quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Brasil não merece o BBB

Estou na sala de estar de casa com a esposa e a neta, de dez anos. Na tela da tevê, um rapagão de quase dois metros de altura e uma garota gorduchinha, ambos lá pelos vinte e poucos anos, protagonizam uma cena lamentável. Insultam-se, dizem palavrões e têm espasmos de verdadeira histeria, com berros assustadores e gritos ininteligíveis.

Precisam ser contidos por outro casal, que parece achar que se atracarão aos socos e pontapés. As imagens confirmam a percepção. Choca um pouco o pensamento de que o rapaz a agrediria – e talvez ela a ele – se não estivessem na tevê, mesmo que pareça que estão prestes a esquecer disso e partirem para as vias de fato.

Digo à minha esposa que não concordo com que a minha neta assista ao programa. E que ela mesma não deveria. Estão se divertindo, porém. Acreditam que é inofensivo. Dizem que já vão desligar, enquanto riem do que vêem.

Não posso culpá-las. Não há nada melhor na tevê aberta e acabaram de lavar a louça do jantar. Estão naquele momento em que as pessoas só querem relaxar e tirar a mente de qualquer coisa séria.

Dirão que é uma deficiência educacional com a minha neta, mas todos sabem que essa é a realidade de milhões e milhões de famílias de todas as classes sociais e regiões do país. Além do que, proibir jovens de fazer alguma coisa só funciona enquanto estão sob os nossos olhares vigilantes. Há que convencê-los do que não devem fazer. E estou tentando, mas não é fácil.

Na escola da minha neta, colegas discutem animadamente sobre o Big Brother Brasil; a enfermeira que cuida da minha filha caçula, moça simples que veio da Bahia sem nada, batalhou e rompeu com a lógica dessas garotas do Nordeste que vinham para São Paulo e se tornavam empregadas domésticas automaticamente, também adora.

A enfermeira já se tornou parte da família. Às vezes até dorme em casa, quando eu e minha mulher temos que sair cedo para o nosso escritório no dia seguinte. Ela adora o BBB. Torce por um dos rapazes marombados e desprovidos de neurônios, que considera “lindo”. Tem 24 anos. É uma moça simples, esforçada, honesta. E minha mulher acha ótimo terem o programa para discutir.

Poderiam discutir uma boa teledramaturgia, por exemplo. Não precisaria ser esse lixo. Mas como não lhes oferecem coisa melhor, então “se viram” com o que têm.

Isso ocorre na residência de um ativista político de esquerda que desde que seus quatro filhos – sendo três deles adultos, hoje – eram bebês prega contra a baixaria na tevê e se dedica à causa da melhora da comunicação no Brasil. Imaginem o que acontece em famílias sem influência política ou intelectual…

Porque é inevitável. É “isso” o que temos na tevê aberta, no Brasil. Baixaria, vulgarização do sexo, bebedeira, ódio, mesquinhez, violência, inveja, desonestidade. Esses são os valores que a tevê aberta, um direito e uma propriedade da cidadania, incute em nossa juventude, em nossa infância e até em faixas etárias mais maduras.

Esse programa, porém, supera tudo o mais que há de ruim na tevê. Sobretudo por seu alcance, mas também pelos exemplos de lassidão dos costumes, do comportamento em sociedade. É um pisotear incessante de valores elevados que a tevê deveria difundir, mesmo que seja por sua condição de concessão pública.

O cinema ou o teatro que as tevês exibem, por exemplo, via de regra, mesmo exibindo comportamentos inaceitáveis, sempre terminam oferecendo a premissa de que o mau comportamento não compensa e de que tem um preço. Programas como o BBB, não. Aqueles dois ignorantes que discutiam com aquela virulência, ganham pelo que fazem. Nem que seja fama.

Quanto daquilo ficará na alma da minha neta? Que influência assistir a esse tipo de comportamento terá nas mentes mais simples? É liberdade de expressão vender a idiotia, a covardia, os maus instintos todos como características de jovens “descolados”?

O país suporta passivamente essa bofetada em sua face em que se consiste cada programa Big Brother Brasil, ano após ano. E, com a queda de audiência no Brasil de um programa que deixou de ser exibido no resto do mundo por falta justamente de audiência, pode-se prever que a apelação da Globo só fará aumentar.

E não há uma mísera autoridade que diga um A.

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania e também no blog do Miro

O PSDB e o medo do futuro

Há quem diga que o PSDB tem um problema com o passado, pois abandonou FHC e se envergonhou de uma época da qual deveria se orgulhar. Para os que pensam assim, estaria aí a origem de seu declínio

As coisas não andam bem no PSDB nacional. Por mais que seus líderes e simpatizantes na "grande imprensa" se esforcem para demonstrar o contrário, elas vão mal.

Para os partidos, é sempre ruim sair de uma eleição como o PSDB em 2010. Não se nega que tenha conquistado três importantes governos estaduais, com outros dois de expressão. Vencer em São Paulo, Minas e Paraná é um feito que qualquer partido celebraria. Para alguns, seria até um resultado espetacular. Se agregarmos Goiás e Pará, ainda melhor. (Com todo o respeito, as outras vitórias contam menos).

Quem tem o passado e as expectativas de futuro do PSDB não pode, no entanto, comemorar. Em um sistema que vem funcionando, no plano nacional, como bipartidário de fato, perder três eleições presidenciais seguidas é grave. Nos Estados Unidos, desde os conturbados anos 1970, somente uma vez isso aconteceu - quando o Bush pai sucedeu Reagan -, interrompendo a habitual alternância entre Republicanos e Democratas.

Em nossa curta história, depois de duas vitórias, o PSDB não emplacou outra. Em 2014, serão 12 anos com os tucanos voando longe do Palácio do Planalto.

Quem duvida que olhe o que foi sua "época de ouro". Em 1994, por exemplo, ganhou a Presidência (em primeiro turno), os mesmos governos de São Paulo, Minas e Pará (que tanto o consolam hoje) mais o Rio de Janeiro e o Ceará. Fez nove senadores, contra cinco agora. Na Câmara, 62 deputados, que caíram para 53. Comparando-se ao que foi, o PSDB diminuiu e se estadualizou.

Mas o mais complicado é sua dificuldade de encontrar um rumo. Perder é mau, e não saber o que fazer depois da derrota pior.

Quinta-feira passada, o programa do partido em rede nacional de televisão deixou evidentes essas dificuldades. Foi uma soma de equívocos, a começar pela decisão de veiculá-lo. Como estava óbvio que o partido não sabia o que queria dizer, teria sido preferível adiá-lo para um momento mais adequado.

Era a primeira oportunidade do PSDB retornar à mídia de massa depois do segundo turno, quando não havia como desvincular sua imagem do rosto de José Serra. Finda a eleição, iniciado o governo Dilma, estava na hora do PSDB mostrar-se para o futuro.

Em vez disso, achando que tinha que exibir Fernando Henrique (depois de ele ter sido escondido pela campanha Serra), o programa tucano entrou em um túnel do tempo. Não voltou a 2010 para opinar sobre o resultado da eleição. Em metade de seus preciosos 10 minutos, deu um salto para trás, à procura do passado distante onde faz sentido o balanço do governo FHC. É matéria de interesse puramente historiográfico, quase irrelevante para o espectador comum.

No tocante a Serra, uma decisão que revela toda a ambiguidade de sua situação atual. De um lado, valorizar seus 44 milhões de votos, mas apenas nas palavras do presidente do partido. De outro, negar-lhe o direito de falar. Serra foi apenas mencionado. Ficou mudo. Parece que a maioria do PSDB não quer vincular-se a ele.

Consta que o silêncio de Serra foi o preço que pagou para que Aécio não aparecesse e roubasse a cena do programa, no papel de estrela maior. Ou seja, como não consegue lidar com seus esqueletos, o PSDB prefere abrir mão do futuro.

Há quem diga que o PSDB tem um problema com o passado, pois abandonou FHC e se envergonhou de uma época da qual deveria se orgulhar. Para os que pensam assim, estaria aí a origem de seu declínio.

Na verdade, seu problema não é se recusar a olhar para trás. É não conseguir olhar para a frente. No ninho tucano, sobra passado e falta futuro.

Por Marcos Coimbra - Estado de Minas

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tropa de elite 2, pelos olhos dos direitos humanos

Organizações ligadas aos Direitos Humanos destacam, em texto do Brasil de Fato, pontos positivos e negativos do filme Tropa de Elite 2, que superou a primeira produção e é um fenômeno de público

Tropa de elite 2 já conseguiria uma grande proeza se apenas superasse, em bilheteria, o primeiro filme da série. Foi muito além. O longa está chegando a 11 milhões de espectadores, um recorde. Ultrapassou o estadunidense Avatar como filme mais assistido no Brasil em 2010 (9,1 milhões). É a película mais vista no país nos últimos 12 anos, perdendo apenas para Titanic, com público de 16 milhões.

Como se não bastasse, o filme surge num momento político ímpar. Lançado uma semana após o primeiro turno das eleições, alcançou seu auge nas bilheterias paralelamente a uma das maiores crises de segurança pública do Rio de Janeiro. Se o filme, por si só, já alimentava o debate, a escalada de violência veio apenas a somar – não tensionando a discussão, necessariamente, para a mesma direção.

Um dos debates que se colocam com mais naturalidade é como os movimentos e as organizações de direitos humanos receberam o longa. O primeiro Tropa de elite foi amplamente criticado por alguns setores. Considerado por muitos um filme fascista, foi rechaçado em uma série de debates públicos.

O diretor José Padilha e o ator Wagner Moura, em incontáveis ocasiões, vieram a público em defesa de seu argumento – o filme estaria mostrando a segurança pública sob o olhar de um policial do Bope, este sim eventualmente fascista. Para os setores mais críticos, a explicação não foi aceita.

Tropa de elite 2, propositalmente ou não, traz elementos novos. Surge nas telas um capitão Nascimento mais maduro, mais crítico sobre seu papel; as entranhas corruptas da polícia são explicitadas; um novo “inimigo” aparece, as milícias; um novo personagem, o professor Diogo Fraga, inspirado no deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), encarna a defesa dos direitos humanos.

A pedido do Brasil de Fato, organizações de direitos humanos escreveram textos analisando o filme. As opiniões são diversas. Em geral, acredita-se que houve avanços, mas se pontua uma série de elementos preocupantes na nova película – principalmente tendo em vista sua mais do que comprovada capacidade de diálogo com a sociedade.

“O novo capitão Nascimento combate as milícias e entende que o problema da violência é também um problema político. Quem queria um herói que luta contra o mal e mata ‘bandidos vagabundos’ não gostou”, diz Taiguara Souza, do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (IDDH), que também pontua a qualidade técnica do filme.

“Enquanto na primeira versão de Tropa de elite dava-se ênfase ao discurso policial, margem à apologia da tortura e à legitimação dos discursos fascistas, a atuação do deputado Diogo Fraga mostrou a ineficácia dessa política de segurança pública”, completa.

Taiguara, porém, aponta problemas. “Como a primeira versão, [o filme] constrói e reafirma conceitos problemáticos no imaginário social: heroiciza o Bope como padrão de polícia incorruptível, que pode violar garantias fundamentais para cumprir suas missões institucionais. O roteiro centra-se, ainda, no paradigma do inimigo. Não mais traficantes, mas milícias paramilitares”, diz.

Na Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, os integrantes debateram coletivamente o filme para elaborar um texto. Consideram que Tropa de elite 2 suscita uma reflexão crítica maior em relação ao primeiro filme, a corrupção política e policial aparece como um problema mais grave que o tráfico, e o movimento de direitos humanos é retratado de maneira mais interessante, ainda que através de um único personagem.

A principal crítica que a Rede faz, no entanto, diz respeito aos protagonistas. “As principais vítimas do sistema de violência e criminalidade, as moradoras e moradores das comunidades pobres, estão literalmente ausentes do enredo, são no máximo figurantes, e na maior parte das vezes apenas cenário”, diz Maurício Campos, principal autor do texto da Rede.

“Mais ainda, não existem personagens no filme que representem a importante resistência popular, que apesar de tudo se constrói na luta das vítimas e familiares de vítimas da violência, juventude favelada e periférica que se organiza no movimento hip hop e outras expressões político-culturais, pré-vestibulares comunitários etc.”, afirma. A inexistência desses personagens impediria a empatia do público com o sofrimento popular, inviabilizando a compreensão das reais motivações de quem luta por direitos humanos.

“Verificamos que os ‘heróis’ continuam a ser, no fundo, os mesmos do primeiro filme: os policiais brutais, fascistas, porém ‘honestos’, do Bope. A ideia fascista da ‘limpeza’ da sociedade por militares violentos, porém incorruptíveis, não sofreu na verdade nenhuma crítica nos dois filmes”, lamenta Maurício, posicionamento que encontrou eco em muitos dos debates que sucederam ao filme.

Antônio Pedro Soares, do Projeto Legal, tem uma visão bastante crítica. “A narrativa do filme reforça uma imagem reducionista dos movimentos de direitos humanos. Historicamente, os grupos conservadores de nosso país adotam a estratégia de reduzir a luta dos movimentos à proteção dos cidadãos envolvidos com a criminalidade, taxados de ‘defensores de bandidos’. Por que não apresentar os movimentos de defesa dos direitos humanos da perspectiva dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais (Dhesc)?”, questiona.

Adriano Dias, da ComCausa, faz uma análise complexa, elencando sensações positivas e negativas e fazendo a ligação com suas referências pessoais e profissionais. Ele considera que a esquerda foi infantilizada pelo filme, “com suas reflexões elocubrativas, denuncistas, de mera exposição de números”.

Considera positiva a relação umbilical entre a violência e a política exposta pelo filme. Adriano também estabelece conexões entre os personagens do filme e seus prováveis inspiradores na realidade, com quem ele teve proximidade em sua longa militância. “Apesar de não aparecer, alguns governadores foram até sócios dos esquemas criminosos controlados a partir da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro”, denuncia.

Fonte: Brasil de Fato

Até Jô Soares rejeita o BBB-11

O Big Brother Brasil, programa de baixarias e vilanias da TV Globo, causa cada vez mais rejeição e desconforto. Além da queda de audiência nestes primeiros dias da sua décima primeira edição, o BBB tem recebido críticas até das "estrelas globais" da própria emissora.

No final de janeiro, Jô Soares postou no seu twitter: "BBB = desligue a TV". Ao ser questionado sobre a sua dica, o apresentador, que está em férias, distante da direção da Rede Globo, ainda respondeu: "Liberdade de expressão. Eu falo do programa que eu quiser." Mas tentou evitar maiores danos. "Não estou incentivando ninguém a desligar a TV, desliga quem quer".

Um bando "sem graça"

Logo na sequência, Agnaldo Silva, autor de várias novelas da emissora, criticou o fato da transexual Adriana ter sido eliminada no primeiro paredão do programa. Ele escreveu no seu twitter: “Alguém falou e eu concordo: tirar Adriana do BBB é o mesmo que matar o protagonista da novela no primeiro capítulo. Fica sem graça!”.

O dramaturgo ainda esculhambou “aquele bando de homens com cara de quem não lava as partes há vários dias? Sem graça!”. E até aconselhou o diretor do programa: “Eu se fosse o Boninho virava a mesa, trazia a bicha de volta e, quando me perguntassem porquê, eu responderia: ‘por que quero, po**a’!”

"Eu não gosto mesmo"

Agora, no Jornal da Tarde desta segunda-feira (7), o ator José Wilker – que acumula um currículo de 55 novelas, 49 filmes e 30 peças – afirmou com todas as letras que o programa é entediante. Ele bateu duro na entrevista:

“Eu não gosto mesmo. Vi o Big Brother na casa de amigos. Aquilo me entedia um pouco. Na verdade, se trata de trabalhar com personagens pobres. E a coisa do dinheiro, em função de um comportamento, acaba nivelando as pessoas por baixo. Nada contra, mas eu não apostaria muito nisso”.

Campeão de baixarias na TV

Apesar das críticas "globais" e da baixa audiência - o BBB-11 amarga desde a estréia o pior índice da história do reality show –, a direção da Globo parece que não está disposta a mudar de rumo. O programa de baixarias, que explora os piores instintos humanos, ainda dá muito lucro à emissora.

Para seduzir novos telespectadores - a média das primeiras semanas do BBB alcançou 26 pontos no Ibope, abaixo dos 31 pontos registrados na décima edição, considerada a pior até então -, Boninho não vacila no jogo sujo.

O diretor tenta de tudo: paredão quádruplo com direito a duas eliminações de uma só vez; construção de uma casa de vidro num famoso shopping carioca para dar a chance de um dos cinco primeiros eliminados retornarem ao programa; e até a intervenção de Pedro Bial apelando para os participantes “curtirem a vida dentro da casa”. O BBB-11 entrará para a história como um dos programas mais abjetos da televisão brasileira.

Por Altamiro Borges, Blog do Miro

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A novela do salário mínimo

Em dezembro do ano passado, Paulo Bernardo e Alexandre Padilha, hoje ministros de Dilma, se reuniram com as centrais sindicais e deixaram entreaberta a possibilidade de o novo governo apresentar proposta de um salário mínimo bem melhor do que a atual.

Embora Dilma não tivesse ainda tomado posse, os dois falavam como porta-vozes oficiais da presidente eleita. A lambança veio depois. Começou pela boca de Guido Mantega, que gosta de falar manso com os banqueiros e falar grosso com os trabalhadores.

O ministro da Fazenda disse que seria R$ 540 o valor do novo salário mínimo e nada de mexer na tabela do imposto de renda! As bravatas desse ministro e a intransigência dos negociadores do governo podem tornar azedas as negociações ainda em andamento e levar a polêmica para um debate mais complexo no Congresso Nacional.

O governo Dilma poderia muito bem ter começado seu mandato sem essa desnecessária turbulência com os trabalhadores. A vida demonstrou à exaustão que é papo furado que aumentos reais do salário mínimo quebram a Previdência e os municípios pequenos.

Por Nivaldo Santana, dirigente da CTB, publicado em seu blog

Globo diz que escolas do Rio não vão ser "rabaixadas"

Erros de toda natureza, inclusive gramaticais, são comuns no jornalismo, mas quando se insinuam pelas manchetes chamam a atenção do leitor, revelam desleixo editorial e motivam gargalhadas na concorrência. É o caso, hoje, da chamada na capa do site do Globonews sobre o incêndio na cidade do samba: “Escolas do Rio não vão ser rabaixadas”.

O autor provavelmente quis dizer rebaixada, em vez da "rabaixada" que cometeu, mas teve a infelicidade de reiterar o erro no título interno. A notícia se refere às negociações para definir novas regras para a classificação das escolas de samba após o incêndio na chamada cidade do samba, inclusive mudança na ordem dos desfiles.

Presidentes de escolas atingidas por incêndio se reuniram com o prefeito do Rio, informa o Globo. Na reunião, ficou decidido que Portela, Grande Rio e União da Ilha vão desfilar, mas não vão ser julgadas. Esse ano não haverá rebaixamento no Grupo Especial e uma escola vai subir do Grupo de Acesso. Houve mudança na ordem dos desfiles. A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilará na segunda-feira e a Portela no domingo.

O título sobre o rebaixamento das escolas cariocas reflete um erro menor do monopólio midiático dirigido pela família Marinho. Bem mais séria é a manipulação diária dos fatos e notícias para sustentar os interesses e ideologia reacionárias que orientam as Organizações Globo, manipulação que transparece com mais força durante eleições presidenciais.

Da redação vermelho

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Protógenes quer punição maiores para corruptos

Em seu primeiro “dia útil” de trabalho na Câmara, o deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) protocolou ontem um projeto de lei que iguala a pena do condenado por corrupção ao do condenado por homicídio qualificado. Na proposta de alteração da Lei de Improbidade Administrativa apresentada pelo deputado, os agentes públicos envolvidos em casos de enriquecimento ilícito estariam sujeitos a pena de 12 a 30 anos de prisão, além de multa a ser fixada pelo juiz de acordo com o dano causado ao erário. Atualmente, o Código Penal prevê uma punição de dois a 12 anos, e multa. Seriam enquadrados na nova lei os agentes públicos no exercício do mandato, cargo ou função pública, acusados de peculato, corrupção passiva e ativa.

O deputado propõe a alteração do decreto-lei 2.848, do Código Penal de 1940, do decreto-lei 3.689 do Código de Processo Penal de 1941 e da lei 8.429 de 1992. O deputado também propõe a priorização dos processos de improbidade administrativa. “Terão prioridade de realização todos os atos e diligências nos processos e procedimentos judiciais e administrativos, em qualquer instância, destinados a apurar a prática de ato de improbidade”, acrescentou o deputado em sua proposta.

Na justificativa, o deputado - que foi delegado da Polícia Federal e responsável por operações que culminaram com a prisão de políticos e banqueiros - disse que a corrupção “é uma das principais chagas do Brasil”. O ex-delegado argumentou também que o País ficou em 75º lugar no ranking de 2008 da Percepção de Corrupção, da ONG Transparência Internacional. Segundo o deputado, a corrupção alimenta o tráfico de drogas e resulta num prejuízo de R$ 69,1 bilhões ao Estado por ano, citando estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, de 2010.

Por Tribuna do Norte

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