segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Licitações para explorar pré-sal devem ocorrer no primeiro semestre

Ao assumir hoje (3), pela segunda vez, o cargo de ministro de Minas e Energia, Edison Lobão disse que, ainda no primeiro semestre deste ano, ocorrerá a 11ª rodada de licitação de blocos de exploração de petróleo. Já a licitação dos primeiros blocos da camada pré-sal, pelo sistema de partilha, deve sair no segundo semestre, após a aprovação das regras de distribuição dos royalties, em discussão no Congresso Nacional.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, advertiu que para isso é necessário que o Congresso Nacional defina o cálculo a ser adotado para os royalties do petróleo (compensações financeiras devida pelas empresas que exploram petróleo no país). “Acho que o Congresso nacional vai nos ajudar, e a licitação das áreas deve ocorrer o fim do ano”, ressaltou Lobão.

As afirmações de Lobão e Gabrielli ocorreram durante a cerimônia de transmissão de cargo do novo ministro, nesta manhã, no Ministério de Minas e Energia em Brasília. Ele substitui Márcio Zimermann.

No final do ano passado, a Câmara aprovou o texto básico que cria o marco regulatório do pré-sal. O novo sistema de exploração de petróleo vai substituir o atual mecanismo de concessão. O modelo deve definir como a produção de cada campo de petróleo será partilhada entre o consórcio vencedor da licitação e a União.

No último dia 22, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que define as novas regras para a exploração de petróleo na camada do pré-sal. Ele vetou o artigo que determinava a divisão dos royalties do petróleo entre todos os estados e municípios brasileiros. Outro artigo vetado destinava metade do dinheiro do Fundo Social do pré-sal a programas de educação.

Lula encaminhou ao Congresso um projeto de lei que garante uma parcela maior de recursos aos estados produtores de petróleo. Assim, cumpre o acordo fechado com os governadores dos principais estados produtores – Rio de Janeiro e Espírito Santo – no ano passado.

O modelo aprovado pelos parlamentares e vetado pelo presidente previa a partilha dos royalties conforme os percentuais do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios. Caberia à União compensar os estados produtores pelas perdas com a divisão.

A lei sancionada por Lula muda o modelo de exploração de petróleo do pré-sal, de concessão para partilha. De acordo com a lei, empresas serão contratadas para explorar os blocos e terão que dividir os lucros com a União. Serão escolhidas as empresas que oferecerem a maior parcela da produção ao governo.

Da Agência Brasil


O que a WikiLeaks revelou ao Mundo em 2010

À luz do que a WikiLeaks revelou ao mundo acerca de um grande número de governos, é difícil sequer conceber a mentalidade pró-autoritária que levaria alguém a reagir com cólera ao fato de essas coisas serem reveladas. Por Glenn Greenwald, Salon

Ao longo deste ano tenho dedicado uma atenção especial à WikiLeaks, sobretudo nas últimas quatro semanas, consoante os apelos à sua destruição se foram intensificando. Para perceber porque o tenho feito, e entender o que motiva a descrente devoção do governo dos Estados Unidos e daqueles que influencia a destruir a organização, vale a pena passar em revista o que é que a WikiLeaks de facto deu a conhecer ao mundo apenas neste último ano: a extensão de corrupção, fraude, brutalidade e crimes cometidos pelo facções mais poderosas do mundo.

As reações a estas revelações são tão esclarecedoras como as próprias revelações. Grande parte da indignação não tem tido como alvo os crimes expostos, mas quem os expôs: a WikiLeaks e (alegadamente) Bradley Manning. Rapidamente nasceu um consenso nas classes política e jornalística de que ambos são patifes malvados que têm de ser severamente punidos, enquanto os responsáveis por todos os atos que revelaram são ilibados de qualquer culpa. Esta reacção não foi atenuada sequer pelo reconhecimento pelo próprio Pentágono de que, em absoluto contraste com os seus próprios actos, não existem quaisquer provas — zero — de que alguma das acções da WikiLeaks tenha causado uma única morte. Entretanto, a comunicação social americana institucional continua a insistir — mesmo perante todas estas revelações — nos lugares-comuns contraditórios e orwellianos de que a) não existe Nada de Novo™ em qualquer das revelações da WikiLeaks e b) a WikiLeaks provocou Graves Danos à Segurança Nacional Americana™ através das suas publicações.

Não é de todo surpreendente que os líderes políticos queiram convencer as pessoas de que os verdadeiros criminosos são quem expõe actos de corrupção política e crimes ao mais alto nível, em vez de quem os comete. Não há líder político que não gostasse que um acto de fé tão útil fosse dado como adquirido. Mas o que é assustador é o modo como muitos cidadãos, e especialmente "jornalistas", passaram também a acreditar veementemente nisso. À luz do que a WikiLeaks revelou ao mundo acerca de um grande número de governos, é difícil sequer conceber a mentalidade pró-autoritária que levaria um cidadão — para já não falar de um jornalista — a reagir com cólera ao facto de essas coisas serem reveladas. O que leva alguém a insistir que estes factos deviam ser mantidos em segredo e que seria melhor que não soubéssemos e, acima de tudo, exigir que aqueles que nos permitiram ficar a conhecê-los (os Verdadeiros Criminosos) sejam punidos enquanto os autores do que segue (as Boas Autoridades) devem ser protegidos?

Chistian Science Monitor, 5 de Abril de 2010

WikiLeaks divulga vídeo que mostra soldados americanos a matar dois jornalistas da Reuters no Iraque

A WikiLeaks, um sitesem fins lucrativos, divulgou um vídeo de "informantes militares" que parece exibir o assassínio em 2007 de dois jornalistas de Reuters e nove outros iraquianos. O exército dos EUA disse na altura que se tratavam de forças "hostis."

Daily Mail, 7 de Abril de 2010

"Ha ha, atingi-os": Vídeo ultra-secreto que mostra pilotos de helicóptero americano a abater 12 civis em Bagdade colocado on line."

Um vídeo secreto colocado na Internet mostra soldados americanos a rir enquanto um ataque de helicóptero mata cerca de uma dúzia de civis em Bagdade.

The Guardian, 22 de Outubro de 2010

Arquivos de guerra do Iraque: ordem secreta permitiu aos EUA Ignorar abusos

Maus-tratos a prisioneiros indefesos por parte das forças de segurança iraquianas incluíram espancamentos, queimaduras, electrocussões e violações.

The Guardian, 22 de Outubro de 2010

Arquivos de guerra do Iraque revelam 15 000 mortes de civis não registadas

Ficheiros do Pentágono relevados contêm registos de mais de 100 000 vítimas, incluindo 66 000 civis.

Foreign Policy, 29 de Novembro de 2010

Clinton deu ordens aos diplomatas americanos para espiarem funcionários das Nações Unidas

Mother Jones, 1 de Dezembro de 2010

Obama e republicanos trabalharam em conjunto para pôr fim a inquérito sobre responsabilidade de Bush em actos de tortura

Um telegrama da WikiLeaks mostra que quando a Espanha considerou acusar criminalmente antigos funcionários de Bush, a Casa Branca de Obama e os republicanos tornaram-se verdadeiramente bipartidários.

El Pais, 30 de Novembro de 2010

EUA conspiraram para pôr fim a casos na Audiência Nacional

A embaixada americana enviou ameaças relativamente aos casos de Guantanamo, Couso e voos da CIA — políticos e instâncias legais espanholas colaboraram com a estratégia.

Will Bunch, The Philadelphia Inquirer, em resposta aos telegramas de Espanha, 1 de Dezembro de 2010:

O dia em que Barack Obama me mentiu

ACLU, 20 de Novembro de 2010

Segurança Interna | Tortura

EUA exerceram pressão sobre a Alemanha para não agir judicialmente contra oficiais da CIA por tortura e entrega de prisioneiros a países onde ela existe

Material da WikiLeaks revela encontro sobre o cliente da ACLU Khaled El-Masri

Der Spiegel, 9 de Dezembro de 2010

O rapto de El-masri pela CIA

Telegramas mostram que a Alemanha cedeu às pressões de Washington

Ellen Knickmeyer, ex Chefe de Agência do Washington Press em Bagdade, The Daily Beast, 25 de Outubro de 2010

WikiLeaks desmascara mentiras de Rumsfeld

Revelações recentes da WikiLeaks demonstram como os principais líderes americanos mentiram, conscientemente, ao público americano, aos soldados americanos, e ao mundo. Ellen Knickmeyer sobre a carnificina a que assistiu enquanto chefe de agência em Bagdade.

Sydney Morning Herald, 29 de Novembro de 2010

Presidente do Iémen mentiu acerca de ataques americanos

O presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh, admite ter mentido ao seu próprio povo ao alegar que os ataques militares dos EUA contra a Al-Qaeda foram feitos por forças iemenitas, de acordo com um documento americano divulgado.

Salon, 9 de Dezembro de 2010

WikiLeaks revela telegramas em que José Serra queria entregar Pré-Sal para os americanos

Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal

Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse

Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo

Brasil Informado, 13 de Dezembro de 2010

Ao contrário do que foi publicamente afirmado, o governo de Obama alimentou o conflito no Iémen

Os EUA enviaram armas para a Arábia Saudita para uso no norte do Iémen a mesmo tempo que negavam qualquer participação no conflito.

BBC, 17 de Dezembro de 2010

WikiLeaks: Índia "torturou" prisioneiros de Caxemira

O Comité Internacional da Cruz Vermelha enviou aos diplomatas americanos provas de prática de tortura generalizada pelas forças de segurança indianas em Caxemira, de acordo com telegramas obtidos pela Wikileaks.

BBC, 22 de Dezembro de 2010

Reino Unido treinou "esquadrão da morte" do Bangladesh

Oficiais britânicos no Bangladesh confirmaram informações da WikiLeaks de que o Reino Unido está a treinar uma força policial no país acusada de ser um esquadrão da morte.

Reuters, 1 de Dezembro de 2010

Reino Unido aceitou proteger interesses americanos em inquérito sobre o Iraque

LONDRES (Reuters): O governo britânico deu garantias secretas a Washington de que iria limitar o âmbito de qualquer inquérito à guerra do Iraque para proteger interesses americanoa, de acordo com mensagens diplomáticas divulgadas pelo site de fugas de informação.

MSNBC, 11 de Dezembro de 2010

WikiLeaks revela telegramas em que José Serra queria entregar Pré-Sal para os americanos

Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal

Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse

Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo

13 de Dezembro de 2010

WikiLeaks: Papa recusou cooperar em investigação sobre abusos sexuais

O embaixador britânico no Vaticano também temeu violência anticatólica perante conversões anglicanas

O papa Bento VI recusou-se a autorizar funcionários do Vaticano a testemunhar numa investigação de uma comissão irlandesa sobre o alegado abuso sexual de crianças por padres, de acordo com os telegramas da diplomacia dos EUA divulgados pela WikiLeaks, noticia o jornal The Guardian.

The Guatemala Times, 28 de Novembro de 2010

WikiLeaks, claro e simples: o caso do golpe nas Honduras

CBS NEWS, 29 de Novembro de 2010

WikiLeaks: China por trás de ataque ao Google

A China esteve por trás de um ataque electrónico à rede informática da Google, de acordo com documentação do governo americano publicada no fim-de-semana pela WikiLeaks.

The Guardian, 30 de Novembro de 2010

Telegramas da WikiLeaks: Forças especiais dos EUA a operar no interior do Paquistão

Os telegramas da embaixada americana revelam que tropas de elite americanas se uniram em segredo ao exército paquistanês para perseguir terroristas.

Eugene Robinson, The Washington Post, 27 de Julho de 2010

WikiLeaks revela os perigos óbvios do Afeganistão

As dezenas de milhar de documentos militares secretos disponibilizados na Internet no domingo confirmam o que os críticos da guerra no Afeganistão já sabiam ou suspeitavam: estamos a arrastar um conflito a longo prazo, moralmente ambíguo, que não tem na prática quaisquer hipóteses de acabar bem.

The Guardian, 25 de Julho de 2010

Arquivos de guerra do Afeganistão: fuga de grandes dimensões de ficheiros secretos expõe a verdade da ocupação

. Centenas de civis mortos por soldados da coligação

. Unidades secretas perseguem líderes para "matar ou capturar"

. Aumento acentuado dos ataques à bomba dos talibãs contra a Nato

Uma cache enorme de ficheiros militares dos EUA secretos fornece hoje um retrato devastador de como a a guerra no Afeganistão está a correr mal, revelando como as forças da coligação mataram centenas de civis em incidentes não comunicados. Os ataques dos talibãs dispararam e os comandantes da Nato temem que os vizinhos Paquistão e Irão estejam a alimentar a sublevação.

E são apenas algumas das verdades que levaram a WikiLeaks — e quem quer que seja o informador — a sacrificar interesses pessoais para revelar estes segredos ao mundo.

Publicado originalmente na Salon

Traduzido por Mariana Avelãs para o Wikifugas


Por Esquerda.net


Portugal será aliado “mais fiel” do Brasil para vaga em conselho da ONU, diz primeiro-ministro

“O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, destacou ontem (2), durante encontro com a presidenta Dilma Rousseff, o apoio do país europeu para que o Brasil ocupe uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Tive a oportunidade de dizer à presidenta do Brasil que pode contar com Portugal como mais fiel e mais próximo aliado, no que vai ser a caminhada do Brasil para ocupar o seu espaço no Conselho [de Segurança] das Nações [Unidas]”, destacou.

Na cerimônia de posse de Dilma, Sócrates já havia defendido a entrada no Brasil na instituição, que conta com cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia). Ele disse também, na ocasião, que assistiu a toda a transformação passada pelo Brasil nos oito ano de governo Lula e que, ao mudar o país, “mudou também a visão do mundo sobre o Brasil”.

Luciana Lima, Agência Brasil

domingo, 2 de janeiro de 2011

A nova face da moeda

O real fortaleceu-se diante do dólar e do euro e refletiu a intensa atração de investimentos externos pelo Brasil nos últimos oito anos

Os oito anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram marcados por várias mudanças, e uma das mais notáveis foi na posição da moeda brasileira. Em 2002, quando Lula assumiu a Presidência, o real era uma moeda fraca. Ao passar o cargo para Dilma Rousseff, Lula entrega a ela o comando de um país com moeda forte - que deverá permanecer assim por muitos anos.

Essa mudança radical ocorreu por dois motivos. Um deles foi a perseverança do governo nos bons princípios econômicos - a busca da inflação baixa, a manutenção do câmbio flutuante e o esforço em arrecadar mais do que gasta. "Isso permitiu que o Brasil permanecesse atraente aos investidores internacionais", diz Dalton Gardiman, economista-chefe da Bradesco Corretora.

O outro motivo foi internacional. Os Estados Unidos e, em menor escala, os principais países da Europa tiveram de combater excessos de endividamento tanto públicos quanto privados. A solução para isso foi emitir moeda, muita moeda e baixar os juros.

Dinheiro em excesso e rentabilidade baixa provocaram uma inundação de dólares e de euros no mercado internacional. Boa parte desse dinheiro veio para o Brasil, o que ajudou a valorizar ainda mais o real. "Os dólares vieram para comprar ações e títulos de empresas brasileiras", diz Darwin Dib, economista do Itaú Unibanco.

Os números da mudança impressionam. No fim de 2002 eram necessários quase quatro reais para comprar um dólar e mais de cinco para adquirir uma libra esterlina. Hoje, um dólar custa cerca de R$ 1,70 e uma libra custa menos de três reais.

Além disso, o Brasil atrai recursos. As reservas internacionais, que eram de US$ 38 bilhões em dezembro de 2002, avançaram para US$ 285 bilhões em novembro de 2010. Os investimentos estrangeiros diretos - aqueles em que os investidores internacionais não compram ações ou títulos de renda fixa, mas aplicam diretamente na propriedade e na produção - somaram US$ 207 bilhões nos últimos oito anos.

O real agora chama a atenção dos investidores. Warren Buffett, segundo homem mais rico do mundo, anunciou ter especulado com a moeda brasileira em 2007. A bolsa de Chicago já negocia contratos futuros de real, e os investidores internacionais compram títulos denominados em reais desde 2005.

A moeda brasileira não é plenamente conversível - ainda não é possível usá-la para pagar uma conta em Nova York, Paris ou Lisboa - mas ela entrou para ficar no radar do mercado.

Isso é bom para a economia. Um real que permanece forte pelo ingresso de dinheiro de fora deixa os importados baratos e ajuda a conter a inflação, diz Cristina Helena Pinto de Mello, professora de economia da ESPM.

"Manter o nível de preços é bom, especialmente para produtos importados como componentes para a indústria", diz ela. O impacto negativo, que é reduzir a rentabilidade das exportações, é compensado pelo aumento de preços das commodities agrícolas.

Os especialistas não esperam grandes mudanças a curto ou mesmo a médio prazo. "Ainda vai demorar pelo menos uma década para a economia americana resolver seu problema de crédito", diz Gardiman. "Enquanto isso não ocorrer, não deverá haver uma redução da emissão de dólares nem uma forte elevação dos juros nos Estados Unidos."

Assim, os motivos que garantem a abundância da oferta internacional de dólares não vão mudar. O real, que no começo do governo Lula foi desprezado pelos investidores, vai manter seu lugar de destaque no mercado de moedas pelo menos até o fim do governo Dilma. IstoÉ

sábado, 1 de janeiro de 2011

Lula desce rampa chorando e se despede nos braços do povo

Encerrada sua participação na cerimônia de posse da agora presidente Dilma Rousseff, Lula se despediu do povo em frente ao Palácio do Planalto

Ao descer a rampa do Palácio do Planalto, de mãos dadas à mulher, Marisa Letícia, e à presidente, Dilma Rousseff, Lula chorou.

O ato marcou o fim dos oito anos de sua gestão e o início do governo de sua sucessora Dilma.

Emocionado, o Presidente se despediu de Dilma e do vice-presidente, Michel Temer e, antes de seguir para a Base Aérea de Brasília - de onde viaja para São Paulo - foi até o público para se despedir dos populares que acompanhavam a cerimônia. Dezenas de políticos também foram ao local para abraçar o ex-presidente. Logo após a despedida, Dilma deu início à cerimônia de posse dos ministros.

Com a trasmissão do cargo, Lula deixou para trás o governo que, antes mesmo de começar, teve de ser avalizado em 2002 por uma Carta ao Povo Brasileiro. Para acalmar o "deus mercado", que a essa altura estabelecia cada dólar valendo R$ 3,53, o documento fixava compromissos de crescimento econômico com estabilidade e de ampliação de políticas sociais.

Lula foi o governante mais popular da história - chegou a 87% seu nível de aprovação pessoal no fim do mandato - confirmou a continuidade de sua gestão e, mesmo nos últimos dias à frente do Palácio do Planalto, sempre evitou usar a palavra "adeus".

Rio apresenta logomarca oficial das Olimpíadas 2016

Marca, de acordo com o Comitê Olimpico Brasileiro, representa a paixão de alma carioca, que acolhe com um abraço e espalha simpatia.

O Rio de Janeiro aproveitou a festa do réveillon em Copacabana para apresentar a logomarca das Olimpíadas 2016. A marca, de acordo com o Comitê Olimpico Brasileiro, representa a paixão de alma carioca, que acolhe com um abraço e espalha simpatia, num movimento coletivo, caloroso, que traduz nosso jeito apaixonante de celebrar.
Paixão e transformação de uma cidade e de um país inteiro, embaladas pela renovação do espírito olímpico, para projetar o Brasil e o Rio de Janeiro para o mundo.
Paixão e transformação do planeta e das pessoas, através da disseminação de uma cultura mais interdependente, consciente e sustentável, como uma inspiração para o presente e um legado para o futuro.
A logomarca foi escolhida em setembro passado pelos 12 integrantes da comissão julgadora do concurso realizado pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Iniciado em abril deste ano, o processo seletivo mobilizou 139 agências nacionais e a vencedora recebeu R$ 50 mil pela criação.
A partir de amanhã (1º), a marca Rio 2016 terá, além do reconhecimento internacional, exposição máxima ao longo dos próximos seis anos, em material de divulgação, produtos, objetos e nas imagens dos Jogos, transmitidas a bilhões de espectadores de todo o mundo.

A Ciber-guerra da Wikileaks

A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas sim entre Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão ter a certeza de manter os seus cidadãos na ignorância das suas manobras. Por Manuel Castells

Como documentei no meu livro “Comunicação e Poder”, o poder reside no controlo da comunicação. A reação histérica dos EUA e outros governos contra o Wikileaks confirma-o. Entramos numa nova fase da comunicação política. Não tanto por se revelar segredos ou fofocas, mas porque se difundem por um meio que escapa ao aparelho do poder. A fuga de confidências é a fonte do jornalismo de investigação com que sonha qualquer meio de comunicação em busca de novidades (scoops no original). Desde Bob Woodward e o seu 'Garganta Funda' no Washington Post até às campanhas de Pedro J. na política espanhola, a difusão de informação supostamente secreta é prática habitual protegida pela liberdade de imprensa.

A diferença é que os meios de comunicação estão inseridos num contexto empresarial e político susceptível a pressões quando as informações são comprometedoras. Daí que a discussão académica sobre se a comunicação pela Internet é um meio de comunicação, tem consequências práticas. Se o é (algo estabelecido na investigação) está protegida pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, e os meios e os jornalistas deveriam defender o Wikileaks porque um dia pode tocar-lhes a eles. E ninguém questiona a autenticidadade dos documentos filtrados. De fato, jornais mundiais importantes estão a publicar e comentar esses documentos para regozijo e educação dos cidadãos que recebem um curso acelerado sobre as misérias da política nos corredores do poder (pois, por que é que Zapatero está tão preocupado?).

O problema, diz-se, é a revelação de comunicações secretas que poderiam dificultas as relações entres Estados (aquilo sobre o perigo para as vidas humanas é uma patranha). Na realidade, deveria medir-se esse risco em relação à ocultação da verdade sobre as guerras aos cidadãos que as pagam e sofrem. Em qualquer caso, ninguém duvida de que se essas informações chegaram aos meios de comunicação, estes também as quiseram publicar (outras coisa é poder). Mais, uma vez difundidas na rede, estão publicadas. O que põe em causa é a o controlo dos governos directa ou indirectamente. Uma questão tão fundamental, que motivou uma reacção sem precedentes nos EUA, com apelos ao assassinato de Assange por líderes republicanos e até colunistas do Washington Post, e um alarme mundial generalizado desde Chávez até Berlusconi, com a honrosa excepção de Lula e a reação significativa de Putin.

A esta cruzada para matar o mensageiro uniu-se a justiça sueca num história rocambolesca na qual o pseudo feminismo se aliou à repressão geopolítica. Acontece que as relações suecas de Julian Assange (alguém investiga a sua ligação aos serviços secretos?) denunciaram-nos porque em pleno ato (consentido) o preservativo rompeu-se, ela disse que não queria continuar e Assange não pode ou não quis interromper o coito e isto, segundo a lei sueca, poderia ser violação. O que não impediu que a violada organizasse, no dia seguinte, uma festa de despedida para Assange. Perante tamanho acto de terrorismo sexual, a Interpol emitiu o mandato de detenção europeu com o máximo nível de alerta, desmentindo que fosse por pressão dos EUA. E quando Assange se entregou em Londres, o juiz não aceitou o pagamento de fiança, talvez para enviá-lo para os EUA via Suécia.

Com o mensageiro sob rédeas, há que ir pela mensagem. Aqui começam as pressões que motivam a PayPal, a Visa, a Mastercard e o banco suíço do Wikileaks a fechar o cerco, que eliminam o domínio virtual e que a Amazon retire o servidor (o que não a impede de vender o conjunto completo dos documentos por 7 dólares). A contra ofensiva internauta não se fez esperar. Os ataques de serviços secretos contra ao site do Wikileaks fracassaram porque os servidores espelho proliferaram, ou seja, cópias imediatas dos sites existentes mas com outra direção. Por esta altura, existem mais de mil em funcionamento (se quiser ver a lista, pesquise no Google 'wikileaks.mirror'). Em represália à tentativa de silenciar o Wikileaks, Anonymous, uma conhecida rede hacker, coordenou os ataques contra as empresas e instituições que o fizeram. Milhares de anónimos juntaram-se à festa utilizando o Facebook e o Twitter, ainda que com crescentes restrições. Os amigos do Wikileaks no Facebook ultrapassaram o milhão e aumentam em uma pessoa por segundo. O Wikileaks distribuiu a 100 mil usuários um documento encriptado com segredos falsamente mais perigosos para os poderosos cuja chave se difundiria se a perseguição se intensificar.

A segurança dos Estados não está em jogo (nada do que foi revelado coloca um perigo à paz mundial nem era ignorado nos círculos do poder). O que se debate é o direito de o cidadão saber o que fazem e pensam os seus governantes. E a liberdade de informação nas novas condições da era da Internet. Como dizia Hillary Clinton na sua declaração em Janeiro de 2010: “A Internet é a infra-estrutura icónica da nossa era... Como ocorria nas ditaduras do passado, existem governos que apontam contra os que pensam de forma independente utilizando estes instrumentos”. Esta mesma reflexão aplica-se agora?

O tema chave está em que os governos podem espiar, legal ou ilegalmente, os seus cidadãos. Mas estes não têm direitos à informação sobre quem actua em seu nome, exceptuando a versão mais censurada que os governos constroem. Neste grande debate, as empresas da Internet auto proclamadas plataformas de livre comunicação e os médios tradicionais tão ciosos da sua própria liberdade, vão contradizer-se. A ciberguerra começou. Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas sim entre Estados e a sociedade civil internauta. Nunca mais os governos poderão ter a certeza de manter os seus cidadãos na ignorância das suas manobras. Embora hajam pessoas dispostas a fazer leaks numa Internet povoada de wikis, surgirão novas gerações de wikileaks.

Publicado originalmente no La Vanguardia

Por Esquerda.net


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