula descobriram que a escola é pequena e que sua chance de ganhar o Carnaval é quase a mesma que a possibilidade de um sindicalista da CUT ter samba no pé. “Quem se importa?”, pergunta Aguiar, que tem nas costas a responsabilidade de fazer a comunicação entre a prefeitura e a escola de samba.“No Carnaval, ganhar não é importante”, afirma o cantor. “Bacana mesmo é a alegria.”

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ENSAIO
Ritmistas da bateria erguem estrelas em direção ao céu:
símbolo petista

Aguiar diz que deve receber nos próximos dias a lista de 30 amigos que Lula pretende convidar para o desfile. Eles vão sair no mesmo carro alegórico do presidente. O veículo tem três andares. No primeiro vai sambar a velha guarda da escola, com seus integrantes usando máscaras de Lula compradas de camelôs do Rio de Janeiro. No andar do meio ficarão os amigos – é neste espaço que a disputa por um lugar é encarniçada. “Sabe como é, estar ali é um sinal de prestígio”, diz Ronaldo Tadeu de Paula, secretário-adjunto de Desenvolvimento e Turismo de São Bernardo e que auxilia Aguiar na organização da ala do presidente na passarela do samba. Lula já indicou alguns nomes que gostaria de ter ao seu lado no Sambódromo: José Eduardo Dutra, presidente do PT, Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, Eduardo Suplicy, senador pelo partido, e Vicentinho, deputado federal. “Cuidado ao publicar essa lista, vai causar uma ciumeira danada”, diz Aguiar. Os amigos terão de usar uma fantasia de operário, com macacão vermelho e capacete na cabeça. “Uma coisa linda de se ver”, diz o cantor de forró. No último andar do carro alegórico, que tem braços mecânicos que simulam a fabricação de um automóvel, estará o presidente e sua mulher, dona Marisa. “Eles não precisam usar fantasia”, diz o carnavalesco Chico Spinoza. “O Lula pode vir até pelado.”

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CONFETES
Para Deputado Vicentinho, que estará na avenida:
“Lula é a nossa maior referência”

Alguns petistas estão eufóricos com o desfile. “É claro que vou participar”, diz o deputado Vicentinho. “O Lula é a nossa maior referência.” O senador Eduardo Suplicy pretende ir, mas está confuso. “É bem provável que eu participe, mas preciso confirmar”, diz. “Você sabe me dizer qual é mesmo o horário do desfile?” Sua ex-mulher Marta Suplicy, primeira vice-presidente do Senado, afirma que até a semana passada não tinha sido informada a respeito da folia petista. Ela, porém, não quer perder a oportunidade por nadinha neste mundo. “Não sei da homenagem”, diz Marta. “Seu eu for convidada, ficarei honrada.” Um dos antigos caciques do PT, José Dirceu é desfalque certo na avenida. “Já tenho compromisso para o Carnaval”, afirma. “Mas a homenagem é mais do que justa.” O vereador paulista Celso Jatene (PTB) é nome confirmado na apresentação da Tom Maior. “Sou sambista”, diz. “Vou porque sempre gostei, está no meu sangue.” É óbvio que Jatene não se incomoda nem um pouco de ver seu nome perto do do ex-presidente que bateu recordes de popularidade. “Sei da importância histórica de São Bernardo.” Então está explicado.

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Sambistas com a camiseta “100% Lula”

A reportagem de ISTOÉ acompanhou três ensaios da Tom Maior, um deles no próprio Sambódromo e dois na quadra da escola de samba, no centro de São Paulo. Nos bastidores, ouve-se uma piada repetida por sambistas bem-humorados: “Sabe quem vai desfilar na ala dos mascarados da Tom Maior?”, alguém pergunta. “O Delúbio Soares e o Silvio Pereira.” Delúbio é o ex-tesoureiro do PT que assumiu a responsabilidade pelo esquema do Mensalão e Pereira o ex-secretário-geral do PT que ganhou uma Land Rover de presente de uma empresa baiana, numa teia de corrupção. Não existe nenhuma ala dos mascarados, mas Carnaval é Carnaval – e, convenhamos, a brincadeira é boa.

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ESTREIA
Lula e a Globeleza: ele vai desfilar pela primeira vez

A Tom Maior está fazendo um esforço danado para que o desfile não seja tão chato quanto um encontro sindical. Nas discussões de criação do samba-enredo, foram evitadas palavras como “socialismo”, “burguesia” e “dialética” e expressões como “luta de classes”, “povo unido” e “a luta continua”, todas elas na ponta da língua dos militantes de esquerda. Mas a tentação é grande. A palavra “povo” aparece na letra do enredo (“num contexto, sabe, que tem uma justificativa”, diz o carnavalesco Spinoza) e foi inescapável tascar no final do samba a desgastada “luta social.” Algumas alas levam nomes que, sabe-se lá como, terão de empolgar a passarela, como Braços Cruzados e Berço Sindical. Na semana passada, circularam na internet comentários de gente que vai desfilar pela escola reclamando que o samba é fraco e que a letra “não pega”. Não é difícil imaginar quão contagiante deve ser um Eduardo Suplicy fantasiado de operário, na ala da CUT, e gritando a plenos pulmões as glórias de São Bernardo.

Justiça seja feita, desfile de escola de samba é das coisas mais democráticas que existem, em que a luta de classes é um conceito sem sentido algum. Na terça-feira 1º, conviviam no mesmo espaço, a quadra da Tom Maior, patricinhas bem-nascidas e pobres de chinelo de dedo, jovens com smartphones e ritmistas que encaram os ensaios em troca de sanduíche de pão e presunto combinado com um copo de refrigerante. Nem tudo são confetes e serpentinas. A Tom Maior é uma agremiação pobre e está sofrendo o diabo para conseguir realizar um desfile decente. “A escola deve R$ 800 mil na praça”, diz Marko Antonio da Silva, presidente da Tom Maior. “Não tenho a menor ideia de como vou fechar as contas.” O desfile pode custar até R$ 2,5 milhões (depende do preço das plumas e paetês, pela hora da morte nesta época do ano) e o dinheiro repassado pela Rede Globo pelos direitos de transmissão e pela Prefeitura de São Paulo cobre menos da metade das despesas.

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OS AMIGOS
Luiz Marinho, Eduardo Suplicy e Frank Aguiar: ninguém quer perder
a oportunidade de aparecer na passarela do samba ao lado
do presidente que bateu recordes de popularidade

O presidente Marko Silva, que se declara um tucano revoltado (“não votei no Serra porque ele não gosta de Carnaval”, diz), admite que decidiu homenagear São Bernardo porque pensou que, como o município é um centro industrial, não seria difícil obter dinheiro de grandes patrocinadores. “Mas a Volks e a Mercedes, que têm suas sedes na cidade, nem sequer responderam ao nosso pedido de apoio”, diz. Ele também imaginou que, tratando-se de uma homenagem a uma prefeitura rica, os recursos seriam abundantes. “Não pudemos ajudar em nada”, diz o vice-prefeito, Frank Aguiar. “Nosso Orçamento já estava comprometido e o máximo que fiz foi acionar alguns amigos, solicitando pequenas contribuições.” O presidente da Tom Maior ainda vai fazer uma última tentativa junto ao diretório central do PT. Na escola, a diretoria acha que, com a confirmação da presença de Lula, aumentam as chances de o dinheiro finalmente aparecer. “O ex-presidente não vai querer fazer feio na avenida”, diz Zito Sérgio Camargo, 59 anos, integrante da velha guarda e primeiro mestre-sala a desfilar pela Tom Maior, em 1974.

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AUSENTE
José Dirceu não confirmou presença.
“Tenho compromisso no Carnaval”

Parte do dinheiro das escolas de samba vem da venda de fantasias. Os amigos de Lula terão que desembolsar R$ 550 para vestir o macacão de operário. Os sindicalistas que desejarem exibir seus dotes carnavalescos na ala Braços Cruzados terão que pagar R$ 300 por uma roupa que traz na frente duas mãos entrelaçadas. “Eu ganhei a minha fantasia do sindicato dos químicos”, diz Geraldo de Souza Guimarães, funcionário da gigante alemã Bayer, que vai desfilar pela primeira vez na vida. Por que ele recebeu o presente? “É que o sindicato está com Lula”, diz Guimarães. Na escola, ninguém reclama de usar camisetas com referências elogiosas ao ex-presidente e os ritmistas estão ensaiando, até os braços cansarem, um dos momentos considerados chaves do desfile da Tom Maior: num dos breques do samba, alguns integrantes da bateria erguem uma estrela para o céu. Seria um reverência ao homenageado da noite? Na escola, todos sabem a resposta: é claro que sim. Olha o Lula aí, gente.

Por Revista Istoé Independente

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estadão deve indenizar três juízas

Tribunal de Justiça de São Paulo condenou nesta quinta-feira (3/2) o articulista Mauro Chaves e o jornal O Estado de S. Paulo a pagar indenização por danos morais a três juízas de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. A indenização foi fixada em R$ 200 mil a ser paga pelo jornalista e em R$ 55 mil para o jornal. O valor, de acordo com a decisão, será dividido entre as três juízas. Cabe recurso.

A decisão é da 4ª Câmara de Direito Privado. A turma julgadora entendeu que houve ofensa à honra das juízas, acusadas de prevaricação e desídia funcional. O texto, publicado na seção Espaço Aberto, em novembro de 2006, e assinado por Mauro Chaves, aponta que as juízas sumiam da comarca, revezando os trabalhos.

Com o título "Justiça condena o acinte", o articulista desenvolve a crítica no sentido de que aqueles que deveriam corrigir os erros são os mais errados. "E é por isso que em Taboão da Serra, por exemplo, as três juízas das três varas fazem verdadeiro revezamento de faltas, uma sumindo uma semana e passando despachos para outra, que também some", afirmou o jornalista do Estadão em sua coluna.

Em primeira instância o jornal foi condenado a pagar indenização por danos morais correspondente a 500 salários mínimos. A empresa de comunicação e o jornalista recorreram ao Tribunal de Justiça argumentando que o texto não continha crítica pessoal às juízas, mas, ao contrário, era dirigido ao Judiciário, destacando sua morosidade. Alegaram ainda que não havia ilicitude para gerar indenização por dano moral.

O desembargador Natan Zelinschi, relator do recurso apresentado pelos réus, entendeu que o artigo teve cunho difamatório, atingindo as juízas tanto profissionalmente, quanto nos aspectos social e familiar. "Os danos morais estão presentes, haja vista que os apelantes, ao exercerem o direito de informação, o fizeram de forma irresponsável, pois o que foi publicado não corresponde com a realidade", afirmou o relator.

O desembargador Francisco Loureiro, revisor do recurso, entendeu que faltou veracidade ao artigo publicado. "Foi o jornalista leviano, pois publicou em jornal de grande circulação séria imputação ao comportamento funcional de três magistradas, sem antes checar a real ocorrência dos fatos", disse Francisco Loureiro.

A ação de indenização apurou que o jornalista Mauro Chaves tinha interesse na tramitação de um processo civil que tramitou na 1ª Vara de Taboão da Serra. Nesse processo — 387/2006 — o articulista seria sócio gerente da Tavima Administração de Bens, que era autora de ação de despejo contra Olliver Comércio de Tintas.

"Patenteou-se o pior dos pecados do jornalista, qual seja, servir-se do campo destinado para atender a democracia e homenagear o espírito cívico, para proferir ofensas por razões pessoais", afirmou o desembargador Ênio Zuliani, que atuou como terceiro juiz no recurso apresentado ao Tribunal de Justiça.

De acordo com Zuliani, o jornalista Mauro Chaves deveria, para lealdade da crítica, expor na sua coluna que a empresa a qual figura como sócio majoritário era parte em ação que tramitava na comarca e que as denúncias sobre o afirmado comportamento desleixado e imprudente das juízas causavam a morosidade desse processo.

A decisão manteve o valor da indenização em 500 salários mínimos. No entanto, os desembargadores entenderam que não deve haver obrigação solidária perfeita entre o jornalista e o jornal. "O artigo 944 do Código Civil permite que se arbitre o dano de maneira diferenciada (pelo grau da culpa)", afirmou o desembargador Ênio Zuliani.

Para os julgadores, a posição do jornal é completamente distinta da conduta do jornalista. Este último teria agido com sentimento amargo e revanchismo ao usar o periódico para ferir a honra de pessoas inocentes, enquanto que o jornal falhou ao não fiscalizar o texto publicado.

Na opinião da turma julgadora, o jornal incorreu em culpa moderado e essa seria a razão de fragmentar o peso da responsabilidade com a ressalva de que o jornalista deveria arcar com a maior parte do valor da indenização.

Por Fernando Porfírio, Consultor Jurídico

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