sábado, 22 de janeiro de 2011

EUA: Caldo de cultura facista


Caldo de cultura é quando fico atado a um videogame treinando matar figuras virtuais. Segundo a Newsweek, o videogame mais vendido nos EUA em 2010 foi o Grand Thief Auto 3 (O grande roubo de carros 3). O jogador progride quanto mais crimes comete. Se o jogador rouba um carro e mata um pedestre, a polícia passa a persegui-lo. Se atira no policial, o FBI aparece. Se assassina o agente federal, os militares entram no caso...

Caldo de cultura é quando meu irmão luta no Afeganistão, assim como meu pai fez no Iraque e meu avô no Vietnã.

Caldo de cultura é, aos 23 anos, entrar numa loja e comprar, sem a menor burocracia, uma pistola Glock 9mm e um pente extra que me permite disparar 33 tiros seguidos sem precisar descarregar – como fez Jared Lee Loughner, em Tucson (Arizona), no sábado, 8/1, matando 6 pessoas, entre as quais o juiz federal John M. Roll, e ferindo gravemente várias, inclusive a deputada democrata Gabrielle Giffords.

Os EUA estão num impasse. A eleição de um presidente negro com discurso progressista não foi digerida por amplos setores racistas e conservadores. O que deu origem ao mais recente caldo de cultura fascista –o Tea Party, liderado por Sarah Palin, ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidenta pelo Partido Republicano em 2008.

(Na foto, a virtual candidata conservadora para a sucessão de Obama em pose nada convencional)

O movimento Tea Party situa-se à direita do Partido Republicano. Para seus adeptos, as liberdades individuais estão acima dos direitos coletivos. Embora muitos sejam contra a guerra, eles coincidem com os ultramontanos ao reprovar a união de homossexuais e a legalização de imigrantes, e defender a abstinência sexual como o melhor preservativo ao risco de aids.

Obama é uma decepção para muitos de seus eleitores. Nas eleições legislativas de novembro foi alta a abstenção entre jovens, negros e latinos que nele votaram. Não parece saber lidar com a crise econômica que afeta o país desde 2008. Muitos perderam suas casas devido ao estouro da bolha especulativa; 8,5 milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e 8 milhões carecem de seguro-desemprego. O próprio governo admite que em 2012 a taxa de desemprego ultrapassará 8%.

Malgrado o Nobel da Paz, Obama não pôs fim às guerras no Iraque e no Afeganistão; não reduziu a ameaça terrorista; não avançou no quesito ambiental; não melhorou as relações com Cuba; não reformou o projeto de lei de imigração; e não tem segurança de que sua reforma da saúde será aceita pelo atual Congresso.

Hoje, os EUA estão mais à direita do que na eleição de Obama. No pleito de novembro, o Partido Republicano avançou 63 cadeiras. Agora, são 242 deputados republicanos e 193 democratas.

Obama sente-se encurralado. Não ousa como Roosevelt nem inova como Kennedy. Já agradou os republicanos ao contrariar sua promessa de campanha e anunciar, a 6 de dezembro, a prorrogação dos privilégios tributários aos mais ricos, herança da era Bush. Deu um Papai-Noel de US$ 4 trilhões à elite usamericana. E reduziu de 6,2% para 4,2% o imposto recolhido da folha de pagamento e destinado a financiar a Seguridade Social, agora com menos US$ 120 bilhões!

E o Senado, onde os democratas mantêm maioria, desaprovou, a 18 de dezembro, a legalização de 11 milhões de indocumentados que vivem nos EUA.
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A democracia fica ainda mais ameaçada desde que a Suprema Corte, há um ano, deu sinal verde para as grandes corporações financeiras abastecerem o caixa dois das campanhas eleitorais. Estima-se que nas eleições de novembro os republicanos angariaram US$ 190 milhões, e os democratas a metade. E a turma da privatização da saúde contribuiu com US$ 86,2 milhões para tentar boicotar a reforma proposta por Obama ao setor. Em suma, o modelo usamericano de democracia é refém do dinheiro.

O novo Congresso vai bater forte na tecla de corte de gastos do governo. Isso significa, num país em crise, reduzir os serviços sociais e multiplicar a exclusão social e a criminalidade. Inclusive a dos fanáticos como Loughner, convictos de que as cabeças que não pensam como as deles merecem uma única coisa: bala.

Por Frei Betto, OndaVermelha

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O espelho de um só sentido do governo

O governo [dos EUA] agora olha para a maioria do colectivo de cidadãos por trás de um espelho totalmente opaco dum só sentido. Os perigos devem ser óbvios. Por Glenn Greenwald, Salon

Uma das marcas distintivas de um governo autoritário é a sua fixação em esconder tudo o que faz por trás dum muro de secretismo, simultaneamente controlando, invadindo e coligindo ficheiros sobre tudo o que o seu coletivo de cidadãos faz. Baseado no aforismo de Francis Bacon de que "conhecimento é poder," isto é o desequilíbrio extremo que deixa a classe governante omnipotente e os cidadãos sem poder.

No The Washington Post de 23/12, Dana Priest e William Arkin continuam a sua série "Top Secret America" descrevendo como o Estado de Vigilância vasto e crescente na América agora abrange entidades policiais estatais e locais, reunindo e armazenando montantes sempre crescentes de informação inclusive sobre as atividades mais inócuas empreendidas por cidadãos que não são suspeitos de qualquer má conduta. Como foi verdade para as várias primeiras prestações do seu "Top Secret America", não há qualquer revelação especialmente nova para os que prestam atenção a tais assuntos, mas o quadro que pinta – e o fato de que é apresentado num órgão do sistema estabelecido como o The Washington Post – é contudo valioso.

Hoje, os repórteres do Post documentam como a vigilância e os métodos de policiamento usados pela primeira vez nas guerras e ocupações no estrangeiro pela América estão a ser rapidamente importados para a vigilância interna (scanners de impressões digitais sem fios, câmaras de infravermelhos de nível militar, scanners biométricos de rosto, drones sobre a fronteira). Em suma:

As unidades de operações especiais preparadas para o estrangeiro para matar a liderança da al-Qaeda conduziram a avanços tecnológicos que se estão a expandir agora no uso pelos Estados Unidos fora. Nas linhas da frente, aqueles avanços permitiram a fusão rápida de identificação biométrica, registos de computador apanhados e números de telemóveis para que as tropas possam lançar o ataque de surpresa seguinte. Cá dentro, é o Departamento de Segurança Interna que está enamorado pela recolha de fotos, imagens de vídeo e outra informação pessoal de residentes dos Estados Unidos, na esperança de destrinçar os terroristas.

Entretanto, o Departamento de Segurança Interna de Obama alargou rapidamente o alcance e invasividade dos programas de vigilância internos – o que foi justificado, obviamente, em nome do terrorismo:

[A Secretária do DSI Janet] Napolitano levou a campanha "Vêem algo, digam algo" muito para além dos sinais de tráfego que pedem aos condutores a entrar na capital da nação que dêem "Dicas sobre o terror" e "Informem sobre atividades suspeitas".

Recentemente ela alistou a ajuda da Wal-Mart, da Amtrak, das principais ligas desportivas, de cadeias de hotéis e de passageiros do metro. Nos seus discursos, compara o empreendimento à luta da Guerra Fria contra os comunistas.

"Isto representa uma viragem no nosso país", disse aos agentes da polícia e bombeiros da cidade de Nova York na véspera do aniversário do 11 de Setembro este Outono. "De certo modo, isto leva-nos ao tempo em que nos baseávamos na tradição da defesa civil e num estado de preparação militar que antecederam as preocupações de hoje."

Os resultados são previsíveis. Enormes quantias de dinheiro do 11 de Setembro e do anti-terrorismo inundaram entidades estatais e locais que não enfrentam praticamente nenhuma ameaça de terrorismo e elas usam esses fundos para comprar tecnologias – compradas à indústria do setor privado que controla e operacionaliza programas de vigilância do governo – para de forma grandemente aumentada monitorizar e manter arquivos sobre cidadãos comuns que não são suspeitos de qualquer má conduta. A cooperação sempre crescente entre entidades federais, estatais e locais – e entre e dentro das entidades federais – fez eclodir bases de dados maciças com informação contendo as atividades de milhões de cidadãos americanos. "Há 96 milhões de conjuntos de impressões digitais" na base de dados da agência do FBI, relata o Post. Além disso, o FBI usa o seu programa de "registo de atividades suspeitas" (SAR) para reunir e fornecer quantidades sem fim de informação sobre americanos inocentes.

Ao mesmo tempo que o FBI estende a sua base de dados de West Virginia, está a construir um vasto repositório controlado pelas pessoas que trabalham numa caixa-forte secreta no quarto andar do edifício J. Edgar Hoover do FBI em Washington. Este armazena os perfis de dezenas de milhares de americanos e residentes legais que não são acusados de qualquer crime. O que fizeram foi parecer estar a atuar de modo suspeito a um xerife duma cidade, a um polícia de trânsito ou até a um vizinho.

Para se ter uma ideia do tipo de informação que acaba por ser armazenada – baseada na conduta mais inócua – leia-se esta página do seu artigo que descreve o Relatório Nº 3821 de Atividades Suspeitas. Mesmo o FBI admite o enorme desperdício que tudo isto é – "'noventa e nove por cento não produz resultados nem leva a nada' disse Richard Lambert Jr., o agente especial encarregado da agência de Knoxville do FBI" – mas, como a história conclusivamente prova, os dados coligidos sobre os cidadãos serão usados para alguma coisa mesmo que não revelem nenhuma criminalidade.

Para entender a amplitude do Estado de Vigilância, lembre-se esta frase do artigo original de Priest/Arkin: "Todos os dias, os sistemas de recolha de dados da Agência de Segurança Nacional interceptam e fornecem 1,7 biliões de mensagens de correio electrónico, telefonemas e outros tipos de comunicações". Como Arkin e Priest documentam hoje, há pouca salvaguarda em relação a como todos estes dados são usados e abusados. Os departamentos de polícia locais encontram-se por rotina com grupos neo-conservadores que insistem que todas as comunidades muçulmanas no país são uma ameaça potencial e que devem ser submetidas a vigilância intensiva e a infiltração. Grupos envolvidos em oposição claramente legal e autorizada foram submetidos a esses programas de vigilância do governo. O que temos, em suma, é um estado de vigilância vasto, incontrolado e cada vez mais invasivo que sabe e reúne cada vez mais a informação sobre as atividades de cada vez mais cidadãos.

Mas o que faz tudo isso especialmente ameaçador é que – como o conflito da WikiLeaks demonstra – tudo isto tem lugar ao lado dum muro de secretismo sempre a expandir-se, atrás do qual a própria conduta do Governo é escondida da vista do público. Considere-se apenas a reação do Governo às revelações de informação da WikiLeaks que até ele – em momentos de sinceridade – reconhece não terem causado nenhum verdadeiro dano: informação revelada que, criticamente, foi protegida com designações de segredo de nível relativamente baixo e que (em contraste com os Papéis de Pentágono) não foi designada "Top Secret".

É claro como a água que o Departamento de Justiça está envolvido numa cruzada total para compreender como encerrar a WikiLeaks e prender Julian Assange. Está a submeter Bradley Manning a condições inacreditavelmente desumanas para manipulá-lo para que forneça o testemunho necessário para levar Assange a tribunal. Lembre-se que em 2008 – muito antes que alguém até soubesse sequer o que a WikiLeaks era – o Pentágono secretamente conspirou sobre como destruir a organização. No Meet the Press de ontem, perguntaram a Joe Biden se ele concordava mais com a afirmação de Mitch McConnell que Assange é "um terrorista de alta tecnologia" do que com os que se comparam a WikiLeaks com Daniel Ellsberg e o Vice-presidente respondeu:

"Eu argumentaria que está mais próximo de ser um terrorista de alta tecnologia...". "Um terrorista de alta tecnologia". E considere-se este pequeno ensaio pernicioso de Eric Fiterman – um antigo agente especial do FBI e fundador de Methodvue, "uma empresa de consultoria que fornece cibersegurança e o serviços de investigação criminais computorizados ao governo federal e a empresas privadas" – que claramente reflecte a visão do Governo sobre a WikiLeaks.

No caso WikiLeaks, um grupo marginal dirigido principalmente por estrangeiros a operar fora do país está a obter, rever e disseminar ilegalmente informação sobre espionagem americana com a intenção declarada de prejudicar os Estados Unidos (o próprio fundador da WikiLeaks Julian Assange fez esta declaração). Isto não só vai ao encontro da definição de atividade agressiva, hostil e bélica, mas de forma directa visa posições diplomáticas da América e interesses de espionagem infligindo danos colaterais às nossas instituições financeiras e aos fornecedores de serviços que cortaram relações com a WikiLeaks. Isto, minha gente, é guerra.

Esta é a mentalidade do governo dos Estados Unidos: tudo o que faz com qualquer significado pode e deve ser protegido da vista do público; quem quer que lance luz sobre o que faz é um Inimigo e deve ser destruído; mas nada do que fazemos deve estar para além dos seus olhos de monitorização e armazenamento. E o que é o mais notável nisto – embora não surpreendente, dado o completo consenso bi-partidário sobre isto – é o modo ansiosamente submisso como a maior parte do colectivo dos cidadãos está face a este desequilíbrio. Muitos americanos suplicam ao seu governo em uníssono: exigimos que saibam tudo sobre nós mas que nos mantenham ignorantes sobre o que fazem e punam os que no-lo revelem. Muitas vezes, esta espécie opressiva de Estado de Vigilância tem de ser forçosamente imposta a um colectivo de cidadãos resistentes, mas a maior parte do colectivo de cidadãos americanos assustados – dirigido pelas figuras dos meios de comunicação que mais odeiam a transparência – foi treinado com uma corrente sem fim de promoção do medo para exigir serem submetidos a cada vez mais medo.

Obviamente, cada estado é necessariamente autorizado a exercer poderes que os cidadãos privados são proibidos de exercer eles mesmos (os governos podem pôr legalmente pessoas em jaulas, mas se um cidadão privado o fizer isso constitui um crime: rapto e falsa detenção). Mas o desequilíbrio tornou-se tão extremo que – o governo agora olha para a maioria do colectivo de cidadãos por trás dum espelho totalmente opaco dum só sentido – os perigos devem ser óbvios. E tudo isto deveria ser precisamente ao contrário: os funcionários do governo é que devem operar às claras, enquanto os cidadãos comuns têm direito à privacidade. Contudo invertemos esta dinâmica quase por completo. E mesmo depois do 11 de Setembro, há já 9 anos atrás, as tendências continuam num só sentido. A WikiLeaks é uma das muito poucas entidades que subverteram este esquema com sucesso, razão pela qual – do ponto de vista do governo e seus apoiantes – deve ser parada a qualquer preço.

ATUALIZAÇÃO: Dois pontos relacionados:

(1) Joe Biden não só votou a favor da Guerra do Iraque como foi Presidente do Comité de Relações Externas em 2002 no momento em que o Senado autorizou aquele ataque, ataque que resultou na morte de bem mais de 100.000 seres humanos inocentes e que foi lançado sob a bandeira estratégica do "Choque e Pavor," concebido explicitamente para aterrorizar iraquianos para que não resistissem através do uso de exposição maciça da devastação urbana. Julian Assange nunca autorizou qualquer violência, nunca matou ninguém, nunca defendeu que se matasse alguém, e nunca ameaçou ninguém de morte. Contudo o primeiro pode acusar o segundo de ser quase "um terrorista de alta tecnologia" sem que muitas pessoas pisquem um olho – ilustrando, mais uma vez, que o termo "terrorismo" não tem sentido e é manipulado; se é que significa algo, a sua definição é esta: "os que impedem ou desafiam a vontade americana com algum grau de eficácia".

(2) De todos os abusos do estado de vigilância, um dos mais flagrantes é certamente a apreensão sem mandato e cega de computadores portáteis e outro equipamento electrónico feita pelo governo a cidadãos americanos na fronteira, pela qual não só armazenam os conteúdos daqueles dispositivos como às vezes guardam os itens apreendidos indefinidamente. Essa prática está a tornar-se cada vez mais comum, dirigida a gente que não fez mais do que discordar da política do governo; pretendo escrever mais sobre isto em breve. Se os cidadãos americanos não objectam à apreensão permanente e à cópia dos seus computadores portáteis e telemóveis sem qualquer mandato ou supervisão judicial, a que objectariam alguma vez?

Tradução de Paula Sequeiros para o Wikifugas

Esquerda.net

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

The Economist: Brasil se tornará sétima maior economia em 2011

Na edição especial “O mundo em 2011”, a revista semanal inglesa “The Economist”, projeta que o Brasil se tornará a sétima maior economia do planeta este ano, com Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 2 tri de dólares.

Em 2002, o PIB brasileiro era de US$ 450 bilhões, o que garantia a 12ª posição no ranking das maiores economias do planeta, atrás de países como Coréia do Sul, México, Espanha, Canadá e Itália. Nações que, de acordo com a publicação britânica, serão deixadas para trás em 2011 pela economia nacional.

Atualmente, o Brasil já é a oitava maior economia global e teve PIB acima de US$ 1,9 tri em 2010. Para que salte para a sétima posição, será necessário desbancar a economia italiana, que nunca antes foi menor do que a brasileira. É é isso que acontecerá nos próximos 11 meses, segundo os analistas ingleses. Para eles, o PIB italiano não deve passar de R$ 1,8 tri neste período. Confira:
Ranking The Economist das maiores economias em 2011

1. Estados Unidos – US$ 14,996 tri
2. China – US$ 6,460 tri
3. Japão – US$ 5,621 tri
4. Alemanha – US$ 3,127 tri
5. França – US$ 2,490 tri
6. Reino Unido – US$ 2,403 tri
7. Brasil – US$ 2,052 tri
8. Itália – US$ 1,888 tri
9. Índia – US$ 1,832 tri
10. Rússia – US$ 1,737 tri
11. Canadá – US$ 1,616 tri
12. Espanha – US$ 1,337 tri
13. Austrália – US$ 1,190 tri
14. México – US$ 1,119 tri
15. Coreia do Sul – US$ 1,094 tri

O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, prevê que, uma vez que está em rápido desenvolvimento, o Brasil pode ser a quarta economia mundial em 2050, perdendo apenas para Índia (3ª), Estados Unidos (2ª) e China (1ª).

Brasília Confidencial

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Após recorde, efetivação de temporários indica que nível de emprego segue firme

Depois de um ano recorde de contratações, que terminou com um saldo de 2,5 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, a perspectiva é de que o emprego continue firme em 2011, especialmente na indústria.

Só a Zona Franca de Manaus, que reúne a maioria dos fabricantes de eletroeletrônicos e motocicletas, além de produtos químicos, vai efetivar cerca de 7 mil trabalhadores temporários. Eles foram contratados a partir de outubro para incrementar a produção de fim de ano.

“Até o fim deste mês, 80% dos trabalhadores temporários serão aproveitados. No ano passado, foram efetivados perto de 5 mil trabalhadores e o índice de aproveitamento de temporários foi bem menor, entre 40% e 50%”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Eletroeletrônicos de Manaus, Wilson Périco.

O empresário explica que a maioria dos trabalhadores temporários que serão efetivados está no setor eletroeletrônico e que o aumento do emprego reflete a demanda “bastante aquecida” neste início de ano, especialmente por televisores. “Como as vendas de Natal superaram as expectativas, os estoques de produtos acabados caíram no varejo e agora estão sendo repostos.”

Pelo segundo ano consecutivo, a coreana Samsung vai contratar a totalidade dos trabalhadores temporários, conta o vice-presidente de Novos Negócios da empresa, Benjamin Sicsú. São perto de 800 trabalhadores que serão efetivados. O executivo pondera que nem sempre é o mesmo trabalhador que vai ocupar a vaga, por questões de qualificação e perfil. Mas o total dos postos temporários será transformado em empregos efetivos.

O aumento das contratações com carteira assinada na Samsung neste início de ano resulta, segundo Sicsú, da combinação de três fatores: as novas linhas de produção implantadas em Manaus (aparelhos de ar-condicionado, tela de LCD e celular), aumento da participação de mercado e verticalização da produção. “Neste ano, vamos começar a fazer a injeção dos gabinetes das TVs na fábrica”, conta Sicsú.

“O início de ano está forte e poderemos repetir a venda de 11 milhões de TVs”, diz Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que reúne as indústrias do setor.

Sondagem da indústria de transformação da FGV, com cerca de mil empresas de vários setores, aponta que 31% das indústrias planejam contratar no trimestre dezembro/fevereiro e 5,7%, demitir. Em novembro, os indicadores eram 28,6% e 7,8%, respectivamente.

Consumo. Pesquisa de intenção de compra de bens duráveis para este trimestre, feita pelo Provar com a Felisoni Consultores, revela que 71,80% dos cerca de 500 entrevistados em São Paulo pretendem ir às compras até março. E o produto líder é o eletroeletrônico (12,4%), seguido por material de construção (10,2%). A intenção de compras para este trimestre é menor ante o mesmo período de 2010, quando 77,2% declararam que comprariam. “O resultado deste ano é menor que em 2010, mas ainda assim será um início de ano muito bom”, afirma Claudio Felisoni, responsável pela pesquisa.

Por Márcia De Chiara – O Estadode São Paulo

Wikileaks, Batman & Robin e o Coringa

Boas maneiras na era do Wikileaks

Em um dos documentos diplomáticos publicados no WikiLeaks, compara-se Putin e Medvedev com Batman e Robin. É uma analogia útil: não seria o organizador do WikiLeaks um análogo real do Coringa em O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan? No filme, o promotor Harvey Dent, um vigilante obsessivo e corrupto que comete seus próprios crimes, é morto pelo Batman. Logo, Batman e o comissário Gordon se dão conta que a moral pública da cidade iria se ressentir se os assassinatos cometidos por Dent se tornassem públicos, preferindo então, para preservar a imagem do policial assassino, responsabilizar o Batman pelas mortes. A mensagem do filme consiste em dizer que mentir é necessário para a manutenção da moral pública: somente uma mentira irá nos redimir.

Não é surpresa que a única figura verdadeira do filme seja o Coringa, o grande vilão. Ele deixa claro que seus ataques a Gotham City terminarão quando Batman retire a máscara e revele sua verdadeira identidade; para evitar a revelação e proteger Batman, Harvey Dent declara à imprensa ser ele o Batman – outra mentira. Para capturar o Coringa, o comissário Gordon finge sua própria morte – mais uma mentira. O Coringa quer revelar a verdade escondida debaixo da máscara, convencido de que isso destruirá a ordem social. Como deveríamos chamá-lo? Terrorista? O Cavaleiro das Trevas é efetivamente uma nova versão dos westerns clássicos, Forte Apache e O Homem que Matou o Facínora, que mostram que para civilizar o selvagem oeste a mentira tem que ser elevada a verdade: a civilização, em outras palavras, deve ser fundada em uma mentira. O filme tornou-se extraordinariamente popular. A pergunta é: por que, neste preciso momento, existe uma renovada necessidade de uma mentira para manter o sistema social?

Consideremos também a nova popularidade de Leo Strauss: o aspecto de seu pensamento político que é tão transcendente hoje em dia é sua noção elitista de democracia, a ideia da “mentira necessária”. As elites devem governar conscientes da atual situação (a lógica materialista do poder) e alimentar as fábulas de toda a gente de maneira a mantê-la contente em sua bendita ignorância. Para Strauss, Sócrates era culpado maquilo que lhe acusavam: a filosofia é uma ameaça para a sociedade. Questionar os deuses e a ética da cidade somente pode prejudicar a lealdade dos cidadãos e, portanto, a base de uma vida social normal. Ainda assim, a filosofia é a mais elevada, a mais valiosa das atividades humanas. A solução proposta foi que filósofos mantivessem em sigilo seus ensinamentos, como de certo fizeram, passando-as a diante somente nas entrelinhas. A verdadeira e escondida mensagem contida na “grande tradição” da filosofia desde Platão até Hobbes e Locke é que não há deus ou deuses, que a moral é meramente um prejuízo e que a sociedade não se fundamenta na natureza. Até agora a história do WikiLeaks tem sido apresentada como uma batalha entre WikiLeaks e o império estadunidense. Seria a publicação de documentos de Estado confidenciais dos Estados Unidos um ato de apoio, do direito do público ao conhecimento destes documentos, ou é um ato terrorista que se postula como uma ameaça às relações internacionais estáveis? Ou então o que será, se isto não é tudo? O que está acontecendo na crucial batalha ideológica e política que reverbera até dentro do próprio WikiLeaks: entre o ato radical de publicar documentos secretos de Estado e a forma com que este ato está sendo absorvido pelo campo ideológico-político hegemônico e, entre outros, pelo próprio WikiLeaks?

A absorção não necessariamente alude a um “complô corporativo” – por exemplo, o negócio fechado pelo WikiLeaks com cinco grandes jornais, seletivamente cedendo o direito exclusivo à publicação dos documentos. Mais importante ainda é a formação conspirativa do WikiLeaks: um grupo secreto do “bem” ataca outro grupo secreto do “mal”, o segundo sendo o Departamento de Estados dos Estados Unidos. De acordo com esta maneira de enxergar as coisas, os inimigos são os diplomatas estadunidenses que ocultam a verdade, manipulam o público e humilham seus aliados na implacável busca por alcançar seus próprios interesses. O grupo do mal, no topo, detém o “poder”, e isso não é concebido como algo que afeta todo o corpo social, determinando o modo como trabalhamos, pensamos e consumimos. O WikiLeaks sentiu por si mesmo o gosto desta “dispersão” de poder quando a Mastercard, Visa, PayPal e o Banco da América uniram forças com o Estado para sabotá-lo. O preço pago por intrometer-se em questões conspirativas é ser tratado de acordo com a lógica destas questões (Não é surpreendente que existam muitas teorias acerca de quem está, de fato, por trás do WikiLeaks – a CIA?).

Estas questões conspirativas se complementam com seu oposto aparente, a apropriação liberal do WikiLeaks como se fosse outro capítulo da história gloriosa da luta pelo “livre fluir da ‘informação’ e o direito dos ‘cidadãos’ a saber”. Esta perspectiva reduz o WikiLeaks a um caso radical de “jornalismo investigativo”. Aqui, estamos a um pequeno passo da ideologia dos sucessos de bilheteria de Hollywood como Todos os Homens do Presidente e Dossiê Pelicano, nas quais um par de homens comuns descobre um escândalo que pode atingir o mais alto, porém, a ideologia de tais trabalhos reside em sua alegre moral: que grande país deve ser este nosso, em que sujeitos comuns como você e eu podemos destituir o presidente, o homem mais poderoso do mundo!

A última demonstração de poder por parte da ideologia dominante é permitir o que parece ser uma vigorosa crítica. Não falta anticapitalismo hoje em dia. Estamos sobrecarregados de críticas sobre os horrores do capitalismo: livros, jornalismo investigativo e documentários de televisão que expõem companhias que estão contaminando sem pudores o nosso meio ambiente, os banqueiros corruptos que seguem recebendo volumosos bônus enquanto seus bancos são resgatados da crise pelo dinheiro público, fábricas exploradoras nas quais crianças trabalham como escravos etc. Mas existe uma pegadinha: o que não se questiona nestas críticas é o marco liberal democrático da luta contra estes excessos. O objetivo, implícito ou explícito, é democratizar o capitalismo, estender o controle democrático à economia através da pressão da mídia, dos informes parlamentares, leis mais duras, investigações policias honestas e por aí segue. Contudo, a composição institucional do Estado democrático (burguês) nunca é questionada. Esta situação permanece sacrossanta mesmo nas formas mais radicais de “anticapitalismo ético” (O Fórum de Porto Alegre, o movimento de Seattle, etc.)

O WikiLeaks não pode ser visto da mesma maneira. Desde o princípio existiu algo em suas atividades que ia mais além do que as concepções liberais do livre fluir da informação. Não deveriamos buscar estes excessos no que diz respeito ao conteúdo. A única coisa surpreendente sobre as revelações do WikiLeaks é que ali não reside nenhuma surpresa. Não sabiamos exatamente aquilo que vimos nos documentos? A preocupação real esteve no nível das aparências: já não podemos fazer de conta que não sabemos o que todo o mundo já está ciente de que sabemos. Este é o paradoxo do espaço público: ainda que todo o mundo tenha conhecimento de um feito desagradável, dizê-lo em público muda tudo. Uma das primeiras medidas tomadas pelo governo bolchevique em 1918 foi tornar público toda a composição da diplomacia secreta czarista, todos os acordos secretos, as cláusulas secretas dos acordos públicos etc. Ali, também o sigilo de informações foi o funcionamento total dos aparatos de Estado do poder.

Aquilo que o WikiLeaks ameaça é o funcionamento formal do poder. Os verdadeiros choques não foram os de detalhes sujos e indivíduos responsáveis por eles, nem os que estão de fato no poder. Em outras palavras, foi o poder por si próprio, sua estrutura. Não deveríamos esquecer que o poder não compreende só instituições e suas regras, senão também as formas legítimas (“normais”) de desafiá-lo (a imprensa independente, ONGs etc.) – que como o acadêmico indiano Saroj Giri postula, “[WikiLeaks] desafiou o poder desafiando também os canais normais para desafiar o poder e revelar a verdade”. O objetivo das revelações do WikiLeaks não só foi o de envergonhar os que estão no poder, senão também o de liderarmos uma auto-mobilização para produzir um funcionamento diferente do poder que possa ir além dos limites da democracia representativa.

De todos os modos, é um erro assumir que revelar em sua totalidade aquilo que era secreto vai nos fazer livres. Esta premissa é equivocada. A verdade liberta, sim, mas não esta verdade. É óbvio, alguém pode realmente confiar na fachada, nos documentos oficiais, mas tampouco encontraremos a verdade nas fofocas compartilhadas nos bastidores. A aparência, o perfil público nunca é uma simples hipocrisia. Edgar L. Doctorow uma vez disse que as aparências são tudo o que temos, de maneira que devemos tratá-las com grande estima. Muitas vezes foi dito que a privacidade está desaparecendo, que os segredos mais íntimos estão abertos ao público. Porém, a realidade é o oposto: o que efetivamente está desaparecendo é o espaço público, com sua acompanhante dignidade. Abundam em nossas vidas casos de quando não colocar tudo às claras é o mais apropriado a se fazer. Em Baisers Volés, Delphine Seyrig explica a sua jovem amante a diferença entre a cortesia e tato: “Imagine que distraidamente você entre num banheiro no qual uma mulher está nua tomando banho. A cortesia requer que você rapidamente feche a porta e diga ‘Perdão, Senhora! ’, enquanto que o tato requer que você feche a porta de imediato e diga ‘Perdão, Senhor! ’. Somente no segundo caso, fingindo que não se viu o suficiente para determinar o sexo da pessoa que está no banho, existe um tato verdadeiro.

Um caso supremo de tato em política foi a reunião secreta entre Alberto Cunhal, o líder do Partido Comunista Português, e Ernesto Melo Antunes, membro do grupo pro-democrático das forças armadas responsáveis pelo golpe que acarretou na derrocada do regime de Salazar em 1974. A situação era extremamente tensa: de um lado, o Partido Comunista estava pronto para iniciar um processo revolucionário socialista real, tomando fábricas e terras (já haviam sido distribuidas armas ao povo); do outro lado, os conservadores e liberais estavam prontos a impedir a revolução pelos meios que fossem necesarios, incluindo a intervenção das forças armadas. Antunes e Cunhal selaram um trato sem declará-lo: não havia acordo entre eles – o que aparecia entre eles eram somente discordâncias – mas saíram da reunião com um pacto pelo qual os comunistas se comprometiam a não fazer a revolução, permitindo assim que um estado democrático “normal” se desenvolvesse, e assim os militares antisocialistas não colocariam o Partido Comunista na ilegalidade, mas sim o aceitariam como um elemento chave no processo democrático. Poder-se-ia argumentar que esta discreta reunião salvou Portugal de uma guerra civil. E seus participantes mantiveram a discrição retrospectivamente. Quando foram questionados sobre a reunião (um jornalista amigo meu), Cunhal disse que confirmaria o acontecido somente se Antunes não o negasse – caso ele o fizesse, diria que aquilo nunca ocorrera. Antunes, por sua vez, escutou silenciosamente enguanto meu amigo lhe transmitia as condições de Cunhal. Deste modo, sem negar o ocorrido, Antunes consentiu às exigencias de Cunhal e implicitamente confirmou a existência da reunião. É desta forma que os cavalheiros da esquerda atuam na política.

Ainda que alguém possa reconstituir os eventos hoje em dia, parece que o feliz resultado da crise dos mísseis em Cuba também foi gerenciá-la com tato, os rituais corteses da ignorância fingida. A jogada genial de Kennedy foi fingir que uma carta não tinha cegado, um estratagema que funcionou porque o remetente (Krushchev) deu corda ao jogo. Em 26 de outubro de 1962, Krushchev mandou uma carta a Kennedy confirmando uma oferta previamente feita por intermediários: a União Soviética retiraria seus mísseis de Cuba se os Estados Unidos garantissem que não invadiriam a ilha. No dia seguinte, ainda, chegou outra carta mais exigente de Krushchev, colocando mais condições. Às 20h05 deste dia, Kennedy mandou sua desposta a Krushchev. O presidente dos Estados Unidos aceitou a proposta do dia 26 de outubro, fingindo que a carta do dia 27 nunca existiu. Em 28 de outubro, Kennedy recebeu uma terceira carta de Krushchev na qual ele aceitava o trato. Nesses momentos em que muito estava em jogo, as aparências, a cortesia, a consciência de que o outro “está jogando um jogo” é mais importante do que nunca.

No entanto, este é só um lado – enganoso – do conto. Existem momentos – momentos de crises da hegemonia do discurso – em que se deve correr o risco de provocar a desintegração das aparências. Tal momento foi descrito pelo jovem Marx em 1843. Em Contribuição a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel ele diagnosticou a deterioração do antigo regime alemão dos anos de 1830 e 1840 como uma repetição farsesca da queda trágica do antigo regime francês. O regime francês foi trágico, “em tanto acreditou e teve que acreditar na sua própria justificação”. O regime alemão “só se imagina que acredita em si mesmo e exige que o mundo acredite no mesmo. Se acredito na sua própria essência, poderia… buscar refúgio na hipocrisia e nos sofismas? O antigo regime moderno é somente o comediante de uma ordem mundial cujos verdadeiros heróis estão mortos”. Em tal situação, a vergonha é uma arma: “A pressão real deve fazer-se mais intensa quando se soma a ela a consciência de pressão, a vergonha deve ser mais vergonhosa quando tornada pública”.

Esta é precisamente a situação dos dias de hojes: enfrentamos o cinismo desavergonhado de uma ordem global cujos agentes só imaginam que acreditam nas ideias de democracia, direitos humanos e coisas do gênero. Por medo de ações como as revelações do WikiLeaks, a vergonha – a vergonha por tolerar tal poder sobre nós – se faz mais vergonhosa quando tornada pública. Quando os Estados Unidos intervêm no Iraque para impulsionar a democracia secular e o resultado é o fortalecimento do fundamentalismo religioso e um Irã muito mais forte, esta não é a falha trágica de um agente sincero, senão o caso de um piadista cínico derrotado em seu próprio jogo.

Publicado por Rebelion. Tradução de Cainã Vidor

Por Slavoj Žižek

Oito calúnias sobre a WikiLeaks

A tendência da comunicação social empresarial de difundir informações falsas e notícias fabricadas tem sido particularmente notória na cobertura da WikiLeaks. Como Glenn Greenwald tem defendido, as principais agências de notícias têm divulgado repetidas difamações e falsidades sobre o sítio de fugas de informação e o seu fundador Julian Assange, ajudando a perpetuar uma série de “mentiras imbecis” – falsos conceitos que se recusam a morrer por mais que entrem em conflito com a realidade conhecida, a lógica básica e informação bem divulgada.

Aqui estão as falsas narrativas que continuam a aparecer nos jornais e na rádio.

1. Fomentar campanhas de alarmismo afirmando que as revelações da WikiLeaks irão provocar mortes. Até ao momento não há evidência de que as revelações da WikiLeaks tenham custado vidas. De fato, mesmo antes de os telegramas terem sido revelados, funcionários do Pentágono admitiram não haver casos documentados de mortes causadas pela informação exposta por divulgações anteriores de documentos da WikiLeaks (e ao contrário dos telegramas diplomáticos, os ficheiros do Afeganistão não estavam editados).

Não quer dizer que a exposição dos ficheiros secretos do governo não possa de alguma forma levar a que alguém, em algum lugar, seja um dia magoado. Mas isto é ir longe de mais, especialmente por parte de um governo envolvido em múltiplas operações militares – muitas das quais secretas – que levam a um número incontável de vitimas civis.

2. Espalhar a mentira que a WikiLeaks divulgou todos os telegramas. A WikiLeaks divulgou menos de 2.000 dos 251.287 telegramas na sua posse. Divulgou aqueles documentos em conjunto com as mais importantes agências de notícias, incluindo o Guardian, El País e Le Monde, e utilizou a maioria das redações desses jornais para proteger as identidades de pessoas cujas vidas poderiam ser ameaçadas pela exposição. A AP detalhou este processo num artigo em 3 de Dezembro, mas isto não impediu que funcionários e analistas afirmassem que a WikiLeaks tinha colocado todos os telegramas “indiscriminadamente” na Internet. Muita da comunicação social repetiu a afirmação sem pensar.

Greenwald e outros têm lutado para acabar com o mito de que o sítio de fugas de informção divulgou todos os telegramas sem tomar quaisquer precauções para proteger as pessoas, mas este mito continua. Ainda esta semana a NPR emitiu um pedido de desculpas por todas as vezes que os colaboradores e convidados sugeriram ou expressaram abertamente ser uma calúnia que a WikiLeaks tenha colocado cegamente todos os telegramas de uma só vez.

3. Afirmar falsamente que Assange cometeu um crime no que diz respeito à WikiLeaks.

O Departamento de Estado tem trabalhado arduamente para incriminar Julian Assange. O problema é que até agora não parece que ele tenha infringido qualquer lei. Assange não é um cidadão dos Estados Unidos, não trabalha para o governo dos Estados Unidos e os documentos da WikiLeaks divulgados foram obtidos por outra pessoa. Conforme Greenwald tem sublinhado repetidamente, não é proibido publicar informações secretas do governo dos Estados Unidos. Se assim fosse, centenas de jornalistas estariam agora na prisão.

Enquanto o governo tenta evocar uma justificação legal para processar Assange, a comunicação social está a ajudar, estimulando a afirmação que ele é uma mente criminosa. Importantes meios de comunicação continuam a acolher convidados que acusam Assange de comportamento criminoso sem especificar de que crime se trata. Num debate bastante ridicularizado na CNN entre o Conselheiro da Segurança Interna de Bush Fran Townsend e Glenn Greenwald, moderado por Jessica Yellin, Greenwald teve que repetidamente rebater a afirmação de que Assange “lucrou” com atos “criminosos”.

O esforço para classificar Assange como um criminoso – liderado pelos membros do governo e ajudado pela comunicação social – pode ter um efeito perturbador sobre futuros autores de fugas de informação.

4. Negar que a WikiLeaks é uma empresa jornalística. Autoridadese especialistas continuam a afirmar que a WikiLeaks não é uma fonte jornalística, ainda que tenha conseguido o mais importante furo jornalístico de uma década. Mas muito do que a WikiLeaks faz é idêntico às actividades de outras fontes de notícias. A WikiLeaks recebe informações secretas de fontes anónimas, que depois revela ao público – as notícias não são mais do que um sistema de controlo e equilíbrio para o governo, um direito fundamental de liberdade de imprensa. A seguir, trata essas informações secretas antes de as divulgar – um jornalista ao seleccionar material relevante e adequado de um documento confidencial não é diferente da WikiLeaks, ao editar certos excertos dos telegramas.

Como as ações da WikiLeaks estão de acordo com a Primeira Emenda, todos os jornalistas deveriam ficar indignados com as tentativas de acusação do governo americano. Se a WikiLeaks for processada por gerir uma empresa jornalística, que direitos irão ser retirados aos jornalistas no futuro? A denúncia vem de uma das mais respeitadas instituições jornalísticas do mundo, a Columbia University Graduate School of Journalism. No início deste mês, 20 membros da faculdade elaboraram e assinaram uma carta ao Presidente Obama e ao Procurador-geral Eric Holder dizendo que ao processar a WikiLeaks o governo irá abrir “perigosos precedente aos repórteres de qualquer publicação ou meio de comunicação social, amedrontando potencialmente o jornalismo de investigação e outras actividades protegidas pela Primeira Emenda… Processar o caso WikiLeaks irá prejudicar grandemente os americanos participantes em debates na imprensa livre em todo o mundo e desencorajar os jornalistas que procuram este país para inspiração.

A Fundação Walkley, uma instituição de jornalismo no país de Assange, a Austrália, coloca este assunto mais sucintamente na sua própria carta de apoio à WikiLeaks: “Tentar fechar a WikiLeaks agressivamente, ameaçar processar aqueles que publicam fugas de informação oficiais, e pressionar empresas a deixarem de negociar com a WikiLeaks, é uma séria ameaça à democracia, que se baseia numa imprensa livre e sem medo”.

5. Negar uma ligação entre os Documentos do Pentágono deEllsberge a WikiLeaks, apesar do apoio de Ellsberg ao site. Em 1969, Daniel Ellsberg fotocopiou secretamente documentos secretos que provavam que a administração Johnson tinha mentido ao povo americano sobre as hipóteses de ganhar a guerra do Vietname, que sabia desde o início serem quase nulas. Em 1970, Ellsberg ficou desiludido com a situação desesperada e começou a fazer circular os documentos, primeiro aos senadores dos Estados Unidos, depois ao New York Times, que divulgou o conteúdo numa inovadora série de artigos que pôs em marcha o fim à guerra… e à administração Nixon. Ao proceder desta forma, ajudou a acabar com uma guerra injusta realizada em nome do povo americano. As suas ações foram amplamente aplaudidas.

Num cenário paralelo, a WikiLeaks está a fazer a parte do Times e de outros meios de comunicação que relataram os Documentos do Pentágono – divulgando informações de ações secretas, e em muitos casos, injustas efectuadas em nome do povo americano sem o nosso conhecimento. O alegado delator Bradley Manning é Ellsberg nesta situação; semelhantemente, se as conversas entre ele próprio e Adrian Lamo impressas na Wired forem verdadeiras, ele divulgou os telegramas com um esmagador sentido de justiça, dizendo, “eu quero que as pessoas, sejam elas quem forem, vejam a verdade, porque sem informação, como público, não se podem tomar decisões informadas.

No início deste mês, Ellsberg apareceu no Colbert Report e elogiou Manning. “Se Bradley Manning fez aquilo de que é acusado, então ele é o meu herói e eu acho que ele prestou um grande serviço a este país” disse Ellsberg. “Esta confusão em que nos encontramos, no mundo, não é por causa de demasiadas fugas de informação… embora diga que devem existir alguns segredos. Mas também digo que invadimos o Iraque ilegalmente porque nos faltou um Bradley Manning na altura.”

6. Acusar Assange de lucrar com a WikiLeaks. Os jornais divulgaram a notícia que Assange assinou um contrato lucrativo de um livro, informação que inspirou as principais fontes de informação como a CNN a ridicularizar Assange por “lucrar” com os telegramas apesar da sua ideologia anti-empresarial. Na entrevista mencionada acima, Yessica Yellin perguntou a Glenn Greenwald se tinha “Alguns dúvidas sobre o fato de ele estar a lucrar essencialmente com a fuga de informação.” Greenwald assinalou que Assange quase não lucra com esse material, mas tenta coborir os ganhos legais acrescidos, já que todos os governos do mundo estão atrás dele. Greenwald também assinalou que tentar ganhar dinheiro com o jornalismo é pura rotina na profissão. Bob Woodward, por exemplo, escreveu vários livros baseados em documentos secretos.

7. Chamar terrorista a Assange. A semana passada o Vice-presidente Joe Biden, que faz parte de uma administração que supervisiona a escalada da desastrosa guerra no Afeganistão, juntou-se a Mitch McConnel e a Sarah Pallin ao chamar “terrorista” a Assange.

Tanto quanto sabemos, as fugas de Assange não mataram ninguém. Nem sequer ele tentou perpetrar violência para promover uma agenda política, a definição de terrorismo. No entanto os membros do governo continuam a tentar vincular Assange ao terrorismo na consciência do público.

8 Minimizar a importância dos telegramas. Embora só uma pequena fração dos telegramas tenha sido divulgada, muitos críticos promoveram a ideia de que eles não revelaram “nada de novo” e portanto não têm qualquer valor. Mas mesmo os telegramas divulgados até ao momento continham revelações importantes sobre os Estados Unidos e seus aliados.

Aqui estão algumas das histórias divulgadas pelos documentos:

– Forças Especiais dos Estados Unidos trabalham dentro do Paquistão

– A Inglaterra concordou proteger interesses dos Estados Unidos nas provas do Iraque

– Bombardeamentos secretos do Iémen

– O papel do Departamento de Estado no golpe de estado das Honduras

– Estados Unidos pressionaram a Espanha a ignorar as provas da tortura de Bush

– Os Estados Unidos procuraram retaliar contra a Europa por se recusar a permitir as culturas geneticamente modificadas da Monsanto.

– ADrug Enforcement Agency torna-se global, para além das drogas

– Aperto da Shell sobre o estado da Nigéria

A promessa de que a próxima divulgação irá atingir um banco dos Estados Unidos, e que irá ter um efeito semelhante às divulgações da Enron, segundo Assange, certamente prenuncia um tesouro de informações sem precedentes que poderá ser explosivo. E isso é incrivelmente valioso para o povo americano.

Tradução de Noémia Oliveira para o Esquerda.net

Esquerda.net

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Wikileaks e á primeira alteração

Está Tradução foi feita pela ferramenta Google translator, por isso separamos e recomendamos que leiam outros grandes artigos sobre a WikiLeaks

Uma acusação da administração Obama de Julian Assange sobre o vazamento da embaixada, seria uma agressão á liberdade de imprensa. Dan Kennedy, Guardian.co.uk

O presidente Barack Obama decidiu seguir uma estratégia perigosa que poderia causar danos irreparáveis á liberdade de imprensa como a conhecemos. De acordo com Charlie Savage, do New York times, o procurador geral Eric Holder está investigando a possibilidade de processar o fundador da Wikileaks Julian Assange em conexão com 250.000 telegramas vazados, segundo o governo pelo exército privado Bradley Manning

Por tradição antiga primeira alteração, a terceiros, tais como organização de notícias, mesmo um pouco convencionais como WikiLeaks, não são processadas por publicação de material vazado, mesmo se a pessoa que deu a eles infringiram a lei. Assim, titular está a trabalhar na teoria de que Wikileaks "coniventes" com Manning, agindo não como um receptor passivo, mas como um participante ativo na Manning persuadir a desistir da mercadoria.

O problema é que não há distinção significativa a ser feita. Como o Guardian, igualmente, não "pactuar" com Wikileaks na obtenção das informações? Como o New York Times não "pactuar" com o Guardian, quando o Guardian deu ao time um cópia Assange na sequência da decisão de reduzir os tempos fora do último documento de despejo?

Para essa matéria, eu não vejo como qualquer organização de notícias pode ser dito não ter conspirado com uma fonte quando ele recebe o vazamento de documentos. Não o concluio Time com Daniel Ellsberg, quando recebeu o Pentagon Papers dele? Sim, há diferenças, Ellsberg tinha acabado de fazer cópias muito antes que ele começou a trabalhar com Times, enquanto Assange pode ter incitado Manning. Mas isso realmente importa?

O que importa é saber se a publicação dos documentos vazados, representam
um perigo tão grave para a segurança americana a ponto de merecer acusação. A Justiça Americana, no caso de 1931 perto de v Minnesota, declarou o padrão para interrupção da publicação ou seja, para a censura é se a informação é tão sensível que seria semelhante ao revelar o movimento de tropas durante a guerra. Esse padrão foi afirmado em 1971 o caso Papéis do Pentágono, do New York Times Compary/Estados Unidos, no qual o Tribunal decidiu que o governo Nixon não pode censurar o Times e o Washington Post.

O que é menos claro é se as organizações de notícias podem ser processadas após a publicação em algo mais fácial de provar que as tropas no tempo do padrão-guerra. Como meu amigo e colaborador ocasional Harvey Silverglate salientou, a Casa Branca de Nixon tomou algumas medidas para apresentar acusações criminais contra o Time e o post após os Papéis do Pentágono, foram publicadas, mas deixou o assunto depois que o presidente, em seguida, tornou-se oprimido pelo escândalo de Watergate

Mas recentemente, observa Silvergale, houve apelos do direito de processar o Times e o post ao abrigo da Lei de Espionagem de 1917 após a sua exposição de 2005 do programa secreto do governo Bush de escutas telefónicas(the times) e as prisões secretas da CIA na Europa de Leste(o post). Em seguida, o presidente Bush, a seu crédito, apesar de não ter feito nada, referiu expor o como um ato vergonhoso

As rugas Obama Horder é a tentativa de estabelecer distinções entre WikiLeaks e os meios de comunicação tradicionais. Não pode ser feito. A retórica do Assange e os seus apoiantes podem ás vezes ser um pouco assustador. Na verdade, porém suas ações têm sido bastante moderada. As Informações do Departamento de Estado Americano, não eram secretos, e WikiLeaks diz que tem se esforçados para reter informações potencialmente perigosas.

A este respeito, as tentativas para separar Times e The Guardian, por um lado, e WikiLeaks, por outro lado, deve ser visto como inteiramente político. Presumivelmente, arrastando um Assange algemados e acorrentados, no tribunal federal Americano iria revelar bastante popular. Em contrapartida, setenciando o editor do Times Arthur Sulzberger para uma temporada longa em uma penitenciária federal provavelmente iria provar muito, embora o senador Joe Lieberman, um ex-democrata moderada, ocasionalmente, sugeriu que os tempos poderiam ser processados.

Quase desde a sua inauguração há quase dois anos, Barack Obama tem sido liberais decepcionante, seja através de suas medidas na economia e na saúde, sua busca contínua de guerras impopulares no Afeganistão e Iraque, ou o seu fracasso em fechar Guantânamo, o símbolo da era Bush estique. Algumas dessas reclamações são exagerados. A política é a arte do possível, e o Obama pode
justificadamente reivindicar ter feito o que é possível em face da intransigência republicana e as dificuldades pura do que ele tem
enfrentado.

Em Contraste, a guerra jurídica da Casa Branca contra a WikiLeaks é um ataque vergonhoso da nossa garantia de liberdade de Expressão e uma imprensa livre. É Irônico que, após dois anos de falsas acusações da direita de que Obama era o desmantelamento da Contituição Americana, agora que ele realmente é, as únicas pessoas que parecem se importar estão á esquerda.

Tradução feita pela ferramenta Google translator originalmente de Guardian.co.uk

Leia mais sobre a WikiLeaks

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