sábado, 15 de janeiro de 2011

“Uma verdadeira máquina de fazer milhões”

Sergei Aleynikov foi declarado culpado por roubar um algoritmo. Pode ficar dez anos na prisão. Um algoritmo é, segundo o Dicionário da Real Academia [Espanhola], “um conjunto ordenado e finito de operações que permite solucionar um problema”. E também “um método e notação das diferentes formas de cálculo”. Ninguém conhece os detalhes do algoritmo que Aleynikov roubou. Mas uma coisa é clara: é uma ferramenta matemática que permite ao seu prorietário, o banco de investimento Goldman Sachs, ganhar milhões por ano.

Aleynikov não era um 'trader' da Goldman Sachs, mas sim um programador de computadores do banco cujo salário era de 400 mil dólares brutos anuais (300 mil euros). Em 2009, este cidadão norte-americano emigrado da Rússia em 1991, recebeu uma oferta de 1,15 milhões de dólares brutos (875 mil euros) para trabalhar na Teza Technologies, em Chicago. Aleynikov aceitou e decidiu levar o algoritmo com ele, transferindo-o para um servidor na Alemanha. A Goldman Sachs descobriu e ele acabou na prisão.

Teza Technologies queria o algoritmo do Goldman porque é um empresa que faz 'comércio de alta frequência' ou, como se diz nos EUA, 'HTF' ('High Frequency Trading'). É um tipo de operação em que os mercados financeiros baseiam-se no uso de computadores e programas informáticos através dos quais compram e vendem todo o tipo de ativos financeiros em, literalmente, milissegundos. É um sistema praticamente desconhecido pelo grande público, mas converteu-se no rei dos mercados.

Assim, enquanto a opinião pública continua a pensar nas velhas mesas de negociação repletas de jovens com camisa e gravata a olhar através de um ecrã ao mesmo tempo que gritam “compra” ou “vende”, a grande maioria das transacções financeiras do mundo são feitas por computadores programados e armazenados em edifícios como o novo centro de dados no valor de 76 milhões de euros que a Atlantic Metro Communications está a construir perto de Wall Street, para acomodar essencialmente computadores, técnicos e programadores.

Cada uma dessas máquinas rastreia permanentemente o mercado, analisando as diferentes plataformas de negociação – sejam estas bolsas, mercados de renda fixa ou matérias primas, praticamente à velocidade da luz. O seu objectivo é encontrar tendências na evolução dos preços dos ativos ou anormalidades no mercado.

Operando a 0,0025 segundos

Por exemplo, uma ação de uma empresa pode cotar-se, durante uns meros segundos, nuns cêntimos a mais em Frankfurt do que em Londres. Nesse caso, o computador compra essas acções em Londres e vende-as em Frankfurt. Ou pode lançar constantemente acções de compra e venda, procurando diferenças infinitesimais de preços de forma a obter benefícios. No fundo, é o clássico 'comprar barato e vender caro', mas com margens decimais e em tempos que não superam os 0,0025 segundos.

As margens são minúsculas. Mas o volume das operações, imenso, demonstra que o valor do arrendamento do edifício da Western Union, o número 60 da Rua Hudson – o centro de comunicações mais próximo de Wall Street – disparou.

Contudo, com o HTF também cresceu a incerteza. Não se pode esquecer que o mercado está assim nas mãos de máquinas. De acordo com a revista Institutional Investor, nada mais e nada menos que entre 50 e 70% de todas as transacções de todas as bolsas dos EUA realizam-se por meio do 'trading de alta frequência', apesar desta técnica só ter começado a popularizar-se a partir de 2004.

No mercado de divisas a sua presença é ainda mais recente: chegou em 2007, e já se supõe que representa 25% do mercado 'spot' (a contado), de acordo com este estudo do Banco de Pagamentos Internacionais da Basileia (BIS, siglas em inglês). Isso significa que 283 mil milhões de euros em moedas mudam de mãos em cada dia por meio deste sistema.

Os peritos afirmam que os números são mais baixos. “O HTF necessita de pouco capital. Se, por exemplo, dizem que um banco investe um milhão de dólares em 'tranding de alta frequência', na verdade pode ser que um computador tenha comprado e vendido 20 vezes acções por 50 mil dólares”, explicou ao elmundo.es Irene Aldridge, autora do livro “High Frequency Trade” e sócia do Able-Alpha Trading, uma consultora especializada nestas operações.

Isto explica os aparentes paradoxos como o seguinte: em 2009, de acordo com a consultora britânica TABB, o 'trading de alta frequência' compreende 60% das transacções de títulos nos EUA e 40% no Reino Unido, mas só alcançaram um volume de negócios de 16 mil milhões de euros. A maior parte das operações deste tipo são de carteira própria, ou seja, realizadas com fundos próprios – não dos clientes – pelos bancos e fundos.

As Vantagens

As vantagens deste trading são evidentes. Através da 'análise fundamental' que se baseia na verificação do estado financeiro de um empresa, “pode conseguir-se uma rentabilidade de 5%, mas se se atrasa duas semanas”, explica Aldridge, deve analisar-se a informação e dar as ordens de compra. Com o HFT a margem é de 0,1%, mas repete-se várias vezes ao longo do dia. Além de que, neste segmento de mercado, os custos caem constantemente. Um computador que valia 2 milhões de euros em 1984, custa hoje mil, ainda que este valor não inclua a sua programação, algo que é muito mais caro.

O HFT está a transformar as operações nos mercados financeiros de baixo para cima. As suas consequências são quatro:
*A transformação dos brokers num espécie em perigo de extinção. “Os Bancos estão a susbtituir todos esses intermediários que lhes custam milhões de dólares por ano por computadores”, explica Aldridge. Um computador como aqueles utilizados no HFT não custa mais que mil euros. Por sua vez, programá-lo por menos de 225 mil euros não é possível, se bem que normalmente o custo real é muito mais elevado. Em todo o caso, são inferiores aos de um 'broker' que facilmente cobra dois ou três milhões de euros por ano;

*A destruição da análise técnica, isto é, do exame dos 'charts' e dos gráficos das bolsas. Na verdade, o HTF apenas acelerou uma tendência iniciada com a chegada dos 'quants', quer dizer, dos peritos – físicos, astrónomos ou matemáticos – capazes de desenvolver modelos de análise de valores cada vez mais sofisticados. O 'trading de alta frequência' não pode sobreviver sem este tipo de sistemas pelo que a sua procura é cada vez maior. Assim, o hedge fund Renaissance Technologies, provavelmente o mais rentável do mundo, tem 300 trabalhadores e nenhum deles é economista. O seu fundador, Jim Simons, era um dos matemáticos mais perigosos dos EUA, com uma ampla carreira no mundo académico e no mundo da Defesa até que aos 40 anos decidiu que já estava farto de investigar e ia aplicar os seus conhecimentos matemáticos a procurar tendências no mercado e diferenças imperceptíveis em preços. Resultado: uma fortuna de 6.500 milhões de euros, segundo a 'Forbes';

* A criação de uma nova geração de instituições financeiras, desconhecidas pelo grande público, mas que estão entre as mais rentáveis do mundo e que, além disso, frequentemente não têm a susa sede principal em Nova Iorque ou em Londres. Renaissance – que se encontra perto de Hamptons, uma zona turística a 200km de Nova Iorque – é apenas uma delas. Outras relevantes são a Getco – em Chicago – e a Tradebot – na Cidade do Kansas - , são as 'número um' e 'número dois' do setor, respectivamente, com um volume de transacções diário superior, em cada uma delas, a mil milhões de acções. No total, entre 200 a 400 bancos, brokers e fundos realizam 'trading de alta frequência' regularmente nos EUA, ainda que os ativos com que operam são dos mais comuns: Citigroup, Bank of America, General Electric e Intel foram os cinco valores mais negociados por estes traders entre Abril de 2008 e Abril de 2010, segundo a consultora Woodbine Associates;

*A explosão do mercado. Até há três ou quatro anos, a maior parte das operações de câmbio de divisas, por exemplo, faziam-se por telefone. Agora, a cada dia se utiliza mais os computadores e o HTF. A consequência, segundo o BIS, é que o volume do mercado de dividas cresceu cerca de 20% em três anos, chegando a rondar os 4 biliões de dólares diários (3 biliões de euros) “apesar da crise financeira de 2007 a 2009 e das recentes turbulências no mercado de títulos de dívida soberana na Europa”.

Agora veja-se, o 'trading de alta frequência' também é controverso. Como declarou o senador do Delaware, Ted Hauffman, “temos todos esses gorilas e para quê? Metemo-los em zoos com gente que não tem nem a autoridade nem a informação para lidar com eles”.

E o 'high frequency trading' tem muitos inimigos. Por vários motivos. O mais óbvio, como assinala Hauffman, é não estar regulado. Para complicar as coisas, bastantes vezes estas operações são realizadas no chamados 'dark pools', isto é, em mercados nos quais o comprador e o vendedor não se identificam, assim, a opacidade da operação é total. Em terceiro lugar, os 'traders de alta frequência' conseguem operar com muito pouca liquidez, “podendo cair como dominós se um acontecimento inesperado os obriga a manter posições que registam menos-valias por pouco mais do que uns segundos”, explicaram Nicholas Paisner e Edward Hdas no boletim 'online' Breakingviews.

Também o facto de que os algoritmos não têm em conta a qualidade da gestão de uma empresa ou da situação política de um país que acaba de realizar uma emissão de títulos: a eles só lhes interessa o preço e o comportamento do mercado. Para os computadores, os títulos de Portugal, Espanha, Grécia, França ou da Bélgica não são dívidas de país com governos, sindicatos e situações políticas diversas, são apenas ativos financeiros que se compram e vendem. Neste contexto, os computadores reforçam de forma dramática as tendências do mercado.

Pode-se então produzir aberrações como aquelas sucedidas durante o 'flash crash', ou seja, o famoso derrube de Wall Street no dia 6 de Maio quando o parque nova-iorquino perdeu 998 pontos em cinco minutos e recuperou-os em outros quinze. Naquela altura, o operador de alta frequência, Tradervox, chegou a vender, num claro exemplo de como os computadores podem reagir numa situação de caos, acções do gigante da consultoria Accenture, por um centavo de dólar, apesar da empresa estar a ver 40 dólares antes de que o mercado se tornou literalmente louco.

Mas esta é só a parte negativa do HTF. Os defensores deste sistema usam quase os mesmo argumentos para realçar as suas vantagens. Afirmam, em primeiro lugar, que os algoritmos “não vêem televisão nem ouvem rádio, portanto, não são susceptíveis a pânicos nem a euforias colectivas”, como assinala Aldridge. Por outras palavras, estabilizam o mercado. Ao mesmo tempo, a sua ação incrementa, pelo menos em teoria, a liquidez do mercado.

O certo é que, enquanto o debate se arrasta, o 'high frequency trading' continua a crescer. Os esforços dos Democratas no Senado dos EUA para regular-lo estão virtualmente paralisados depois das eleições do passado 2 de Novembro em que os Republicanos, que se opõem a qualquer controlo, conseguiram uma minoria de bloqueio suficientemente grande para imperdir qualquer reforma. E, ao fim e ao cabo, deve ter-se em conta que, por muito que se culpem os computadores, os programadores são sempre seres humanos. De facto, o 'flash crash' do dia 6 de Maio não começou com nenhum computador, mas sim com um operador que deu uma ordem de vem da Accenture tão monstruosamente alta que sozinho fez cair o mercado.

O qual poder ser bom ou mau. Como afirma nas suas memórias 'My life as a quant?', Emanuel Derman, um físico sul-africano que foi um dos pioneiros nos métodos quantitativos em Wall Street e que hoje ensina na Universidade de Columbia, “a capacidade de provocar uma tremendas destruição com os teus modelos é fonte de uma enorme responsabilidade”. No entanto, até agora quem foi mais destruído pelos algoritmos do 'trading de alta frequência' foi Sergei Aleynikov.

Esquerda.net

Na mira do sonho americano

O portal de internet do comitê político de Sarah Palin incluía Gabrielle Giffords, a parlamentar do Arizona, na lista dos 20 membros do Congresso que tinham aprovado a legislação de Obama sobre a saúde. Não era uma lista qualquer. Os nomes apareciam abaixo de um mapa, a cujos estados esses parlamentares pertencem, marcados com a típica cruz de mira telescópica de um rifle. Na parte superior do mapa havia outra legenda belicosa, em que se faz alusão à necessidade de resistir.

A que se deve resistir, senhora Palin? Resposta: a nada menos que a marcha secular em direção ao socialismo que a administração Obama quer impor aos Estados Unidos. Assim mesmo: há uma marcha secular em direção ao socialismo e Obama é o artífice dessa transformação. Essa retórica foi referência repetida de Palin e de outros safados da extrema direita nos Estados Unidos.

Desde que apareceu o mencionado mapa no portal da senhora Palin www.palinpac.com muitas pessoas notaram essa incitação à violência. Mas nem Palin, nem os seus seguidores fizeram algo para mudá-la ou para modificar o tom da retórica utilizada para designar os seus opositores políticos. A senhora Palin introduziu seu mapa dos 20 parlamentares democratas malvados no twitter, com a frase: “Não retrocedam! Ao contrário, recarreguem!”.

Hoje a representante Giffords luta para sobreviver num hospital de Tucson, depois que um fanático disparou contra ela, na cabeça, em 8 de janeiro, no momento em que a parlamentar levava a cabo uma reunião destinada a entrar em contato direto com seus eleitores. O assassino matou 6 pessoas (inclusive uma criança de 9 anos) e feriu outras 14. Pode ser que o homicida Jared Loughner seja uma pessoa perturbada mentalmente, mas isso não elimina a conexão com o discurso da incitação à violência utilizado por Palin e muitos políticos que mantém posições conservadoras nos Estados Unidos.

O opositor de Gifford no mesmo distrito eleitoral em 2010 é Jesse Kelly, membro da extrema direita do Partido Republicano. É provável que este personagem seja quem mais longe foi na incitação à violência. Sua marca de campanha no ano passado incluía a convocatória a um ato com estas palavras: “Dê a vitória em novembro ao branco. Ajude a retirar Gabrielle Giffords de seu posto. Dispare um M16 automático com Jesse Kelly”. O quadro mostrava o político, um ex-marine, com seu uniforme de campanha, empunhando seu querido fuzil.

A militarização da retórica eleitoral nos Estados Unidos não é casualidade. Em meio a sua pior crise econômica em sete décadas, o país cada vez afunda mais numa trajetória de decadência. Seu setor financeiro, outrora orgulho de seu desempenho econômico, foi o epicentro dessa crise. Hoje a triste recuperação promete altos níveis de desempenho para muitos anos. A desigualdade econômica se parece cada vez mais com a de um país subdesenvolvido, dominado por uma oligarquia feroz. A extraordinária concentração de riqueza vai de par com a deterioração do sistema educativo em todo o país. Por último, os desequilíbrios macroeconômicos que marcam a economia estadunidense não são só um problema doméstico, mas, dado o papel chave do dólar no sistema internacional de pagamentos, pioram a dor de cabeça da economia mundial.

O senhor Loughner provavelmente não tem ideia desses problemas. Em seu delírio, pensa que só atua defendendo o Sonho Americano que a senhora Palin reclama para si com tanta insistência. Equivoca-se. O paradoxo é que a deputada Giffords não era a única na mira da nova extrema direita estadunidense. O principal alvo desse movimento é precisamente toda a geração de Loughner, uma geração golpeada e condenada a viver sem educação, sem a promessa de um emprego bem remunerado e estável, sem serviços de saúde adequados. Uma geração perdida que nunca poderá aspirar a um melhor nível de vida. Seu sacrifício é para que uma pequena minoria de privilegiados possam viver o sonho americano, sem sonhar com mais nada.

Samuel Johnson, autor inglês da segunda metade do século XVIII disse que o patriotismo era o último refúgio do canalha. Sua sentença se aplica bem ao caso da extrema direita estadunidense. Ninguém duvida da safadeza de personagens como Palin e alguns pseudo-jornalistas, mas agora se tem a conexão direta com o super patriotismo homicida.

Só que não há que se esquecer que no Arizona já existia um ambiente político protofascista que literalmente tem os imigrantes latinos na mira. A direita e seus aliados nos meios de comunicação foram o motor do clima de ódio que impera não só no Arizona, mas em muitos outros estados. Afinal de contas, como disse Soljenitsin, todo aquele que proclama como método a violência inexoravelmente deverá eleger a mentira como princípio.


Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada.
Tradução para a Agência Carta Maior: Katarina Peixoto

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Emergentes serão responsáveis por 46% do crescimento global este ano

Os países emergentes, entre eles Brasil, China e Índia, serão responsáveis por quase metade do crescimento econômico mundial em 2011, segundo estimativa do Banco Mundial (Bird) divulgada ontem. A previsão é de que essas nações representem 46% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o mundo neste ano.

A estimativa do banco é de uma redução no ritmo do crescimento da economia mundial durante este ano, depois de uma expansão de 3,9% em 2010. O Bird prevê um crescimento de 3,3% em 2011, e de 3,6% em 2012. Para o Brasil, o relatório prevê um crescimento do PIB real de 4,5% durante este ano e de 4,1% em 2012.

A média de expansão econômica entre os países ricos deve ficar em 2,4% em 2011. Entre os países em desenvolvimento, a média prevista é de 6% . "É um sinal encorajador, não apenas da saúde financeira dessas economias, mas também do crescente papel que elas vêm desempenhando na economia global", diz Andrew Burns, gerente de Macroeconomia Global do Grupo de Perspectivas de Economias de Desenvolvimento do Banco Mundial.

Burns alerta que o cenário positivo pode mudar caso haja um agravamento na situação fiscal de alguns países europeus. "Essa possibilidade não apenas reduziria o potencial de crescimento da economia europeia, como também poderia resultar em consequências negativas para os emergentes", diz.

O estudo afirma que de uma maneira geral a economia do mundo vem passando "de uma fase de recuperação pós-crise para um crescimento mais lento, porém ainda sólido neste ano e no próximo".

O documento aponta para uma melhora no cenário econômico na América Latina e Caribe. Segundo ele, a região conseguiu sair da crise global de maneira positiva, em comparação tanto com o desempenho do ano anterior como com a recuperação de outras partes do mundo. Para 2010, o Bird prevê que o PIB regional tenha crescido para 5,7%, "semelhante à média registrada no surto de crescimento verificado no período 2004-2009". Segundo o relatório, a leve redução do ritmo de crescimento regional prevista para 2011, se deve a fragilidades na conjuntura econômica em outras partes do mundo.

O Banco Mundial também chama atenção para países da região que estão vulneráveis a fluxos de capital que podem desestabilizar a economia. A atividade econômica da região começou a se recuperar na segunda metade de 2009, com a produção industrial crescendo 10% durante o quarto trimestre.

DCI / PanoramaBrasil

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

China é a pior, quando se trata de censura

Julian Assange diz que Pequim possui tecnologia de interceptação agressiva e sofisticada, e que a WikiLeaks trava uma batalha para garantir o fluxo de informação e que os leitores chineses possam chegar ao site.

O cineasta e jornalista John Pilger entrevistou Julian Assange para a New Statesman. O blog da revista publica alguns extratos da entrevista, traduzidos e reproduzidos abaixo.

"A China é o pior criminoso", quando se trata de censura, diz Assange. "A China tem tecnologia de interceptação agressiva e sofisticada que se coloca no meio de todos os leitores no interior da China, e de todas as fontes de informação no exterior. Estamos a travar uma batalha para garantir que a informação possa passar, e existem hoje todas as formas de os leitores chineses poderem chegar ao nosso site."

Sobre Bradley Manning – o soldado dos EUA acusado de entregar os telegramas diplomáticos à WikiLeaks – Assange diz: "Nunca tinha ouvido o seu nome antes de ter sido publicado na imprensa." Ele argumenta que os EUA estão a tentar usar Manning – atualmente preso em solitária nos EUA – para mover um processo contra o fundador da WikiLeaks:

"Quebrar Bradley Manning é o primeiro passo", diz o hacker australiano. "O objetivo é claramente quebrá-lo e forçá-lo a confessar que de alguma forma ele conspirou comigo para prejudicar a segurança nacional dos Estados Unidos".

Essa conspiração seria impossível, de acordo com Assange. "A tecnologia da WikiLeaks foi projetada, desde o início, de forma a garantir que nunca sabemos a identidade ou nomes de pessoas que enviam material. É tão impossível seguir-hes a pista quanto é impossível censurar-nos. Esta é a única forma de garantir proteção às fontes".

Os advogados Assange advertiram que se ele for extraditado para os Estados Unidos pode enfrentar a pena de morte – para embaraçar os líderes do governo dos EUA. "Eles não querem que o público saiba destas coisas e é necessário encontrar 'bodes expiatórios'", diz Assange.

E, apesar da pressão que o site tem sofrido, os relatos sobre os problemas da WikiLeaks são muito exagerados, afirma Assange.

"Não há 'queda' Nunca publicamos tanto como agora. A WikiLeaks agora é espelhada em mais de 2.000 sites. Não posso controlar os sites que estão a fazer a sua própria WikiLeaks... Se algo acontecer a mim ou à WikiLeaks, serão divulgados arquivos de 'seguro'. "

O conteúdo desses arquivos é desconhecido, mas, de acordo com Assange, "eles falam mais da mesma verdade do poder". Mas não é só o governo que deveria estar preocupado com o conteúdo desses arquivos. "Há 504 telegramas da embaixada dos EUA sobre uma organização de média e há telegramas sobre Murdoch e a News Corp", diz Assange.

As tentativas dos EUA de indiciar Assange deveriam preocupar a imprensa mainstream, acrescenta.

"Acho que está a surgir nos média mainstream a consciência de que se eu posso ser indiciado, outros jornalistas também podem," diz Assange. "Mesmo o New York Times está preocupado. Não costumava estar. Se uma fonte era processada, editores e repórteres estavam protegidos pela Primeira Emenda, coisa que os jornalistas tinham como certo. Isso está a perder-se."

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A guerra do capital contra a WikiLeaks

Poderá o fenômeno da fuga de informação sustentar o assalto contínuo feito pelo setor empresarial para triunfar na primeira ciber-guerra de sempre? Por Mark LeVine, Al Jazira

Quando o banqueiro suíço nos atira ao mar, sabe-se que se fez alguns inimigos muito poderosos.

Afamado desde há muito por ocultar dinheiro para toda a gente desde os nazis e barões da droga aos espiões e ditadores, o ramo bancário do governo suíço decidiu que a WikiLeaks e Julian Assange eram realmente demasiado quentes de pegar mesmo para ele.

E, assim, o PostFinance, que dirige os bancos do país, declarou no início de Dezembro que tinha "terminado a sua relação comercial com o fundador da WikiLeaks, Julian Paul Assange" depois de acusar o Sr. Assange de – falta de ar! – fornecer informação falsa sobre o seu lugar de residência.

Esta jogada seguiu-se a jogadas semelhantes das companhias de cartões de crédito MasterCard e Visa, bem como da PayPal e da Amazon.com, de deixarem de processar pagamentos à WikiLeaks e, no caso da Amazon.com, de deixarem de alojar os seus dados.

No momento em que escrevo isto, o Bank of America juntou-se à onda crescente de corporações que fazem da WikiLeaks alvo, recusando continuar a processar-lhe pagamentos por causa "da crença razoável de que a WikiLeaks pode estar comprometida com atividades que são, entre outras coisas, inconsistentes com a nossa política interna de processamento de pagamentos".

E pouco depois a própria Apple se juntou ao coro, pondo um ponto final a uma aplicação WikiLeaks dias depois apenas de ter posta à venda no seu Sítio Web iTunes. Todos os setores da economia corporativa, parece, estão a lançar-se na perseguição à WikiLeaks.

Concentrando-se no "neocorporativismo"

Os agentes da CIA, os patrões da máfia e outros clientes bancários suíços desse tipo, os quais foram provavelmente bem menos francos nas suas representações pessoais do que Assange alegadamente é, ter-se-iam também preocupado com a lealdade e a discrição dos seus banqueiros suíços?

Provavelmente não. É que os criminosos do mundo, os autocratas e os espiões fazem bem parte do sistema econômico político global, mesmo se às vezes estão em lados opostos.

Mas a WikiLeaks opera também fora do sistema, procurando ao estilo "Matrix" usar a tecnologia – a Internet – para o "destruir", metendo o nariz e trazendo ao escrutínio público, expondo as conspirações constantes dos poderosos contra o resto da sociedade.

Esta tarefa, argumenta Assange, é a maneira mais importante de ajudar a libertar milhões de vítimas do sistema muitas vezes cúmplices – ainda que não propriamente de boa vontade – e, ao fazê-lo, "mudar ou anular... o comportamento do governo e dos neocorporativistas".

Como teórico político, Assange deixa um pouco a desejar. O "Neocorporativismo" descreve um sistema no qual capital e trabalho se enredam numa relação integrada mas, ao fim e ao cabo, dependente dum aparelho de estado poderoso e autónomo – uma atualização da relação triangular que permitiu o crescimento econômico e os ganhos sem precedentes para a classe trabalhadora no Ocidente nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial.

Ideologicamente, esta espécie de relação de trabalho de proximidade entre governo, grandes empresas e trabalho organizado é a antítese do sistema neoliberal que a WikiLeaks procura combater.

Mas Assange tem razão em que há algo "neo", se não exatamente novo, na maneira como o setor corporativo se está a comportar hoje e na sua relação com o governo. Repousa em abraçar – ou melhor, voltar a abraçar – o capitalismo financeiro, o império militarista e o complexo industrial militar que o sustenta.

Alimentando-se ora de consumidores inconscientes no meio da América, ora de revoltosos suspeitos no Oriente Médio, estes são dois dos setores mais secretos da economia americana. Dependem de o público saber tão pouco quanto possível sobre os seus feitos mais esconsos para garantir a maior liberdade de ação, os maiores poder e lucros possíveis.

O poder do segredo

O abandono de Assange pelo sistema bancário suíço e pelos seus primos corporativos americanos não é portanto surpreendente. Poucos setores econômicos usaram o segredo e a falta de clareza mais eficazmente do que a banca, os serviços financeiros e as empresas de cartões de crédito.

De fato, as suas práticas de negócios secretas são centrais para a sua capacidade constante de esgadanhar lucros enormes à custa dos americanos trabalhadores e de classe média através da monopolização dos sistemas comerciais, da cobrança de taxas de juros e comissões usurárias, e entregando-se a outras práticas que fariam corar até o mais insensível tubarão solitário.

Se a grande contratualização entre trabalhadores, capitalistas e governos permitiu que as duas primeiras gerações do pós-segunda-guerra-mundial saíssem do liceu diretamente para a classe média, este caminho foi irremediavelmente danificado nos anos 80, quando a direita neoliberal subiu ao poder pela primeira vez.

À medida que os Estados Unidos entraram na sua longa e dolorosa era de desindustrialização a política externa americana tornou-se mais agressivamente militarista; e assim juntar-se aos militares contra a GM ou a Ford tornou-se uma das poucas vias para garantir qualquer espécie do futuro econômico estável (desde que se ficasse no exército).

Sem surpresa, os lucros do setor financeiro ultrapassaram os do setor industrial no início dos anos 90 e não caíram desde então. Mas esses lucros e o crescimento econômico que geraram confiaram desmesuradamente na dívida do governo e dos consumidores e num esvaziamento do setor industrial, o que no seu conjunto ajudou a tornar os EUA "o doente do globo", como disse um economista corporativo sénior.

Pelo seu lado, a GM, a Ford e a Chrysler focaram simultaneamente a maior parte das suas energias na produção de esponjas-de-combustíveis comparativamente lucrativas como os veículos todo-o-terreno, enquanto estabeleciam ramos de serviços financeiros que rapidamente ficaram responsáveis por uma parte substancial dos seus lucros (em alguns anos mais de 90 por cento dos lucros são conseguidos assim).

As suas práticas de empréstimo, vale a pena notar, incluem aquele tipo de empréstimos à habitação "mentirosos", atribuídos com pouca preocupação quanto à capacidade dos tomadores de empréstimo de os pagar e que precipitaram a crise econômica global de 2007 até hoje.

Financiarização e história

Nenhuma dessas práticas teria resistido à luz do escrutínio público, e foi apenas a corporatização – em boa medida a financiarização – da política americana que permitiu que eles florescessem nos últimos trinta anos. Poucas empresas ameaçam tanto aquele segredo como a WikiLeaks e o seu foco tipo laser numa abertura, razão pela qual as suas ações são examinadas em Washington como "atingindo o próprio coração da economia global".

A "financiarização" da economia representa a dominação crescente da economia no seu conjunto pelas indústrias financeiras, assumindo "o papel econômico, cultural e político dominante numa economia nacional".

Crucialmente, este processo não é único nos Estados Unidos; também aconteceu a impérios anteriores, como os impérios dos Habsburgo, holandês e britânico, precisamente nas eras em que eles perderam a sua posição global dominante. Em todos os casos, o financiarismo e o militarismo andaram de mãos dadas, como apontou em primeiro lugar o famoso livro de 1902 do historiador britânico John Hobson "Imperialism: A Study".

Nele Hobson argumentou que a monopolização do setor financeiro criou uma nova oligarquia que uniu os grandes bancos e as firmas industriais juntamente com os "promotores da guerra e especuladores" que encorajaram o imperialismo a garantir mercados para os produtos excedentários das corporações.

A elevação da América à dominação global veio depois do fim da era imperial e portanto não pôde conquistar descaradamente território para criar novos mercados. Mas no momento da sua elevação, os decisores políticos apelaram ao governo para que usasse elevadas despesas militares para garantir um crescimento econômico geral robusto.

Isto coincidiu com a expansão rápida do crédito facilmente obtível, criando dois "buracos negros gigantescos" (nas palavras dos economistas israelitas Shimshon Bichler e Jonathan Nitzan) cujo potencial de expansão foi limitado apenas pela disponibilidade dos cidadãos para apoiar a política que lhes deu aquelas oportunidades, apesar do dano a longo prazo ao bem-estar econômico e político das suas sociedades.

Durante os trinta primeiros anos da era da Guerra Fria a propensão para o militarismo foi equilibrada por uma economia de fabricação robusta e pela relação tripartida governo-trabalho-empresas que a garantiu.

Isto começou a mudar nos anos 70 quando a guerra enormemente cara e lucrativa do Vietname começou a abrandar.

Como Nitzan e Bichler descrevem no seu livro extremamente importante "The Global Political Economy of Israel", começou neste período a "haver uma convergência crescente de interesses entre as principais corporações do petróleo e de armamento do mundo. O politização do petróleo, a par da comercialização das exportações de armas, ajudou a formar uma difícil coligação armamentodólar-petrodólar entre estas companhias".

O mais crucial na análise de Nitzan e Bichler é que uma das formas mais importantes para as indústrias do armamento e do petróleo conseguirem ganhar um desproporcional nível de lucros ("diferencial" como eles o descrevem) foi através da erupção regular de conflitos energéticos no Oriente Médio, que asseguraram tanto preços altos relativos de petróleo como compra de armas.

McDonald's e McDonnell Douglas

À medida que este processo se desenvolveu, os autores explicam que "as linhas que separam o estado do capital, a política externa da estratégia corporativa e a conquista territorial do lucro diferencial, já não parecem muito sólidas".

O colunista do New York Times Thomas Friedman, di-lo de forma mais colorida: "a mão oculta do mercado nunca funcionará sem o punho oculto. A McDonald's não pode florescer sem McDonnell Douglas – e o punho oculto que mantém o mundo seguro para as tecnologias de Silicon Valley florescerem chama-se Exército, Força Aérea, Marinha, e Corpo de Marines dos Estados Unidos".

Isto é o "neocorporativismo" em que Assange e os seus camaradas da WikiLeaks se concentraram, embora hoje, mais de uma década depois de Friedman ter escrito as palavras acima mencionadas, o Master Card seja mais relevante do que a McDonald's.

O problema é que a WikiLeaks não pode sozinha virar o bico ao prego neste conflito.

Assange bem poderia ser "um terrorista de alta tecnologia", como o Vice-Presidente dos Estados Unidos Joseph Biden recentemente lhe chamou, dado o terror com que as suas acções atingiram o coração do sistema político americano.

Mas os EUA são no fim de contas um só num grupo de países e corporações poderosos cujos líderes partilham um compromisso fundamental em garantir para eles mesmos tanto lucro e poder quanto possível, por muito que os seus métodos e a política se diferenciem.

De fato, um olhar sóbrio sobre os dados relevantes revela que a quota dos lucros dos setores financeiros fora dos EUA foi quase sempre significativamente mais alta do que nos EUA, o que significa que o resto do mundo está há muito tempo mais "financiarizado" do que a economia dos Estados Unidos.

Como sempre, o capitalismo e poder nunca estiveram tão convenientemente centrados num país ou região como as pessoas imaginam.

Para ter realmente impacto, a WikiLeaks tem de inspirar uma geração inteira de pessoas que produzam fugas de informação noutros países e culturas, que estejam igualmente dispostos a arriscar a sua liberdade, tal como Assange e outra gente por trás da WikiLeaks. A cultura das fugas de informação começou a ganhar raízes, contudo só o tempo dirá se resiste às forças que agem contra o seu desenvolvimento.

Se tal não acontecer – se os seus inimigos corporativos e políticos conseguirem fazer de Assange e dos seus camaradas um exemplo que assuste os que poderiam ser inspirados por ele – o Capital ganhará provavelmente a primeira "ciber-guerra" do mundo, da mesma forma que ganhou a maior parte das guerras antes dela durante a história longa, sangrenta e inimaginavelmente lucrativa da modernidade.

Mark Levine é músico profissional e professor de História do Médio Oriente na Universidade da Califórnia, Irvine. É autor de meia dúzia de livros, incluindo "Heavy Metal Islam: Rock, Religion and the Struggle for the Soul of Islam" (no prelo, Random House/Verso, CD análogo a ser lançado por MI Records).

As visões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a política editorial da Al Jazira.

Tradução de Paula Sequeiros para o Esquerda.net

Esquerda.net

Gasto da classe C cresceu 6,75 vezes, diz pesquisa

Os gastos da classe C com livros e material escolar foram os que mais aumentaram nos últimos oito anos, na comparação com as demais classes econômicas.

De acordo com pesquisa do Instituto Data Popular, os gastos dos emergentes com esse tipo de produto cresceram 6,75 no ano passado, na comparação com 2002. Considerando as classes D e E, houve um aumento de 4,97 vezes em 2010, sobre o valor despendido em 2002.

Já entre os segmentos mais abastados, classes A e B, o aumento dos gastos com livros e material escolar foi de 2,28 vezes no mesmo período. Segundo a pesquisa, todos os segmentos registraram elevações nos gastos com esse tipo de produto acima da média.

Entre 2002 e 2010, os gastos com livros e material escolar aumentaram 3,63 vezes.

Classe C no topo
Segundo o levantamento, o aumento maior dos gastos com livros e materiais escolares por parte da classe C frente aos outros segmentos deve-se, principalmente, à elevação da renda desse segmento da população.

Com renda maior, a classe emergente passa a diversificar seus gastos, saindo da cesta de produtos essenciais para a compra de outros tipos de produtos. Pesquisa do instituto, divulgada em dezembro, mostrou essa elevação do consumo dos emergentes.

Os números mostram que, entre 2002 e 2010, os gastos em geral da nova classe média brasileira cresceram 6,77 vezes – crescimento maior que os demais segmentos da população. No ano passado, as famílias da classe C gastaram R$ 864 bilhões em produtos e serviços.

Dentre as categorias de consumo que apresentaram aumento no período, viagens e educação foram destaque. A participação dos gastos em educação no total de gastos em produtos e serviços da classe C passou de 2,5% para 2,57% entre 2002 e 2010.

Uma participação ainda modesta, mas em crescimento. Somente em 2010, a classe C gastou R$ 5,29 bilhões em livros e material escolar. Em 2002, foram gastos R$ 784,4 milhões.

Outro motivo que colocou a classe C no topo foi o aumento do número de consumidores que passaram a pertencer a esse segmento, diz o estudo.

Por Correio do Estado

Brasileiro é um dos cinco mais otimistas do mundo

O povo brasileiro é um dos cinco mais otimistas em relação à economia mundial em 2011, de acordo com pesquisa Gallup Internacional.

Apenas 9% dos 2.002 entrevistados do país disseram que esperam um ano de dificuldades econômicas.

O número, semelhante ao da população vietnamita, só é superior ao da Nigéria, 2%.

Questionados sobre o que esperam para 2011, 56% dos brasileiros responderam “prosperidade econômica”.

O país com entrevistados mais pessimistas é a França, onde 61% afirmaram que o ano será de recessão.

Nos Estados Unidos, 45% disseram que 2011 será melhor que 2010, enquanto 22% responderam o contrário.

A pesquisa foi realizada entre outubro e dezembro passados, em 53 países de quatro continentes.

Por Folha de São Paulo

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