quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Chuva em São Paulo mata pelo menos 14 pessoas

São Paulo enfrenta uma série de problemas com a forte chuva que a atinge a cidade desde o final da tarde de segunda-feira (10).

Por conta do temporal, várias regiões da Grande São Paulo foram inundadas, e de acordo com um levantamento pelo Corpo de Bombeiros divulgado na terça-feira (11), o número de mortes em decorrência da chuva já chega a 14.

A Grande São Paulo também registrou ocorrências de desabamento e alagamentos, tendo registrado, até o início da tarde de terça, seis pontos intransitáveis, 17 locais com alagamento e 12 ocorrências de desabamento.

A região da Marginal Tietê, uma das principais vias da Grande São Paulo, foi um dos pontos de alagamento, e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aconselha aos motoristas que evitem esta região.

Noticias BR

Procuradoria acusa Alckmin de receber doação irregular de R$ 700 mil

Segundo a Procuradoria, a doação foi feita pela UTC Engenharia, que tem a concessão para a exploração de petróleo e gás em Niterói e Macaé (RJ). Com sede em São Paulo, a empresa tem contratos com a Petrobras no Rio, Paraná, Minas Gerais e Bahia.

Ao todo, Alckmin recebeu doações de campanha no valor de R$ 40,70 milhões, segundo a prestação de contas. A campanha tucana gastou R$ 34,22 milhões para levar seu candidato à vitória no primeiro turno.

A doação da empresa foi feita ao comitê financeiro do PSDB e o recurso foi usado pela campanha de Alckmin.

Pela legislação eleitoral, receber a doação de concessionária de serviço público pode levar à cassação do eleito.

"Tratando-se de fonte vedada, resta demonstrada a arrecadação ilícita de recursos a ensejar a presente investigação judicial, atraindo a aplicação da sanção de cassação do mandato", argumenta a Procuradoria na representação de quatro páginas.

A ação, que também tem o vice-governador Guilherme Afif Domingos (DEM) como representado, foi protocolada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo.

Em nota, a empresa informou não está impedida de fazer doações eleitorais.

"A companhia informa que embora a União detenha o monopólio sobre atividades de petróleo e gás no país, esta atividade não é caracterizada como um serviço público. Este entendimento tem base doutrinária e jurisprudencial", afirma a empresa.

A assessoria do PSDB afirma que não notificada oficialmente e, por isso, não irá se pronunciar

Com informações Mano Reporter

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Extradição de Assange será decidida em Fevereiro

Defesa argumenta que há um risco de Assange ser extraditado da Suécia para os EUA, o que violaria o artigo 3 da Convenção europeia sobre direitos humanos.

Um tribunal de Londres decidiu esta terça-feira que o pedido de extradição apresentado pela Suécia contra Julian Assange, fundador da WikiLeaks, por supostos crimes sexuais, será examinado a 7 e 8 de Fevereiro.

Assange disse estar muito contente com o resultado desta audiência, onde as condições da sua liberdade condicional foram alteradas, de forma a que ele possa dormir em Londres nos dias em que a sua extradição será decidida. O juiz decidiu que nas noites de 6 e 7 de Fevereiro, Assange poderá residir no Frontline Club de Londres, um clube de jornalistas fundado pelo seu amigo Vaughan Smith, que também é proprietário da casa de campo onde o porta-voz da WikiLeaks mora desde que lhe foi concedida liberdade condicional.

"O nosso trabalho com a WikiLeaks não diminuiu e estamos a ampliar a publicação de assuntos relacionados ao 'cablegate' e outros materiais", disse à porta do tribunal.

Os advogados de Assange anunciaram a intenção de esgotar todos os recursos para evitar a sua extradição para a Suécia. Eles contestam o pedido de extradição com base em vários argumentos:

– O procurador sueco não tem autoridade para emitir uma ordem de prisão europeia neste caso;

– Procura-se obter a extradição com um objetivo incorreto – interrogar, e não processar;

– Os crimes não são de extradição:

– O procurador sueco cometeu abusos, nomeadamente ter dito a imprensa que Assange é suspeito de violação, ter-se recusado a interrogá-lo nas datas em que Assange estava na Suécia e se disponibilizou, e a recusa de atender aos pedidos que as provas contra ele estivessem em inglês;

– Finalmente, a defesa argumenta que há um risco de Assange ser extraditado da Suécia para os EUA, o que violaria o artigo 3 da Convenção europeia sobre direitos humanos.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, confirmou recentemente que o departamento de Justiça procurava vias legais para processar Assange, a quem qualificou de "terrorista de alta tecnologia".

Em Abril, deve ser posta à venda a versão em inglês de um livro autobiográfico de Assange.

"Não queria escrever este livro, mas tenho de fazê-lo. Gastei umas 200.000 libras em custas legais e tenho que me defender, bem como garantir a sobrevivência da WikiLeaks", declarou.

Por Esquerda.net

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cuba anuncia primeira vacina contra câncer de pulmão

Produto é capaz de inibir o crescimento do tumor


Cuba registrou a primeira vacina terapêutica contra o câncer de pulmão avançado no mundo. De acordo com jornal oficial "Trabajadores", que fez o anúncio nesta segunda-feira (10), mais de mil pacientes já estão em tratamento com a vacina nomeada CimaVax EGF.

A responsável pelo projeto, Gisela González, do Centro de Imunologia Molecular (CIM) de Havana, explicou que a vacina oferece a possibilidade de transformar o câncer avançado em uma "doença crônica controlável".

Gisela explica que a CimaVax EGF é o resultado de mais de 15 anos de pesquisa direcionada ao tumor e não provoca efeitos adversos severos.

- A vacina é baseada em uma proteína que todos temos e que está relacionada com os processos de proliferação celular. Quando há câncer, [essa proteína] está descontrolada.

Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", foi preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.

A vacina é aplicada no momento em que o paciente conclui a terapia com radioterapia e quimioterapia. Ela ajuda a controlar o crescimento do tumor sem causar toxicidade, explica a pesqusiadora.

Além disso, a vacina pode ser utilizada como um tratamento "crônico que aumenta as expectativas e a qualidade de vida do paciente". A pesquisadora declarou que, após alcançar seu registro em Cuba, atualmente o CimaVax EGF "progride" em outros países. Os médicos agora esperam poder utilizar a vacina para tratar outros tumores, como os de próstata, útero e mamas.

Agência Efe

EUA intimam Twitter a fornecer dados da WikiLeaks

Um tribunal federal dos Estados Unidos, a pedido do Departamento de Justiça do governo americano, intimou o Twitter a entregar detalhes das contas do WikiLeaks e de vários dos seus colaboradores, alegando que esses dados são necessários para uma investigação criminal relacionada com a divulgação de documentos confidenciais.

O pedido inclui a informação detalhada das contas do Twitter, como mensagens privadas, acessos de IP, e-mails, moradas, contas bancárias e cartões de crédito de Julian Assange e de Bradley Manning, da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, e dos activistas da WikiLeaks Jacob Appelbaum e Rop Gonggrijp.

A intimação foi emitida em 14 de Dezembro, dava um prazo de três dias ao Twitter para que fosse cumprida e impedia a empresa de revelar fosse o que fosse aos visados. O Twitter, porém, apelou, pedindo que os visados fossem notificados e tivessem um prazo de dez dias para se pronunciarem. O tribunal acedeu, e só assim a intimação foi tornada pública.

Facebook e Google também foram intimados?

Em comunicado, a WikiLeaks afirmou que a intimação é parte de uma investigação secreta de Washington por espionagem. "Se o governo iraniano tentasse mediante coerção obter informação sobre jornalistas e activistas estrangeiros, os grupos de direitos humanos ao redor do mundo pronunciar-se-iam a esse respeito", afirmou a nota.

Como a abrangência do caso parece grande e a WikiLeaks só foi informada pelo Twitter, a organização suspeita que outras redes sociais também estejam a ser sendo intimadas a revelar informações sigilosas dos seus clientes. Assim, a WikiLeaks pediu que Facebook e Google revelem "qualquer intimação que tenham recebido da Justiça americana”.

Reação da Islândia

O ministro do Interior da Islândia, Ögmundur Jonasson, considerou que o pedido de fornecimento dos dados privados da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir é "muito estranho e grave."

"Claro que é um assunto muito sério. Ela é deputada do Parlamento islandês e, além disso, também é membro da comissão de Relações Exteriores do Parlamento".

E prosseguiu: "As informações da Wikileaks apenas atingiram pessoas que trabalham nos bastidores. Acho que se conseguirmos fazer um governo transparente e dar a todos uma percepção do que está a acontecer em países envolvidos em guerra, só pode ser para o bem. "

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros islandês, Oessur Skarphedinsson, não é aceitável a atitude das autoridades dos EUA. "De acordo com os documentos que vi, um parlamentar da Islândia está a ser investigado num caso criminal nos Estados Unidos por nenhuma razão", disse Skarphedinsson à rádio pública.

"É intolerável que um representante eleito esteja a ser tratado assim", disse. O governo islandês pediu explicações ao embaixador dos EUA.

A deputada islandesa viaja na terça para o Canadá, para participar de um seminário, e disse que precisa de saber se é seguro viajar para o exterior. "Eu não sei se posso ir para os EUA, sem arriscar que o meu telefone ou o computador sejam confiscados."

Por Esquerda.net

Negociações entre UE e Mercosul devem avançar, afirma Soares Pacheco

“O Mercosul e a União Europeia (UE) negociam para avançar, até março, no fechamento de um acordo entre os dois blocos na área comercial. A próxima rodada de discussões ocorrerá em em Bruxelas, na Bélgica. O otimismo parte dos negociadores europeus, apesar das dificuldades em torno de um consenso sobre os subsídios e a redução de tarifas para alguns produtos. Por mais de dez anos, as negociações entre os dois blocos ficaram paradas.

– Vamos ter que liberalizar 90% do nosso comércio, para ser compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio. Portanto, fica o resto que temos que discutir como vamos fazer – afirmou o representante da UE no Brasil, o embaixador português João José Soares Pacheco.

Entre as maiores “sensibilidades” de cada bloco, Pacheco coloca, do lado europeu, a área agrícola, citando de forma diferenciada os setores de carnes e açúcar. No Mercosul, o setor industrial é a mais sensível a uma abertura ao livre comércio com a União Europeia.
Há mais de uma década, os dois blocos buscam um acordo bilateral para a área comercial. Em 2004, por total falta de consenso, as negociações foram interrompidas. Depois, os negociadores retomaram as conversas em 2008. Mas o impasse permanece. No ano passado, os europeus fizeram exigências adicionais ao Mercosul.

Uma das exigências dos europeus para o Mercosul era que para exportar para a UE fosse elevada a abertura na indústria para quase 100%. A recomendação sugeria ainda a inclusão do transporte marítimo no setor de serviços e garantias de proteção na área de propriedade intelectual.

Segundo os negociadores do Mercosul, a União Europeia tende a melhorar a oferta agrícola. A expectativa é que o número de cotas que limitam as vendas do Mercosul, sem tarifa no bloco, seja reduzido. No ano passado, as negociações retiraram essa condição para grãos, etanol e lácteos, mas mantiveram para carne bovina, de frango e alho.”

Redação, Correio do Brasil / ABr

domingo, 9 de janeiro de 2011

O afundamento de Chimérica

Agora com a crise global instalada, Chimérica está condenada à desintegração. A população dos Estados Unidos foi atingida e não poderá continuar a ser o consumidor insaciável de que a China precisa.

Nos últimos 20 anos a economia mundial foi dominada por uma relação simbiótica entre a China e os Estados Unidos. Este consórcio baseou-se em vínculos comerciais e financeiros sui generis, por trás dos quais se escondem profundas mudanças estruturais em ambas as economias. A associação foi batizada Chimérica, uma mistura não muito feliz de China e América (porque os norte-americanos insistem em se chamarem a si próprios como o continente).

O complexo Chiméricaassemelhava-se um casamento fracassado. O desenlace poderá, no entanto, ser um divórcio conflituoso em que “todo o bairro” vai ter de pagar os pratos quebrados.

Nesta aliança, algo involuntária, a China era a parte que poupava e produzia enquanto os Estados Unidos eram o consumidor, o gastador inveterado. A China manteve um superavitem conta-corrente durante 20 anos e chegou a acumular reservas internacionais de 2.3 biliões (milhões de milhões) de dólares. Uma boa parte destas reservas são títulos do tesouro norte-americano. Neste processo, os dólares obtidos pela China no mercado mundial eram reciclados e enviados para os Estados Unidos como empréstimo.

Depois dos atentados do 11 de Setembro e do estouro da bolha de 2001, a China mostrou-se preocupada com a queda de valor do dólar. Agora em plena desvalorização da divisa dos Estados Unidos e com as perdas significativas dos investimento chineses no sector imobiliário norte-americano, Pequim, não revela apenas inquietação, mostra também irritação.

A retórica de Geithner sobre a manipulação chinesa da paridade para obter vantagens comerciais não ajudou a acalmar os ânimos. Pequim contra-atacou acusando os Estados Unidos de serem uns “mão-rotas” irresponsáveis (algo parecido com o que faz a Alemanha quando acusa os seus parceiros comerciais da bacia do Mediterrâneo).

Nos Estados Unidos o estímulo fiscal, com a cláusula de compra nacional, veio acompanhado dos primeiros surtos protecionistas. Em meados de 2009, a China aprovou a sua versão da mesma cláusula enquanto os Estados Unidos criaram uma tarifa de 35% a aplicar às importações de rodas provenientes daquele país. Tudo parecia indicar que se ia desencadear uma guerra protecionista. No entanto, esse perigo foi refreado em Washington pelo lóbi que integra mais de 700 empresas norte-americanas que migraram para a China à procura de custos laborais mais baixos.

Do lado monetário, as autoridades do banco central chinês declararam que era necessário substituir o dólar por uma verdadeira moeda internacional. Pequim começou a modificar a composição das suas reservas, a acumular ouro e a tecer alianças com outros países exportadores para impulsionar reformas no sistema monetário internacional. Hoje, os seus acordos de swaps de divisas com muitos países permitem-lhe evitar usar o dólar dos Estado Unidos, nas suas transacções.

Chimérica nasceu com as contradições que enfrentou a economia norte-americana a partir dos anos 70. Um mau desempenho da taxa de rentabilidade conduziu à estagnação dos salários, à queda da taxa de poupança e a um forte endividamento das famílias para manterem o seu nível de consumo. A Reserva Federal manteve uma politica de baixas taxas de juro de longo prazo, facilitando o consumo à população. Mas nenhuma das agências reguladoras pôde avaliar os riscos das diversas bolhas nos preços dos ativos que a forte alavancagem do sector privado trazia associados.

O casamento de conveniência Washington-Pequim assentou na procura de locais de mão-de-obra barata por parte das empresas dos Estados Unidos, e no desejo de resolver um colossal desemprego, por parte da China. Para Pequim, a abertura ao investimento directo estrangeiro era a chave para obter em pouco tempo uma plataforma exportadora que lhe ia permitir elevar o nível de rendimento da sua população. Esta coincidência de necessidades recíprocas foi o que tornou possível urdir as relações económicas que acabaram por integrar a Chimérica.

Agora com a crise global instalada, Chimérica está condenada à desintegração. A população dos Estados Unidos foi atingida e não poderá continuar a ser o consumidor insaciável de que a China precisa. As políticas de austeridade que Washington vai aplicar, de agora em diante apenas aprofundarão a crise, impedindo qualquer tentativa de recuperação.

Por outro lado, Pequim deveria aceitar que a valorização da sua moeda é uma necessidade à escala mundial. Em vez disso, a China parece inclinar-se para a compra de ativos reais nos setores das minas e jazidas de petróleo em diferentes regiões do globo. As suas incursões na bacia do rio Congo revelam que a sua liderança quer assegurar-se de que o acesso aos recursos naturais não será um problema para as necessidades da economia chinesa. Mas nada disto permitirá resolver o problema estrutural de uma política mercantilista como a que a China tem estado a desenvolver.

A desintegração de Chimérica é inevitável. Mas não será um processo tranquilo. Talvez mesmo nem seja pacífico.

Publicado em 22 de Dezembro de 2010 no jornal mexicano La Jornada

Tradução de Natércia Coimbra para esquerda.net

Por Alejandro Nadal de esquerda.net

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