terça-feira, 5 de abril de 2011

Banco de Daniel Dantas diz que seu "mensalão" foi para a Globo

Quando os tubarões brigam, o povo ganha.

O Opportunity, banco de Daniel Dantas, emitiu nota considerando idiota a reportagem da revista Época, ao considerá-lo fonte de pagamentos ao governo, no chamado "mensalão", pois desde que o governo Lula assumiu, o seu banco não teve mais a "generosidade" encontrada no governo FHC, e precisou enfrentar as barras da lei.

Dessa vez, e só desta, temos que concordar em parte com Dantas. A CPI dos Correios apurou que a Telemig Celular e a Amazônia Celular, pagou R$ 152 milhões às empresas de Marcos Valério. A Brasil Telecom, R$ 4,7 milhões. Se esse dinheiro foi para políticos, não foi para o governo Lula (hostil às investidas de Dantas), e sim para a bancada de Dantas, no Congresso ou nos estados.

Mas o curioso é o final da nota: "Na Telemig, segundo informações prestadas à CPI do Mensalão, a maioria dos recursos eram repassados as Organizações Globo. Por isso, a apuração desses fatos fica fácil de ser feita pela Época".

Se o "mensalão" da Telemig foi para a Globo, alguém não contabilizou todo o valor.

A CPI apurou R$ 122 milhões, R$ 3 milhões pagos pela Telemig para as empresas do sr. Marcos Valério, entre 2000 e 2005.

Os pagamentos para o Grupo Globo, apurados pela CPI, entre 2000 e 2005 foram de R$ 7,4 milhões.

Tem R$ 114 milhões de diferença, não contabilizados.

Então ou a Globo apresenta voluntariamente sua planilha dos recebimentos da DNA e SMPB para dirimir dúvidas, ou o Ministério Público precisa pedir a quebra do sigilo bancário e contábil das empresas das Organizações Globo para encontrar essa diferença.

Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

domingo, 3 de abril de 2011

A revista Época e o mensalão requentado

A revista Época se esforçou. A capa desta semana, assinada pelo ex-garoto prodígio da Veja e bolsista do Millenium, Diego Escosteguy, traz aquela linguagem entre barroca e cínica que se tornou marca registrada nas reportagens sobre o mensalão. A matéria, com base no relatório da Polícia Federal enfim concluído, traz uma ou duas novidades, as quais, porém, são tão ansiosa e descaradamente aditivadas com molho velho que perdem todo o sabor. A imagem que me vem é a de uma sopa guardada há semanas na geladeira, a qual lançamos dentro uma cenoura cortada para que pareça fresca.

A escassez de fatos novos no relatório da PF decorre do fato de que o mensalão foi o escândalo mais devassado da história política brasileira. Tivemos várias CPIs, com quebra de sigilos telefônicos e bancários. A imprensa deslocou o grosso de seus efetivos para investigar todos os ângulos do episódio. E a pressão midiático-política da oposição, que chegou a ameaçar a estabilidade institucional, conseguiu, desde o início das investigações, monitorar, vazar e divulgar os resultados parciais dos relatórios da Polícia Federal. Pesquisando rapidamente na internet, descobre-se que praticamente todas as informações apresentadas na matéria já eram do conhecimento público desde 2005, embora sem a credibilidade conferida pela investigação profissional.

Entretanto, o que mais chama atenção na reportagem é sua falta de clareza. O texto lança mão de todas as aquelas velhas estratégias de manipular a informação que vimos tão diabolicamente desenvolvidas no escândalo do mensalão. Existe o ilícito, mas em vez de esclarecer o leitor sobre suas causas, consequências e natureza, a reportagem o confunde, deixando nele apenas um mal estar difuso, uma indignação mal resolvida.

Por exemplo, um trecho da matéria, subtitulado Outras revelações, traz os seguintes quadros:



Temos aí algumas novidades interessantes, que poderiam nos dar uma ideia melhor de onde surgiu o famigerado Marcos Valério, que tinha, segundo a PF, contratos de publicidade com a Petrobrás na era fernandista, e com o governo de Aécio Neves, já durante a era Lula. Mesmo a nota "Lobby no BC", confusa e juridicamente inócua, amarra o Banco Rural ao empréstimo concedido pelo governo FHC ao sistema financeiro, o Proer, através do qual o governo repassou aos bancos o equivalente hoje a mais de 115 bilhões de reais. Ou seja, recheia-se o escândalo da era Lula com maionese tucana.

A matéria inicia com um quadro onde figura aquela linguagem pirracenta que também ganhou notoriedade na cobertura do assunto.




O relatório da PF não prova que o mensalão existiu. Ele apenas confirma o que realmente aconteceu, e que ninguém negou: caixa 2 de campanha eleitoral. Não há, contudo, nos documentos da PF, e quanto mais no trecho sublinhado, qualquer fato comprobatório de que o governo pagou parlamentares para votarem desta ou daquela forma.

O início da matéria, por sua vez, é presunçoso e faz um pre-julgamento:

"Era uma vez, numa terra não tão distante, um governo que resolveu botar o Congresso no bolso".

Lendo a matéria até o final, o que vemos é que, ao contrário, o relatório da PF desmente a tese do mensalão, visto que aponta apenas 28 parlamentares como receptadores de recursos de Marcos Valério. Como se pode botar um Congresso de 513 deputados "no bolso" dando dinheiro a somente 28 dentre eles? Sem contar que a maioria pertencia à base governista e muitos receberam quantias irrisórias, como o professor Luizinho, que virou "mensaleiro" após um assessor sacar 15 mil reais do valerioduto.

Outro item nebuloso da matéria, e que a Época, em vez de tentar esclarecer, joga ainda mais fumaça, é a participação de Daniel Dantas. Esse era para ser o grande "gancho" da matéria, ainda mais considerando que falamos de um indivíduo já condenado pela justiça em três países, Brasil, EUA e Inglaterra.

Segundo o relatório, Dantas teria assinado contratos, através de empresas que controlava, como a Telecom, no valor de R$ 50 milhões com empresas de publicidade de Marcos Valério. Meses depois estourava o escândalo do mensalão. A própria Polícia o aponta como um dos principais financiadores do esquema, mas a revista, sempre tão cínica e maldosa, prefere fazer dessa vez uma interpretação cândida, de que "apenas R$ 3,6 milhões" foram efetivamente repassados.

A Época engole todas as pastilhas de LSD de uma vez só e inclui, como que fazendo parte do "mensalão do PT", uma lista de personalidades que receberam dinheiro das empresas de Valério, mesmo que estas pessoas não tenham nada a ver com a campanha política de 2002 (não a campanha petista, ao menos):

•Pimenta da Veiga, do PSDB, ex-ministro de FHC, recebeu R$ 300 mil
•Gilberto Mansur, jornalista.
•Domingo Guimarães (genro de Marco Maciel).
•Jaqueline Roriz, deputada (PMN-DF).
•Mario Calixto (senador PMDB-RO).

Uma das novidades apresentadas como "quentes", e como elo entre o "mensalão" e a campanha de Lula é a "descoberta" que Freud Godoy, ex-segurança de Lula, recebeu R$ 98 mil de Marcos Valério, e que o pagamento se deu para saldar uma dívida que o PT tinha com Godoy por seu trabalho na campanha. Já se sabia que Godoy recebera 98 mil de Valério desde 2006. E não é novidade nenhuma que o "mensalão" foi para pagar a campanha de Lula em 2002, o que na verdade apenas comprova a tese, admitida pelo PT e pelo próprio Lula, que chegou a ir a TV pedir desculpas, de que se trata de caixa 2 eleitoral, e não pagamento de propina a políticos para votarem em favor do governo.

O interessante é que, à proporção em que se torna cada vez mais claro que o "mensalão" foi um esquema de caixa 2 da campanha eleitoral de 2002, mais a mídia se aferra à tese de "compra de políticos". Não estou diminuindo a gravidade do crime de caixa 2, mas apenas botando os pingos nos is.

Essa matéria da Época não traz nenhuma novidade consistente. Mas tem uma função: tentar ressuscitar o clamor popular, ou pelo menos uma faísca daquele fogaréu que vimos em 2005, e influenciar o voto dos ministros do STF quando estes julgarem o caso este ano.

Reparem nesse trecho:

"O mensalão não foi uma farsa. Não foi uma ficção. Não foi “algo feito sistematicamente no Brasil”, como chegou a dizer o ex-presidente. O mensalão, como já demonstravam as investigações da CPI dos Correios e do Ministério Público e agora se confirma cabalmente com o relatório da PF, consiste no mais amplo (cinco partidos, dezenas de parlamentares), mais complexo (centenas de contas bancárias, uso de doleiros, laranjas) e mais grave (compra maciça de apoio político no Congresso) esquema de corrupção já descoberto no país".

Pode-se ver, no entanto, uma mudança no tom da mídia. Se antes ela falava do mensalão com arrogância e sarcasmo, hoje nota-se-lhe uma postura defensiva. A repetição de negativas é de quem teme perder o controle sobre a narrativa desse escândalo, como de fato está perdendo. Ninguém nega o caixa 2. O que vem sendo questionado é se houve compra do voto no Congresso. Como é possível que o governo comprasse o voto de 513 parlamentares? E para quê? Repare que os mesmos inquisidores que mencionam a compra de votos como um crime de gravidade apocalíptica jamais especularam sobre que votações ocorreram no período que justificassem tamanho esforço e risco. E qual o sentido de comprar apoio de deputados que já votavam em linha com o governo? Lembro que alguém fez uma tabela em que mostrava que, durante o período em que os acusados recebiam o dinheiro do mensalão, o índice de vitórias do governo no Congresso na verdade caiu. A informação foi logo abafada, porque ela não ajuda a dar verossimilhança à narrativa midiática.

Outro exemplo de manipulação da mesma reportagem:

"A metamorfose ambulante

"Ao longo de seu governo, o ex-presidente Lula mudou sua retórica sobre o escândalo. Passou da indignação à negação: 'Não interessa se foi A, B ou C, todo o episódio foi como uma facada nas minhas costas" - Lula, em dezembro de 2005, sobre o episódio do escândalo do mensalão.

'Mensalão é uma farsa' - Lula, em conversa com José Dirceu durante o café da manhã no Palácio da Alvorada em 18 de novembro de 2010. Na ocasião, o ex-presidente avisou que quando deixasse o governo iria trabalhar para desmontar o mensalão".


Não há contradição entre as duas falas do presidente. Ele nunca negou que houve caixa 2. A "farsa" a que ele se refere (e a revista finge não entender) é a versão segundo a qual o governo subornou parlamentares para impor vitórias no Congresso Nacional.

Minha esperança é que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue os acusados com toda a severidade possível, condenando os réus do mensalão por seus crimes, se entenderem que estes ocorreram, mas que aja com justiça e isenção, sem se deixar levar pelas manipulações de uma imprensa comprometida não com a verdade dos fatos mas com as versões que produziu sobre eles, às quais agora se sente na obrigação de bancar até o fim.

Por
Miguel do Rosário, publicado em seu blog

sábado, 2 de abril de 2011

5 mentiras famosas da web

Vamos relembrar 5 dos boatos mais famosos que já circularam pela internet. E pode dizer: você encaminhou pelo menos um deles para os seus amigos, não?

1- O pássaro Galvão (2010)

Durante a abertura da Copa do Mundo de 2010, brasileiros começaram a se irritar com o narrador do evento e inundaram o Twitter de mensagens dizendo “CALA BOCA, GALVÃO!”. Os gringos começaram a se perguntar que diabo era aquilo e, dois dias depois, surgiu um vídeo muito bem editado, em inglês, com uma explicação (falsa): Galvão era uma ave brasileira ameaçada de extinção e cada tweet com a mensagem renderia 10 centavos para a causa. A expressão se tornou a mais twittada do mundo nesse dia e os brasileiros festejavam aquilo que chamavam de “a maior piada interna da história”. Mas logo os não-falantes de português descobriram a farsa. Cerca de uma semana depois, os maiores portais de notícias no Brasil divulgaram um vídeo em que Bart Simpson escrevia a expressão no quadro negro, na abertura do desenho. Desta vez, nós é que fomos enganados – o vídeo também era uma brincadeira.

2- Lady Gaga é hermafrodita (2009)
Em 2009, um vídeo de um show de Lady Gaga revelou um volume suspeito em sua calcinha e deu origem ao boato bizarro de que a cantora seria hermafrodita. Um post publicado no blog Starrtrash em dezembro de 2008 começou a ser reproduzido por diversos sites pelo mundo para colocar mais fogo na história. Segundo o texto, a cantora teria confirmado ser hermafrodita em seu blog oficial. “Não é um assunto de que me envergonhe, apenas não é algo que eu vá ficar contando por aí”, teria dito Gaga. O bizarro é que ninguém verificou a confiabilidade de um blog que postava “notícias” como “Angelina Jolie raptou criança asiática” ou “Gwen Stefani deixa Mandarin [um restaurante chinês] 45 kg mais gorda”. Em agosto de 2009, Lady Gaga disse que essa história toda era vulgar demais para ela sequer discutir.

3- A foto do avião no dia 11 de setembro (2001)

Pouco depois dos atentados de 11 de setembro, começou a circular na internet a imagem de um turista que estaria visitando o World Trade Center (WTC) e teria tirado uma foto no momento exato em que um avião estava para atingir uma das torres. A câmera com a foto teria sido encontrada no meio dos escombros. Apesar da fama imensa, vários erros provam que a imagem é falsa. Para começar, 11 de setembro de 2001 foi um dia quente e ensolarado – ao contrário do que mostra a foto, em que o cara está todo agasalhado. Além disso, o avião da imagem se aproxima pelo norte, o que significa que teria atingido a torre norte. Acontece que não existe um deck de observação ao ar livre ali. A torre sul até possui um, mas ele só abria às 9h30 da manhã. O primeiro avião atingiu o WTC às 8h49. Assim, a farsa logo foi descoberta. Mas ficou a dúvida: quem seria o turista da foto? Um empresário brasileiro de Campinas chegou a dizer que o rosto era dele, mas não apresentou provas confiáveis. Semanas depois, um húngaro chamado Peter forneceu outras fotos semelhantes àquela e revelou que ele próprio havia criado o boato todo.

4. Gatinhos bonsai (2001)


Imagem: http://ding.net/bonsaikitten/bnw.html

Olha que absurdo! Filhotes recém-nascidos de pobres gatinhos estão sendo colocados dentro de recipientes de vidro para não crescer! Urina e fezes são removidas através de sondas e os bichinhos ainda recebem substâncias para deixar os ossos molengas e flexíveis e tomarem a forma da garrafa. Alguns e-mails diziam que os gatos estavam sendo vendidos em Nova York por um japonês maligno; outro contava que o experimento estava sendo feito por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Difícil de acreditar, né? Mas as imagens eram assustadoras e convenceram muita gente. A lenda virou um clássico da internet e até gerou protestos irados de protetores dos animais.

5. Bill Gates dando grana (1997)
Corram! A Microsoft está dando dinheiro para as pessoas encaminharem e-mails! Essa história surgiu em 1997 e reapareceu anos seguintes. “Parece que a Microsoft está testando algum novo programa para rastrear e-mail e a empresa precisa de voluntários para ajudar. Ele me mandou um e-mail que recebeu da Microsoft – o e-mail era do próprio Bill Gates! Duas semanas depois, como recompensa pela participação, meu amigo recebeu um cheque de milhares de dólares”, dizia a mensagem. Outras versões prometiam prêmios variados e esse boato foi ressuscitado outras vezes em anos seguintes. Em 2004, uma mensagem até citou valores: você receberia uma recompensa de 245 dólares para cada pessoa a quem mandasse o e-mail. A cada vez que essa pessoa o reencaminhasse, você receberia mais 243 dólares. Difícil de acreditar, não? Mas, por via das dúvidas, o pessoal encaminhava e lotava a caixa de todos os seus contatos. Custava nada, né?

Por Ana Carolina Prado, Revista Superinteressante

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Em crise há 7 anos, TV Globo diminui meta de audiência para 2011

Sofrendo há sete com a fuga de telespectadores, a Rede Globo de televisão reviu sua meta de audiência e diminuiu em quatro pontos a média ideal de ibope diário. Segundo a coluna "Outro Canal" desta quinta-feira (31), da Folha de S.Paulo, a emissora estabeleceu como meta 18/19 pontos de média no Ibope.

Antes da revisão, a emissora trabalhava com uma média de 22 pontos diários, previsão que não alcançava desde 2004. Entretanto, desde fevereiro que o Ibope tem registrado queda na audiência da Globo — sua média foi de 15,9 pontos no mês passado.

"Mantemos a relação de distância de audiência com as outras redes", tergiversa o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, ao falar sobre os novos índices. Florisbal também prometeu que a Globo terá 90% sua programação transmitida em Alta Resolução (HD) até 2012, começando pelo horário nobre.

Uma das evidências da crise é que a 11ª edição do Big Brother Brasil, encerrada na terça-feira (29), teve média de apenas 29 pontos de audiência e 49,1 % de share (participação no total de televisores ligados). O índice da despedida passa bem longe da final da edição passada, em 2010, que marcou 40,6 pontos, com 64,1% de share.

A final do BBB 9 registrou 40,8 pontos, com 61% de share, a do BBB 8, 45,6 pontos, a do BBB 7 49,9 pontos e a do BBB 6 foi de 51,8 pontos. O melhor índice de final do programa veio em 2005: 57,4 pontos com quase 80% de share no horário.

Da Redação, com agências

Vermelho.org

quarta-feira, 30 de março de 2011

Uma amizade verdadeira



No final deste vídeo, após as declarações de Lula na entrevista coletiva, um trecho inédito, com uma das últimas visitas do presidente Lula ao seu amigo e vice-presidente José Alencar. Lula dizia que ambos subiram juntos a rampa do Planalto e desceriam juntos, após passar a faixa presidencial para Dilma.

Lula diz:

- Não há hipótese de haver uma amizade mais forte...

Trajetória de José Alencar


De:

Trajetória de José Alencar

O boletim divulgado no fim da manhã desta terça-feira 29 informava que o ex-vice-presidente apresentava um quadro de oclusão (obstrução) intestinal e peritonite (inflamação do peritônio, uma membrana que reveste a cavidade abdominal), em condições críticas. Raul Cutait, médico integrante da equipe que cuidava de Alencar, havia dito que o tratamento estava sendo feito à base de medicamento para aliviar as dores. “Não tem mais condições de tratamento. Estamos dando suporte para ele não sofrer”, afirmou.

Com roupa de hospital, deitado numa maca, envolto por aparelhos e sempre com alguma personalidade do universo político ao lado. Essa é a lembrança mais marcante dos últimos dias de vida do ex-vice-presidente José Alencar. Seu delicado histórico médico sobressaiu sua trajetória profissional. Não é para menos, desde 2000, lutava contra um câncer na região abdominal pelo qual passou por inúmeras cirurgias e até tratamento experimental nos Estados Unidos.

Mas quem foi o homem de negócios que da pequena Itamuri, em Minas Gerais, ocupou um dos cargos mais importantes da política?

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro de 1931, num povoado à margem do rio Glória, chamado Itamuri, município de Muriaé, Minas Gerais, é o décimo primeiro descendente do casal Antonio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, de um total de 15 filhos. Cedo, aos sete anos, já ensaiava os primeiros passos para os negócios atrás do balcão da loja do pai. Aos 14 anos, decidiu que era hora de ir mais longe. E em Muriaé, ainda no interior de Minas, foi trabalhar numa loja de tecidos. Em 1948, Alencar mudou-se para Caratinga onde trabalhou com vendedor.

De vendedor a empresário

Aos 18, com a ajuda do irmão mais velho Geraldo Gomes da Silva, depois de ser emancipado pelo pai, abriu as portas de sua primeira empresa: “A Queimadeira”, em Caratinga.

Ele chegou a morar na própria loja, “atrás da prateleira”, e comer de marmita fazia parte do esforço para baixar os custos e tornar competitiva a lojinha que vendia quase de tudo: tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, sombrinhas, armarinhos, etc.

Pouco tempo depois, aos 20, casou-se com Mariza Gomes da Silva, com quem teve duas filhas Maria da Graça e Patrícia e um filho Josué, que, atualmente, controla as empresas do pai.

Com a morte do irmão Geraldo, Alencar é chamado para assumir os negócios que o mais velho havia iniciado em Ubá. A empresa era a União dos Cometas, de Geraldo Gomes & Cia. Com a reestruturação societária, em homenagem ao principal fundador, adotou a razão social Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, José Alencar construiu a Cia. Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde ganharia outro nome, Wembley Roupas S.A.

Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, da área de beneficiamento de algodão – fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas, que hoje é uma das maiores empresas do setor têxtil. Com 15 fábricas no Brasil, cinco nos Estados Unidos, uma na Argentina e uma no México, emprega mais de 15 mil trabalhadores.

De empresário a vice-presidente

José Alencar quis mais e em 1994 candidatou-se a deputado estadual, ficando em terceiro lugar com 10,71% dos votos válidos. Esse era apenas o começo de sua carreira política. Depois de sua estreia no meio político, Alencar candidatou-se, em 1998, a senador, obtendo quase 3 milhões de votos. Foi durante esse mandato que defendeu o empresariado brasileiro e fez duras críticas ao governo da época pela não realização das reformas política e econômica.

Mas um cargo mais alto ainda estava por vir e em 2000, ao comemorar os 50 anos de sua carreira como empresário, numa celebração com a presença de familiares, figuras políticas entre governadores, líderes de partidos, prefeitos e ministros, seu discurso encantaria uma das mais emblemáticas personalidades do cenário político brasileiro, o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, ainda não havia sido confirmada sua participação, pela quarta vez, como candidato às eleições para a presidência em 2002, mas saiu daquela festa já sabendo quem era seu vice.

Lula não resistiu à figura lutadora, cativante e com espírito nacionalista, que construiu um império, e agora estava no topo do mundo empresarial. Um homem chave para dialogar com o setor empresarial ao lado do governo petista.

Mesmo sendo um empresário milionário, Alencar sempre buscou manter sua simplicidade, e aceitou a missão de ser vice do metalúrgico para junto promoverem o desenvolvimento do Brasil, principalmente nas áreas sociais, que mais marcaram o governo Lula.

Muito disputado por sua desenvoltura política, Alencar foi assediado por três partidos: o PTB, PSD, mas acabou se desfiliando do PMDB para ingressar no PL que depois mudou o nome para PRB.

Antes já havia sido presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais e diretor da Associação Comercial de Minas, além da Câmara de Dirigentes Lojista de Belo Horizonte. No governo Lula, já como vice-presidente, em 2002, se tornou um dos interlocutores do governo com o setor empresarial, como era esperado. Uma aliança partidária histórica, das mais difíceis já realizadas, entre dois partidos com ideologias tão diferentes.

Mas o senador Eduardo Suplicy tratou de citar José Alencar, num momento de saudação da aliança, como um empresário de visão social, que emprega 15 mil pessoas. “Juntos, [PT e PL] podem fazer a justiça social que este governo, o governo de Fernando Henrique Cardoso, não fez”, disse Suplicy em junho daquele ano.

Alencar e o câncer

Apesar de ter descoberto o câncer em 2000, José Alencar resistiu aos compromissos de vice-presidente. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo.

No final de seu mandato como vice, em 2010, sua saúde estava delicada, sendo necessário inclusive a interrupção do tratamento contra o câncer. Desde então, o estado de saúde de Alencar começou a se agravar.

Em janeiro deste ano ele voltou a ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Sírio-Libanês com perfurações no intestino, mas recebeu alta para ser homenageado com a comenda de Cidadão Paulistano no dia 25, data do aniversário da cidade.

Ele recebeu a Medalha 25 de Janeiro entregue pela presidenta Dilma Rousseff que, no discurso, destacou que participava da cerimônia como Presidenta da República, mas sobretudo como cidadã brasileira “para homenagear uma pessoa de tão profunda dimensão humana que todo o nosso povo aprendeu a respeitar, admirar e amar sem limites [...]nosso eterno vice-presidente da República, José Alencar”, afirmou. Nesse dia, integrantes de vários partidos, tanto de oposição quanto da situação, como o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deixaram de lado as diferenças ideológicas para apertar as mãos do ex-vice.

Dentre as inúmeras visitas que recebeu enquanto internado, Alencar sempre fazia alguma declaração que repercutia na imprensa. Uma delas, em dezembro de 2010, Alencar reclamou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a alta dos juros. Algo recorrente em seu mandato.

Com o jornalista Ricardo Kotscho, em fevereiro deste ano, falou sobre a aposentadoria do jogador Ronaldo. Ao lado do deputado federal Albano Franco (PSDB-SE), chegou a dizer que estava “preparado para morrer”, mas que pretende “viver até quando for digno”. Em entrevista a Jô Soares no ano passado, José Alencar repetiu mais uma vez a frase que sempre dizia: “Se Deus quiser me levar, ele não precisa do câncer para isso. E se ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve”. O homem resistiu bravamente, e todos os brasileiros foram testemunhas disso.

Matéria originalmente publicada no sítio da revista CartaCapital

segunda-feira, 28 de março de 2011

Brasil vence EUA em disputa na OMC sobre suco de laranja

A Organização Mundial do Comércio (OMC) se posicionou a favor do Brasil na ação que contesta as medidas antidumping aplicadas pelos Estados Unidos na importação de suco de laranja.

O comitê de arbitragem oficializou a sua posição de que as medidas adotadas pelos americanos são incompatíveis com as normas internacionais. A principal queixa brasileira é contra a metodologia conhecida como “zeroing” ou zeramento.

Por esse sistema, o governo ignora margens de dumping negativas (vendas acima do valor normal) nos cálculos totais e as contabiliza como zero. Na outra ponta, serão contabilizados apenas os casos com margens de dumping positivas (vendas abaixo do valor normal).

Essa situação contribui para que a oscilação dos preços com tempo seja considerada como comércio desleal. A OMC, contudo, avaliou o zeramento como ilegal. Os Estados Unidos terão entre 20 e 60 dias para se adequar às normas internacionais de comércio.

“O governo brasileiro espera que os Estados Unidos deem cumprimento às determinações do painel no menor prazo possível, em sinal claro de respeito às disciplinas multilaterais de comércio”, disse o Itamaraty em nota.

Além do Brasil, outros nove países (Canadá, União Européia, Japão, Equador, Tailândia, México, Coreia, Vietnã e China) já abriram contenciosos contra os Estados Unidos na OMC a respeito

Por Valor Online

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