segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O preço de não escutar a natureza

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais. Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora. A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam. Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d'água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

Por Leonardo Boff do Adital

Mestres do ódio carregado e engatilhado

Há uma ligação direta entre os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças contra Julian Assange e o nono aniversário da infame prisão de Guantánamo. Por Pepe Escobar, Asia Times Online

Há uma aterrorizante conexão direta entre a retórica do ódio que arde como febre alta nos EUA, os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças de morte contra Julian Assange, fundador de WikiLeaks, e o nono aniversário da infame prisão em Guantánamo, Cuba. Essa conexão perturbadora deveria provocar calafrios na espinha, em quem tenha qualquer preocupação com direitos humanos, por remota que seja. Pois não provoca. Não, pelo menos, nos EUA.

Assange voltará ao tribunal em Londres dia 7 de Fevereiro para audiência de dois dias inteiros sobre a sua possível extradição para a Suécia, conectada ao ultra-nebuloso caso de camisinhas supostamente furadas e “sexo por surpresa”, co-estrelado por duas fans de Assange numa Estocolmo candente, em Agosto passado.

Os advogados de Assange entenderam rapidamente o xis da questão: se ele for extraditado para a Suécia, o governo dos EUA moverá céus e terra até conseguir extraditá-lo para os EUA. Nos EUA, Assange pode ser condenado à morte, ou à pena irmã-gémea dessa, nos termos da “guerra ao terror” – ser mandado para o limbo legal de Guantánamo. Para os EUA, o fato de que os tratados de direitos humanos proíbam extradição nessas condições é coisa de somenos.

Almas simplórias, bem-intencionadas, talvez lembrem que o presidente Barack Obama dos EUA prometeu fechar Guantánamo. Nunca fechará. O Congresso dos EUA matará qualquer possibilidade de transferir “combatentes inimigos” para a pátria-mãe, para que tenham julgamento adequado. A Casa Branca está pronta para condenar pelo menos 40 daqueles prisioneiros a permanecer para sempre em Guantánamo – sem acusação formalizada, sem julgamento, só um buraco negro. E Bagram, no Afeganistão, segue o mesmo caminho. Esqueçam a Constituição dos EUA e a lei internacional.

Os direitos humanos tiveram de aparecer como parte crucial da estratégia de defesa de Assange, em sete partes – porque uma possível extradição viola o Artigo 3 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos. Assim, os advogados de Assange, no sumário inicial de 35 páginas da sua estratégia, foram obrigados a chamar a atenção para a possibilidade real de Assange ser vítima de prisão ilegal, e para “o risco real de ser condenado a pena de morte. Sabe-se que figuras destacadas da cena pública nos EUA já declararam implicitamente, quando não explicitamente, que o Sr. Assange deve ser executado.”

Para que a ideia apareça com clareza para a opinião pública global, a própria WikiLeaks distribuiu um press release, no qual destaca o paralelo inevitável entre a retórica de “peguem Assange” (a ex-governadora do Alaska Sarah Palin diria “recarregue e atire”) e a narrativa dos mestres do ódio da direita, que culminou, até agora, nos tiros contra Giffords. Palin é citada, porque conclamou o governo Obama a “caçar esse chefe da WikiLeaks como os Taliban”.

A estrada à frente só aponta para a radicalização – enquanto o ódio supura, numa configuração que o próprio Assange resumiu como “Orwelliana”. Assim como os ataques contra a WikiLeaks são hoje mais fortes que nunca, assim também cresce o apoio global. E há muito mais a caminho. Até agora, só foram publicados 2.017 telegramas diplomáticos (nesse passo, o arquivo ainda não estará integralmente publicado no final da década). O próximo mega-alvo é o Banco da América. E há ainda preciosidades sobre a China, os EUA e, sim, Guantánamo.

Embora a parceria entre a WikiLeaks e algumas publicações da imprensa global pareça ter chegado a um ponto de equilíbrio em termos jornalísticos, estamos a um passo de guerra declarada entre os que defendem os média como – a palavra já diz tudo – instituição de mediação, e os que apoiam o ethos da WikiLeaks, de descarregar blocos de realidade, com mínima intervenção. Embora nada vença a informação bruta, é essencial alguma contextualização e alguma edição. E o leitor que compare e decida se prefere a versão crua ou as versões filtradas.

O que mais preocupa é o fato de que o ponto crucial do argumento da WikiLeaks – se há políticos e figuras de destaque dos média a promover o homicídio e a incitar ao crime, ele deveriam ser acusados e processados nos termos da lei – não está a ter qualquer ressonância nem nos EUA nem no resto do mundo. Inevitavelmente, como argumenta a WikiLeaks, se a organização continuar a ser estigmatizada como uma espécie de nova al-Qaeda, certamente acontecerão outras tragédias semelhantes à de Tucson, Arizona.

Não há evidência alguma de que os mestres do ódio nos EUA, que infestam o pântano do show mediático e político corram qualquer risco de serem punidos. Não há evidência alguma de que os líderes do Partido Republicano tomarão atitude pública contra a retórica “peguem, matem e arrebentem”. O massacre no Arizona, que matou seis pessoas e feriu 14, já está a ser desqualificado em bloco, pelos círculos da direita, como mais um ato isolado, de mais um dos doidos solitários de sempre.

Portanto, não há sinal algum de que o crescimento acelerado, gráfico, endémico, do fascismo na sociedade dos EUA esteja em vias de começar a ser enfrentado seriamente. Abandonai toda a esperança, vós que ansiais por debate adulto, sereno, racional na política dos EUA. Negócio lastimável, que o pensador político e historiador francês, Alexis de Tocqueville, previu há mais de um século e meio, em A Democracia na América.

Hoje é Giffords. Amanhã pode ser Assange. Mas o verdadeiro alvo somos todos nós.

Traduzido pelo Colectivo da Vila Vudu

Por esquerda.net

domingo, 16 de janeiro de 2011

Facebook vale mesmo US$ 50 bilhões?

Em 2009, a revista Rolling Stone descreveu o banco de investimentos Goldman Sachs como "uma enorme hidra vampiresca" que gosta de grudar seu "funil de sangue" em qualquer coisa que represente dinheiro. A hidra sugou mais um negócio dos grandes. Associado ao grupo russo Digital Sky Technologies (DST), o Goldman Sachs investiu a cifra de 500 milhões de dólares no Facebook, valorizando a mais popular rede social para um incrível patamar de 50 bilhões de dólares. O banco também tem planos de gerenciar um fundo que canalizará para a empresa 1,5 bilhão de dólares de ricos investidores.

Para o Facebook, o negócio proporciona uma montanha de dinheiro a mais para investir em coisas como novos centros de informações e aquisições. Traz combustível para aumentar o crescimento sem o inconveniente de ter que listar suas ações em bolsas de valores. Para o Goldman Sachs, a transação representa uma oportunidade de grudar seu "funil" numa empresa de internet que faz seus investidores babarem. Além do benefício que usufruirá com a valorização do Facebook, o banco pretende sugar contribuições para o gerenciamento do novo fundo. E, sem dúvida, ao se aproximar dos manda-chuvas do Facebook, está acelerando as possibilidades de liderar uma possível oferta pública inicial [IPO, na sigla em inglês] pelas ações da empresa.

As notícias do negócio desfecharam um debate enérgico. O valor implícito do Facebook quintuplicou desde meados de 2009, mas os céticos duvidam que uma firma cujo modelo de negócios não foi comprovado possa valer mais que gigantes da mídia já estabelecidos, como a Time Warner.

Um salto de tirar o fôlego

Uma vez que o Facebook não é obrigado a divulgar informações financeiras, é difícil saber ao certo se o Goldman Sachs e a DST – que já possuíam uma parte considerável das ações do Facebook – estão fazendo um pagamento supervalorizado. Mas os otimistas do Facebook argumentam que a escala da rede será irresistível para os anunciantes. Debra Aho Williamson, da empresa de pesquisas eMarketer, destaca que o Facebook até começou a atrair anunciantes deliberadamente conservadores – e abastados –, como a Procter & Gamble.

A empresa também começa a parecer cada vez mais um monopólio natural. A rede MySpace (Meu Espaço), que já dominou a arena das redes sociais, vem se parecendo My Empty Space (Meu Espaço Vazio). Consta que estaria em vias de fazer novos cortes na força de trabalho. E as start-ups da rede – como o Twitter, que também viu seu valor disparar (para 3,7 bilhões de dólares) – têm receitas que não passam de uma fração daquela do Facebook que, segundo dizem, chegou a 2 bilhões de dólares no ano passado.

Entretanto, os 50 bilhões de dólares do Facebook parecem um exagero. Se suas vendas realmente forem de 2 bilhões de dólares por ano, isso significa que o Goldman Sachs e a DST estariam pagando o valor de 25 receitas anuais por suas ações. Isso seria um salto mortal de tirar o fôlego, mesmo pelos padrões estonteantes do mundo das start-ups.

As regras da SEC

Além do mais, o Facebook está longe de ter um modelo sólido de publicidade, como, por exemplo, o Google, cujos anúncios relacionados com busca são oferecidos aos usuários quando estes estão a ponto de fazer uma compra. Grande parte da receita do Facebook vem da exibição de anúncios de pé de página. E, embora venha a se beneficiar do crescente interesse de publicitários em promoções boca-a-boca, a empresa terá de batalhar por esses dólares com a mídia tradicional, cujo conteúdo também a torna atraente à publicidade das redes sociais.

Apesar disto, os investidores ainda estão se digladiando para ter acesso às ações do Facebook – e o Goldman Sachs está disposto a ajudá-los, desde que concordem em aceitar algumas regras. Consta que os clientes que pensam em se associar ao fundo do Facebook estão sendo sondados para fazer um depósito de, pelo menos, 2 milhões de dólares cada um e, além disso, não negociar quaisquer ações que venham a receber pelo menos até 2013.

Um problema distinto para o Facebook e o Goldman Sachs é que o fundo planejado pelo banco poderia ter problemas com a Comissão de Segurança e Câmbio [Securities and Exchange Commission – SEC, o equivalente americano à brasileira Comissão de Valores Mobiliários]. No dia 3 de janeiro, uma corretora que trabalha com ações de empresas privadas, a SecondMarket, disse que recebera um questionário da SEC sobre fundos de investimentos em pool, criados para comprar ações de companhias privadas – exatamente o tipo de veículo que o Goldman Sachs planeja para possíveis investidores do Facebook.

Nos meses recentes, várias outras instituições financeiras criaram veículos de objetivos específicos semelhantes que fazem investimentos nas ações das empresas, o que chamou a atenção da SEC. Isso suscitou previsões de que medidas regulatórias poderão vir a tratar tais entidades não como um acionista individual, mas como um grupo de investidores individuais. Isso poderia ter implicações importantes para as companhias em que eles investem. Uma das regras da SEC exige que empresas privadas com 500 ou mais acionistas registrados em determinado tipo de ação publiquem, a cada quatro meses, relatórios financeiros feitos por auditoria. Diante de tais obrigações, a maioria das empresas procura abrir o capital na bolsa de valores. Essa regra foi um dos motivos que levou o Google, em última instância, a tornar-se público em 2004.

Uma delicada questão de equilíbrio

Tornar-se público, agora, seria um pesadelo para o Facebook e Mark Zuckerberg, seu fundador e principal executivo, de quem consta que disse que gostaria de adiar uma oferta pública inicial (IPO) pelo maior prazo possível. Também consta que a empresa teria menos de 500 acionistas no final do ano passado, incluindo empregados e capitalistas que investiram em pool. Portanto, não há dúvida de que a esperança é evitar ter seus braços torcidos.

Aparentemente, o Facebook e o Goldman Sachs têm a lei de seu lado. Joseph Grundfest, professor na Faculdade de Direito de Stanford e ex-integrante da SEC, assinala que a regra em questão determina, de maneira clara, que um fundo como aquele planejado pelo Goldman Sachs deveria ser tratado como um acionista individual. "Se alguém disser que o Goldman Sachs está violando a lei, obviamente desconhece a lei", diz ele. Se medidas regulatórias interpretassem a regra de outra forma, as consequências iriam longe e atingiriam, por exemplo, as indústrias de capital aberto em pool, nas quais fundos com múltiplos investidores frequentemente investem em empresas privadas.

No entanto, alguns observadores dizem que a SEC poderá ser tentada a concluir que o novo gênero de veículos específicos que vem sendo criado por investidores como o Goldman Sachs foram especificamente planejados para funcionar na regra dos 500 acionistas. Potencialmente, poderão abarcar uma quantidade mais ampla de investidores do que um fundo de investimentos em pool típico e poderão atrair uma verificação mais precisa.

As medidas regulatórias devem proteger os investidores e avaliar as preocupações das empresas que preferem se manter privadas. Trata-se de uma delicada questão de equilíbrio. Mas qualquer pessoa que invista num mercado tão efervescente sabe, com certeza, que também corre riscos. No meio tempo, o Goldman Sachs e outros bancos que esperem tornar esses veículos um grande negócio deveriam pensar em fazer amizade com bons advogados.

Observatório da Imprensa

Quem tem medo de cotas na TV?

Aprovado na Câmara dos Deputados após três anos de intensa discussão, o projeto de lei nº 29 seguiu em 2010 para tramitação no Senado, batizado agora de PLC 116. Afinal, do que trata o PLC 116? Entre outras medidas importantes, permite a entrada das empresas de telefonia no mercado de TV por assinatura. Beirando hoje 10 milhões de assinantes, prevê-se a triplicação desse mercado.

A concorrência obrigará uma melhoria dos serviços e seu consequente barateamento. Quem ganha com isso é o consumidor, "surrado" por serviços nem sempre eficientes, com canais internacionais muitas vezes mal adaptados ao mercado brasileiro, como se fôssemos o mesmo público da Argentina ou do Paraguai, constantemente obrigado a assistir ao lixo internacional.

O Brasil mudou, cresceu, se modernizou. A TV em geral e a TV por assinatura em particular devem acompanhar essa transformação.

Isso passa pelo conteúdo brasileiro, assim como foi anos atrás com a indústria fonográfica.

Agentes do mercado

Não temos que provar mais nada a ninguém: nossos filmes são assistidos por multidões. Nossas produções independentes para TV – séries, animações, documentários, programas regulares e especiais – registram alto índice de audiência.

Não faz sentido supor que o assinante brasileiro não queira se ver em sua própria tela. Esse sentimento de vergonha e de baixa estima, felizmente, parece ter ficado para trás. Temos boas histórias, bons profissionais, bons artistas. Afinal, somos brasileiros e desejamos nos ver também na TV por assinatura.

Com cota ou sem cota. Quem tem medo de uma cota simbólica de mínimas três horas e meia por semana? Na verdade, para a produção independente a cota é de apenas a metade: uma hora e 45 minutos por semana. A outra metade, segundo o projeto de lei, é de conteúdo oferecido pelos canais.

Assistimos na TV por assinatura a mais produções independentes estrangeiras do que à nossa própria produção independente.

Queremos ter espaço para os nossos conteúdos. Essa discussão toda já aconteceu ao longo desses anos em que o projeto de lei tramitou na Câmara dos Deputados, com todos os agentes desse mercado: canais abertos, canais brasileiros e internacionais por assinatura, produtores independentes, operadores, teles, governo, agências reguladoras e entidades representativas do setor, o que resultou na sua aprovação pela Câmara.

Dois anos

Gostaria de conclamar todos aqueles que ainda tenham resistências ao PLC 116 – que será tratado na nova legislatura do Senado no início deste ano-a se apresentar ao debate às claras, de forma transparente, sem medo da defesa legítima de seus interesses, para que, uma vez aprovada a lei no Senado, possa seguir para regulamentação e atender a todos os envolvidos.

Lembrando que o projeto prevê um período de dois anos para que o mercado se adapte. Essa é uma construção coletiva e não deveria ser uma batalha de bastidores.

Observatório da Imprensa

sábado, 15 de janeiro de 2011

“Uma verdadeira máquina de fazer milhões”

Sergei Aleynikov foi declarado culpado por roubar um algoritmo. Pode ficar dez anos na prisão. Um algoritmo é, segundo o Dicionário da Real Academia [Espanhola], “um conjunto ordenado e finito de operações que permite solucionar um problema”. E também “um método e notação das diferentes formas de cálculo”. Ninguém conhece os detalhes do algoritmo que Aleynikov roubou. Mas uma coisa é clara: é uma ferramenta matemática que permite ao seu prorietário, o banco de investimento Goldman Sachs, ganhar milhões por ano.

Aleynikov não era um 'trader' da Goldman Sachs, mas sim um programador de computadores do banco cujo salário era de 400 mil dólares brutos anuais (300 mil euros). Em 2009, este cidadão norte-americano emigrado da Rússia em 1991, recebeu uma oferta de 1,15 milhões de dólares brutos (875 mil euros) para trabalhar na Teza Technologies, em Chicago. Aleynikov aceitou e decidiu levar o algoritmo com ele, transferindo-o para um servidor na Alemanha. A Goldman Sachs descobriu e ele acabou na prisão.

Teza Technologies queria o algoritmo do Goldman porque é um empresa que faz 'comércio de alta frequência' ou, como se diz nos EUA, 'HTF' ('High Frequency Trading'). É um tipo de operação em que os mercados financeiros baseiam-se no uso de computadores e programas informáticos através dos quais compram e vendem todo o tipo de ativos financeiros em, literalmente, milissegundos. É um sistema praticamente desconhecido pelo grande público, mas converteu-se no rei dos mercados.

Assim, enquanto a opinião pública continua a pensar nas velhas mesas de negociação repletas de jovens com camisa e gravata a olhar através de um ecrã ao mesmo tempo que gritam “compra” ou “vende”, a grande maioria das transacções financeiras do mundo são feitas por computadores programados e armazenados em edifícios como o novo centro de dados no valor de 76 milhões de euros que a Atlantic Metro Communications está a construir perto de Wall Street, para acomodar essencialmente computadores, técnicos e programadores.

Cada uma dessas máquinas rastreia permanentemente o mercado, analisando as diferentes plataformas de negociação – sejam estas bolsas, mercados de renda fixa ou matérias primas, praticamente à velocidade da luz. O seu objectivo é encontrar tendências na evolução dos preços dos ativos ou anormalidades no mercado.

Operando a 0,0025 segundos

Por exemplo, uma ação de uma empresa pode cotar-se, durante uns meros segundos, nuns cêntimos a mais em Frankfurt do que em Londres. Nesse caso, o computador compra essas acções em Londres e vende-as em Frankfurt. Ou pode lançar constantemente acções de compra e venda, procurando diferenças infinitesimais de preços de forma a obter benefícios. No fundo, é o clássico 'comprar barato e vender caro', mas com margens decimais e em tempos que não superam os 0,0025 segundos.

As margens são minúsculas. Mas o volume das operações, imenso, demonstra que o valor do arrendamento do edifício da Western Union, o número 60 da Rua Hudson – o centro de comunicações mais próximo de Wall Street – disparou.

Contudo, com o HTF também cresceu a incerteza. Não se pode esquecer que o mercado está assim nas mãos de máquinas. De acordo com a revista Institutional Investor, nada mais e nada menos que entre 50 e 70% de todas as transacções de todas as bolsas dos EUA realizam-se por meio do 'trading de alta frequência', apesar desta técnica só ter começado a popularizar-se a partir de 2004.

No mercado de divisas a sua presença é ainda mais recente: chegou em 2007, e já se supõe que representa 25% do mercado 'spot' (a contado), de acordo com este estudo do Banco de Pagamentos Internacionais da Basileia (BIS, siglas em inglês). Isso significa que 283 mil milhões de euros em moedas mudam de mãos em cada dia por meio deste sistema.

Os peritos afirmam que os números são mais baixos. “O HTF necessita de pouco capital. Se, por exemplo, dizem que um banco investe um milhão de dólares em 'tranding de alta frequência', na verdade pode ser que um computador tenha comprado e vendido 20 vezes acções por 50 mil dólares”, explicou ao elmundo.es Irene Aldridge, autora do livro “High Frequency Trade” e sócia do Able-Alpha Trading, uma consultora especializada nestas operações.

Isto explica os aparentes paradoxos como o seguinte: em 2009, de acordo com a consultora britânica TABB, o 'trading de alta frequência' compreende 60% das transacções de títulos nos EUA e 40% no Reino Unido, mas só alcançaram um volume de negócios de 16 mil milhões de euros. A maior parte das operações deste tipo são de carteira própria, ou seja, realizadas com fundos próprios – não dos clientes – pelos bancos e fundos.

As Vantagens

As vantagens deste trading são evidentes. Através da 'análise fundamental' que se baseia na verificação do estado financeiro de um empresa, “pode conseguir-se uma rentabilidade de 5%, mas se se atrasa duas semanas”, explica Aldridge, deve analisar-se a informação e dar as ordens de compra. Com o HFT a margem é de 0,1%, mas repete-se várias vezes ao longo do dia. Além de que, neste segmento de mercado, os custos caem constantemente. Um computador que valia 2 milhões de euros em 1984, custa hoje mil, ainda que este valor não inclua a sua programação, algo que é muito mais caro.

O HFT está a transformar as operações nos mercados financeiros de baixo para cima. As suas consequências são quatro:
*A transformação dos brokers num espécie em perigo de extinção. “Os Bancos estão a susbtituir todos esses intermediários que lhes custam milhões de dólares por ano por computadores”, explica Aldridge. Um computador como aqueles utilizados no HFT não custa mais que mil euros. Por sua vez, programá-lo por menos de 225 mil euros não é possível, se bem que normalmente o custo real é muito mais elevado. Em todo o caso, são inferiores aos de um 'broker' que facilmente cobra dois ou três milhões de euros por ano;

*A destruição da análise técnica, isto é, do exame dos 'charts' e dos gráficos das bolsas. Na verdade, o HTF apenas acelerou uma tendência iniciada com a chegada dos 'quants', quer dizer, dos peritos – físicos, astrónomos ou matemáticos – capazes de desenvolver modelos de análise de valores cada vez mais sofisticados. O 'trading de alta frequência' não pode sobreviver sem este tipo de sistemas pelo que a sua procura é cada vez maior. Assim, o hedge fund Renaissance Technologies, provavelmente o mais rentável do mundo, tem 300 trabalhadores e nenhum deles é economista. O seu fundador, Jim Simons, era um dos matemáticos mais perigosos dos EUA, com uma ampla carreira no mundo académico e no mundo da Defesa até que aos 40 anos decidiu que já estava farto de investigar e ia aplicar os seus conhecimentos matemáticos a procurar tendências no mercado e diferenças imperceptíveis em preços. Resultado: uma fortuna de 6.500 milhões de euros, segundo a 'Forbes';

* A criação de uma nova geração de instituições financeiras, desconhecidas pelo grande público, mas que estão entre as mais rentáveis do mundo e que, além disso, frequentemente não têm a susa sede principal em Nova Iorque ou em Londres. Renaissance – que se encontra perto de Hamptons, uma zona turística a 200km de Nova Iorque – é apenas uma delas. Outras relevantes são a Getco – em Chicago – e a Tradebot – na Cidade do Kansas - , são as 'número um' e 'número dois' do setor, respectivamente, com um volume de transacções diário superior, em cada uma delas, a mil milhões de acções. No total, entre 200 a 400 bancos, brokers e fundos realizam 'trading de alta frequência' regularmente nos EUA, ainda que os ativos com que operam são dos mais comuns: Citigroup, Bank of America, General Electric e Intel foram os cinco valores mais negociados por estes traders entre Abril de 2008 e Abril de 2010, segundo a consultora Woodbine Associates;

*A explosão do mercado. Até há três ou quatro anos, a maior parte das operações de câmbio de divisas, por exemplo, faziam-se por telefone. Agora, a cada dia se utiliza mais os computadores e o HTF. A consequência, segundo o BIS, é que o volume do mercado de dividas cresceu cerca de 20% em três anos, chegando a rondar os 4 biliões de dólares diários (3 biliões de euros) “apesar da crise financeira de 2007 a 2009 e das recentes turbulências no mercado de títulos de dívida soberana na Europa”.

Agora veja-se, o 'trading de alta frequência' também é controverso. Como declarou o senador do Delaware, Ted Hauffman, “temos todos esses gorilas e para quê? Metemo-los em zoos com gente que não tem nem a autoridade nem a informação para lidar com eles”.

E o 'high frequency trading' tem muitos inimigos. Por vários motivos. O mais óbvio, como assinala Hauffman, é não estar regulado. Para complicar as coisas, bastantes vezes estas operações são realizadas no chamados 'dark pools', isto é, em mercados nos quais o comprador e o vendedor não se identificam, assim, a opacidade da operação é total. Em terceiro lugar, os 'traders de alta frequência' conseguem operar com muito pouca liquidez, “podendo cair como dominós se um acontecimento inesperado os obriga a manter posições que registam menos-valias por pouco mais do que uns segundos”, explicaram Nicholas Paisner e Edward Hdas no boletim 'online' Breakingviews.

Também o facto de que os algoritmos não têm em conta a qualidade da gestão de uma empresa ou da situação política de um país que acaba de realizar uma emissão de títulos: a eles só lhes interessa o preço e o comportamento do mercado. Para os computadores, os títulos de Portugal, Espanha, Grécia, França ou da Bélgica não são dívidas de país com governos, sindicatos e situações políticas diversas, são apenas ativos financeiros que se compram e vendem. Neste contexto, os computadores reforçam de forma dramática as tendências do mercado.

Pode-se então produzir aberrações como aquelas sucedidas durante o 'flash crash', ou seja, o famoso derrube de Wall Street no dia 6 de Maio quando o parque nova-iorquino perdeu 998 pontos em cinco minutos e recuperou-os em outros quinze. Naquela altura, o operador de alta frequência, Tradervox, chegou a vender, num claro exemplo de como os computadores podem reagir numa situação de caos, acções do gigante da consultoria Accenture, por um centavo de dólar, apesar da empresa estar a ver 40 dólares antes de que o mercado se tornou literalmente louco.

Mas esta é só a parte negativa do HTF. Os defensores deste sistema usam quase os mesmo argumentos para realçar as suas vantagens. Afirmam, em primeiro lugar, que os algoritmos “não vêem televisão nem ouvem rádio, portanto, não são susceptíveis a pânicos nem a euforias colectivas”, como assinala Aldridge. Por outras palavras, estabilizam o mercado. Ao mesmo tempo, a sua ação incrementa, pelo menos em teoria, a liquidez do mercado.

O certo é que, enquanto o debate se arrasta, o 'high frequency trading' continua a crescer. Os esforços dos Democratas no Senado dos EUA para regular-lo estão virtualmente paralisados depois das eleições do passado 2 de Novembro em que os Republicanos, que se opõem a qualquer controlo, conseguiram uma minoria de bloqueio suficientemente grande para imperdir qualquer reforma. E, ao fim e ao cabo, deve ter-se em conta que, por muito que se culpem os computadores, os programadores são sempre seres humanos. De facto, o 'flash crash' do dia 6 de Maio não começou com nenhum computador, mas sim com um operador que deu uma ordem de vem da Accenture tão monstruosamente alta que sozinho fez cair o mercado.

O qual poder ser bom ou mau. Como afirma nas suas memórias 'My life as a quant?', Emanuel Derman, um físico sul-africano que foi um dos pioneiros nos métodos quantitativos em Wall Street e que hoje ensina na Universidade de Columbia, “a capacidade de provocar uma tremendas destruição com os teus modelos é fonte de uma enorme responsabilidade”. No entanto, até agora quem foi mais destruído pelos algoritmos do 'trading de alta frequência' foi Sergei Aleynikov.

Esquerda.net

Na mira do sonho americano

O portal de internet do comitê político de Sarah Palin incluía Gabrielle Giffords, a parlamentar do Arizona, na lista dos 20 membros do Congresso que tinham aprovado a legislação de Obama sobre a saúde. Não era uma lista qualquer. Os nomes apareciam abaixo de um mapa, a cujos estados esses parlamentares pertencem, marcados com a típica cruz de mira telescópica de um rifle. Na parte superior do mapa havia outra legenda belicosa, em que se faz alusão à necessidade de resistir.

A que se deve resistir, senhora Palin? Resposta: a nada menos que a marcha secular em direção ao socialismo que a administração Obama quer impor aos Estados Unidos. Assim mesmo: há uma marcha secular em direção ao socialismo e Obama é o artífice dessa transformação. Essa retórica foi referência repetida de Palin e de outros safados da extrema direita nos Estados Unidos.

Desde que apareceu o mencionado mapa no portal da senhora Palin www.palinpac.com muitas pessoas notaram essa incitação à violência. Mas nem Palin, nem os seus seguidores fizeram algo para mudá-la ou para modificar o tom da retórica utilizada para designar os seus opositores políticos. A senhora Palin introduziu seu mapa dos 20 parlamentares democratas malvados no twitter, com a frase: “Não retrocedam! Ao contrário, recarreguem!”.

Hoje a representante Giffords luta para sobreviver num hospital de Tucson, depois que um fanático disparou contra ela, na cabeça, em 8 de janeiro, no momento em que a parlamentar levava a cabo uma reunião destinada a entrar em contato direto com seus eleitores. O assassino matou 6 pessoas (inclusive uma criança de 9 anos) e feriu outras 14. Pode ser que o homicida Jared Loughner seja uma pessoa perturbada mentalmente, mas isso não elimina a conexão com o discurso da incitação à violência utilizado por Palin e muitos políticos que mantém posições conservadoras nos Estados Unidos.

O opositor de Gifford no mesmo distrito eleitoral em 2010 é Jesse Kelly, membro da extrema direita do Partido Republicano. É provável que este personagem seja quem mais longe foi na incitação à violência. Sua marca de campanha no ano passado incluía a convocatória a um ato com estas palavras: “Dê a vitória em novembro ao branco. Ajude a retirar Gabrielle Giffords de seu posto. Dispare um M16 automático com Jesse Kelly”. O quadro mostrava o político, um ex-marine, com seu uniforme de campanha, empunhando seu querido fuzil.

A militarização da retórica eleitoral nos Estados Unidos não é casualidade. Em meio a sua pior crise econômica em sete décadas, o país cada vez afunda mais numa trajetória de decadência. Seu setor financeiro, outrora orgulho de seu desempenho econômico, foi o epicentro dessa crise. Hoje a triste recuperação promete altos níveis de desempenho para muitos anos. A desigualdade econômica se parece cada vez mais com a de um país subdesenvolvido, dominado por uma oligarquia feroz. A extraordinária concentração de riqueza vai de par com a deterioração do sistema educativo em todo o país. Por último, os desequilíbrios macroeconômicos que marcam a economia estadunidense não são só um problema doméstico, mas, dado o papel chave do dólar no sistema internacional de pagamentos, pioram a dor de cabeça da economia mundial.

O senhor Loughner provavelmente não tem ideia desses problemas. Em seu delírio, pensa que só atua defendendo o Sonho Americano que a senhora Palin reclama para si com tanta insistência. Equivoca-se. O paradoxo é que a deputada Giffords não era a única na mira da nova extrema direita estadunidense. O principal alvo desse movimento é precisamente toda a geração de Loughner, uma geração golpeada e condenada a viver sem educação, sem a promessa de um emprego bem remunerado e estável, sem serviços de saúde adequados. Uma geração perdida que nunca poderá aspirar a um melhor nível de vida. Seu sacrifício é para que uma pequena minoria de privilegiados possam viver o sonho americano, sem sonhar com mais nada.

Samuel Johnson, autor inglês da segunda metade do século XVIII disse que o patriotismo era o último refúgio do canalha. Sua sentença se aplica bem ao caso da extrema direita estadunidense. Ninguém duvida da safadeza de personagens como Palin e alguns pseudo-jornalistas, mas agora se tem a conexão direta com o super patriotismo homicida.

Só que não há que se esquecer que no Arizona já existia um ambiente político protofascista que literalmente tem os imigrantes latinos na mira. A direita e seus aliados nos meios de comunicação foram o motor do clima de ódio que impera não só no Arizona, mas em muitos outros estados. Afinal de contas, como disse Soljenitsin, todo aquele que proclama como método a violência inexoravelmente deverá eleger a mentira como princípio.


Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada.
Tradução para a Agência Carta Maior: Katarina Peixoto

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Emergentes serão responsáveis por 46% do crescimento global este ano

Os países emergentes, entre eles Brasil, China e Índia, serão responsáveis por quase metade do crescimento econômico mundial em 2011, segundo estimativa do Banco Mundial (Bird) divulgada ontem. A previsão é de que essas nações representem 46% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o mundo neste ano.

A estimativa do banco é de uma redução no ritmo do crescimento da economia mundial durante este ano, depois de uma expansão de 3,9% em 2010. O Bird prevê um crescimento de 3,3% em 2011, e de 3,6% em 2012. Para o Brasil, o relatório prevê um crescimento do PIB real de 4,5% durante este ano e de 4,1% em 2012.

A média de expansão econômica entre os países ricos deve ficar em 2,4% em 2011. Entre os países em desenvolvimento, a média prevista é de 6% . "É um sinal encorajador, não apenas da saúde financeira dessas economias, mas também do crescente papel que elas vêm desempenhando na economia global", diz Andrew Burns, gerente de Macroeconomia Global do Grupo de Perspectivas de Economias de Desenvolvimento do Banco Mundial.

Burns alerta que o cenário positivo pode mudar caso haja um agravamento na situação fiscal de alguns países europeus. "Essa possibilidade não apenas reduziria o potencial de crescimento da economia europeia, como também poderia resultar em consequências negativas para os emergentes", diz.

O estudo afirma que de uma maneira geral a economia do mundo vem passando "de uma fase de recuperação pós-crise para um crescimento mais lento, porém ainda sólido neste ano e no próximo".

O documento aponta para uma melhora no cenário econômico na América Latina e Caribe. Segundo ele, a região conseguiu sair da crise global de maneira positiva, em comparação tanto com o desempenho do ano anterior como com a recuperação de outras partes do mundo. Para 2010, o Bird prevê que o PIB regional tenha crescido para 5,7%, "semelhante à média registrada no surto de crescimento verificado no período 2004-2009". Segundo o relatório, a leve redução do ritmo de crescimento regional prevista para 2011, se deve a fragilidades na conjuntura econômica em outras partes do mundo.

O Banco Mundial também chama atenção para países da região que estão vulneráveis a fluxos de capital que podem desestabilizar a economia. A atividade econômica da região começou a se recuperar na segunda metade de 2009, com a produção industrial crescendo 10% durante o quarto trimestre.

DCI / PanoramaBrasil

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Cheap Web Hosting Aranhico Diretório Seo Tec Sites do Brasil Directory Link - Quality Directory Submission Services.