sexta-feira, 4 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Serra abandona gravação do programa de Hebe Camargo
20:24
Brasil Informado
Veja o vídeo:
Globo é única a perder público em fevereiro
20:21
Brasil Informado
Segundo medição do Ibope, a média/dia da emissora (das 7 horas à meia-noite) caiu de 17,3 pontos (janeiro) para 15,9 pontos, média de fevereiro. Se comparada com fevereiro de 2010, a queda é ainda maior, pois a média da rede na época foi de 16,4 pontos. Cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande SP.O fim do domínio absoluto da Globo
19:46
Brasil Informado
Há uma frase de Churchill: "Não se consegue a vitória apenas com recuos bem sucedidos". Vale para a manobra da Globo para anular o Clube dos 13 e negociar diretamente com os clubes os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, quando percebeu que seria derrotada pela Record em um leilão. Fez o recuo. E, agora, cadê o avanço?*****
Durante 40 anos a Globo consolidou um domínio na audiência da TV aberta, em cima de alguns pilares centrais: a rotina nas novelas e o controle absoluto sobre as transmissões de futebol, sustentado por práticas anticoncorrenciais..
Para consolidar essa distorção, a Globo sempre procurou se posicionar acima dos partidos políticos. Era como se fosse o quarto poder da República.
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Quando Roberto Marinho saiu de cena e terminou a era Evandro Carlos de Andrade, cedendo lugar à inexperiência truculenta de Ali Kamel, o modelo começou a ruir.
A proverbial habilidade política da Globo cedeu lugar a fantasias de derrubar presidentes, eleger presidentes e atuar como partido político. Perdeu o status institucional. E aí aparentemente o CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) foi liberado para fazer valer a lei, obrigando a uma disputa limpa pelos direitos de transmissão
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Ao longo de décadas a Globo montou uma rede de relacionamento informal, não com os clubes mas com os dirigentes, fechando os olhos para seus negócios paralelos.
Obviamente a proteção trazia implícita a mensagem de que dependeria das relações de lealdade.
A Record entrou no jogo com a ingenuidade de achar que poderia montar relacionamentos com os clubes da noite para o dia e confiar na palavra dada pelos dirigentes. Quando percebeu a extensão do jogo, e a puxada de tapete de alguns dirigentes, começou a preparar matérias de denúncias. Soou mal.
Só que o acordo com a Record – R$ 550 milhões para o Clube dos 13 – renderia R$ 42 milhões para o Corinthians. Com a proposta da Globo, cairá para R$ 20 milhões. Como os presidentes irão se explicar?
No contrato assinado com o Clube dos 13, a Record se dispôs até a dar uma vantagem de 10% para a Globo: ou seja, com até 10% de diferença, o lance da Globo poderia ser vendedor. A Globo não aceitou: queria 30%.
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Mesmo assim, não haverá como a Globo justificar a perda de receita dos clubes, caso fechem com ela.
Antes, a Globo comprava todo o conteúdo do campeonato. Agora, o Clube dos 13 decidiu que o conteúdo é dele, que o revenderá de forma segmentada, para emissoras abertas, para TV a cabo, para Internet.
Só o Portal Terra – do grupo Telefonica – parece disposto a pagar R$ 100 milhões pelos direitos na Internet; a Record mais R$ 550 milhões apenas pelos direitos para TV aberta., por apenas dois jogos por semana: um às 20:30 de quarta-feira, outro aos sábados ou domingos. E a Globo pretende pagar apenas R$ 250 milhões por todo o conteúdo, para todas as mídias.
Seja qual for o resultado, o episódio marca o fim de uma era de predomínio das Organizações Globo. Continuarão influentes, mas não mais com o poder absoluto. E cada dia de vida, pelo visto, será um dia a mais para a Record. E um dia a menos para a Globo.
Por Luis Nassif, publicado em seu blog
BBB: Ainda pior que o pior!!!Os cinco crimes capitais da Globo
BBB despenca na audiência. Será o último?
Documentário polêmico sobre as relações da TV Globo com a ditadura e golpes será exibido na TV
BBB e a pedagogia capitalista da Globo
Os poderes e os limites da internet
06:45
Brasil Informado
Não faltou polêmica no debate inaugural do seminário “Internet: Acesso Universal e Liberdade da Rede”, promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, no sábado (26/2), em São Paulo. Com mediação de Altamiro Borges, presidente do Barão, a discussão teve ares de um julgamento em que à Web cabia o banco dos réus.“A internet foi construída de maneira diferente das outras mídias de massa e tornou mais fácil a articulação de ações coletivas”, afirmou o professor Sérgio Amadeu, da UFABC. Citando as “revoltas árabes” e o fenômeno WikiLeaks, Amadeu opinou que, na Rede Mundial de Computadores, o “difícil não é obter um canal para falar — mas, sim, ser ouvido”.
A essa “liberdade” — que, em tese, revelaria uma mídia altamente democrática —, contrapõe-se o domínio da infraestrutura da internet por grandes corporações. São interesses desse tipo que põem em xeque a neutralidade da rede. “Querem transformar a internet numa TV a cabo, com controle sobre as opções das pessoas. O controle técnico — que já existe — não pode se tornar controle civil, cultural, político”, protestou Sérgio Amadeu.
Já Marcos Dantas, da UFRJ, questionou o suposto poder da internet em transformar os valores e os comportamentos da sociedade. “Será que a internet muda a cultura dominante ou apenas a reforça? Que tipo de entretenimento ela está gerando?”, indagou. Para Dantas, as pessoas buscam na internet conteúdos parecidos com o que elas mesmas procuram em outras mídias, como as rádios.
“A comunidade originária da internet acreditava na neutralidade da rede e tinha certo poder, que, no entanto, não foi socialmente constituído — virou espaço político e social. Há uma massificação não para a forjar a democracia, mas para produzir comportamentos e identidades voltadas ao consumo”, diz Dantas. “O que derrubou Mubarak (o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak) não foram as redes sociais. Foi o povo na rua e os 236 mortos. O Facebook só ajudou a comunicar.”
A deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) centrou sua exposição nas possibilidades de tornar a internet mais próxima aos cidadãos. “Não precisamos lutar por contradições falsas. É preciso trazer o debate para a conjuntura atual e lutar por uma regulamentação livre da rede”, analisou.
Na opinião da parlamentar, “à medida que cresce a democratização da rede, crescerá a repressão”, sob o argumento central da insegurança. “Hoje responsabilizam a internet por crimes como a pedofilia, que acontecem nas casas, nos clubes, nas igrejas. Pela lógica deles, teriam de instalar câmeras nas residências — e nem assim coibiriam os crimes”, sustenta Manuela. Segundo ela, “não podemos abrir mão das liberdades individuais — já consagradas na Constituição — pelo bem-estar coletivo”.
O jornalista Luis Nassif trouxe ao debate outra abordagem, ao ressaltar a força da internet — especialmente das redes sociais — como alternativa à grande imprensa. “Acabou o monopólio da informação pelo jornal, Todos os fatos relevantes tinham de passar pela velha mídia, que agora é batida de igual para igual com a rede”, comentou.
O poderio contra-hegemônico da rede impõe à blogosfera o desafio do apuro na checagem de dados. “A credibilidade da nova estrutura de informação é fundamental”, diz Nassif. De acordo com o jornalista, a internet já provocou, sim, transformações culturais. “Há uma nova mentalidade, uma renovação política, que vem da internet. Vejo ressurgir a militância, inclusive do PSDB.”
Realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o seminário da Barão de Itararé contou com 80 participantes presentes e outros 5 mil que acompanharam a programação on-line. No final do evento, entidades da área de educação e movimentos sociais lançaram o manifesto “Banda Larga é um direito seu! Uma ação pela internet barata, de qualidade e para todos.”
Por André Cintra, publicada no novo sítio do Centro de Estudos Barão de Itararé
terça-feira, 1 de março de 2011
Qual é o preço da Terra? (Sim, o preço da Terra.)
18:26
Brasil Informado
Sim, alguém calculou. Não que haja compradores em potencial para o planeta, é claro. Mesmo assim, o astrofísico americano Greg Laughlin, da Universidade da Califórnia, criou uma fórmula matemática para chegar ao valor da Terra – e aos de outros planetas também. O nosso, no caso, vale três mil trilhões de libras (é uma cifra tão fora da realidade que parece até besteira converter, mas, em todo caso, fica em torno de oito mil trilhões de reais).
Na fórmula (que o cientista não divulgou qual é, mas ok, porque certamente é bem complexa e a maioria de nós não a entenderia, de qualquer forma), entram a idade, o tamanho, a temperatura, a massa e outras informações pontuais sobre cada planeta.
O fim da conta não surpreende: a Terra é o mais valioso do universo. Já Marte, por exemplo, que vem ganhando o carinho da comunidade científica por ser, além do nosso, o planeta mais imediatamente habitável do Sistema Solar, vale apenas 10 mil libras.
Os cálculos não são perda de tempo (não completa, pelo menos): a ideia do pesquisador ao criar a fórmula não era apenas brincar de Banco Imobiliário espacial. Ela vem sendo usada por ele para avaliar as descobertas de novos exoplanetas (planetas localizados fora do nosso Sistema Solar) feitas pela Nasa. “É uma maneira de eu poder quantificar o quão empolgado devo ficar em relação a qualquer planeta em particular”, explica Laughlin.
Descoberto em 2007, o Gilese 581 C, por exemplo, entusiasmou os cientistas logo de cara por parecer o mais similar à Terra – mas a conta final do astrofísico americano deu a ele a etiqueta de apenas 100 libras (olha aí, exoplaneta em promoção!). Já outro, o KOI 326.01, encontrado mais recentemente, foi estimado por ele em cerca de 150 mil libras.
Por Thiago Perin, do Ciência Maluca (Super Interessante)
A máquina automotiva em suas partes
06:50
Brasil Informado
A emergente gestão do uso e da remuneração da força de trabalho em plena reestruturação capitalista, um tema crucial na incômoda questão do trabalho, é o ponto de partida para o professor Geraldo Augusto Pinto identificar em seu novo livro, "A máquina automotiva em suas partes: um estudo das estratégias do capital na indústria de autopeças" – a ser lançado pela Boitempo nesta semana –, o que representam os avanços da gestão flexível do trabalho numa economia periférica e dependente como a brasileira.Defendido como tese de doutorado no IFCH/Unicamp, com bolsa da Fapesp, o livro apresenta um estudo detalhado sobre os resultados do processo de reestruturação produtiva, inspirado por elementos do toyotismo, modelo de flexibilização do emprego assalariado, adotado por indústrias transnacionais, em conseqüência da conjuntura de crise do taylorismo e fordismo pós-década de 1970. A partir de uma pesquisa recente numa transnacional de autopeças e bens de capital em Campinas (SP), o autor constata que a indústria brasileira articula uma série de contradições na prática da gestão flexível que frequentemente resulta em adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras. Um dos principais fatores responsáveis por isso, segundo ele, é a adaptação conveniente desse modelo global de produção ao regime de trabalho de países da periferia do capitalismo, já amplamente flexível, que estimula a demissão sem justa causa e constrange a democracia laboral.
“Esse livro é um novo marco para a compreensão das múltiplas partes que movem a máquina automotiva e um dos mais qualificados e densos estudos sobre a industrialização recente no Brasil, resultado de uma rigorosa pesquisa empírica, dotada de sólido desenho analítico”, afirma Ricardo Antunes, orientador do estudo e coordenador da coleção Mundo do Trabalho, da Boitempo.
Outro objetivo da pesquisa foi esclarecer a atuação do Estado brasileiro ao oferecer amparo aos interesses das corporações oligopólicas transnacionais da indústria automotiva, em detrimento da classe trabalhadora e mesmo de frações da burguesia nacional, como o empresariado do setor de autopeças. Análise que, como frisa o autor, “só foi possível por mediações entre a literatura e informações prestadas pela empresa que pesquisamos acerca do seu relacionamento com firmas clientes, fornecedores e, principalmente, com sua matriz, nos Estados Unidos”.
De um lado, a reestruturação produtiva com intenção de elevar os graus de sustentabilidade saudável das empresas; de outro, o processo simultâneo do adoecimento no trabalho. “Tal paradoxo foi estimulado pelo contexto brasileiro de hegemonia das políticas neoliberais. Além do patrocínio das medidas desregulamentadoras e do enfraquecimento do Estado pelos governos antilabor dos anos 1990 e início da década de 2000, os trabalhadores foram submetidos a uma grande noite de repressão e alienação proveniente das opções de política econômica e social favoráveis ao desemprego e à precarização dos postos de trabalho”, afirma Marcio Pochmann, economista e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Com a problemática elucidada, cabe a todas as esferas buscar formas de trabalho mais justas, aponta Pochmann: “A contribuição do professor Geraldo Augusto Pinto é crucial para todos que desejam, além de conhecer a realidade do trabalho no Brasil, modificá-la: não somente interessados, estudiosos e militantes do tema, como também gestores de políticas públicas.”
Trecho do livro
No âmbito desse tipo de gestão, a polarização de expectativas entre as gerências e o operariado parece alinhar-se em torno de fins comuns como a garantia de emprego. E, em meio a isso, os trabalhadores têm sido chamados a negociar com as empresas metas de faturamento, de produtividade e de qualidade, de absenteísmo e até mesmo de acidentes de trabalho, tudo em busca de se produzirem taxas sempre maiores de acumulação de capital, cujo fim é “manter o negócio de pé”. Tal aproximação entre os níveis hierárquicos tem, contudo, gerado um diálogo cético e paradoxal em meio aos trabalhadores, pois, se por um lado impõe-se a uma parcela dos operários funções desqualificantes (e repetitivas), atribuindo-se aos demais funções mutáveis (embora rotinizadas), por outro lado, em todas as esferas de trabalho, inclusive nas gerenciais, permanece uma atmosfera geral de incertezas, dado que as competências exigidas em quaisquer cargos não são mais previsíveis e avaliadas por critérios puramente técnicos, mas por méritos comportamentais, o que abre margem ao assédio moral e ao oportunismo.
Assim como a competitividade agressiva, tais posturas são utilizadas e encorajadas continuamente pelas empresas entre os trabalhadores, até o limite em que podem canalizá-las em aumentos de produtividade. Transbordado esse limiar, na forma da violência no trabalho, os envolvidos são simplesmente tratados enquanto casos patológicos, de insanidade individual, assim como têm sido tratados os casos de portadores de doenças adquiridas no trabalho, cujas batalhas por afastamentos têm extravasado os tribunais e adentrado as convenções coletivas negociadas anualmente entre os sindicatos patronais e de trabalhadores, o que dá uma dimensão, no mínimo, nacional, ao problema da saúde no trabalho na indústria automotiva brasileira – e sua banalização pelo Estado e pelos oligopólios transnacionais.
Sobre o autor
Geraldo Augusto Pinto é doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atualmente leciona na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). É autor de A organização do trabalho no século 20: taylorismo, fordismo e toyotismo (Expressão Popular, 2007).
Ficha técnica
Título: A máquina automotiva em suas partes: um estudo das estratégias do capital na indústria de autopeças
Autor: Geraldo Augusto Pinto
Páginas: 192
Preço: R$ 38,00
ISBN: 978-85-7559-168-0
Editora: Boitempo
Site: www.boitempoeditorial.com.br
Mais informações:
Ana Yumi Kajiki - comunicacao@boitempoeditorial.com.br
55 11 3875 7285 e 55 11 8777 6210
Boitempo Editorial - www.boitempoeditorial.com.br
http://boitempoeditorial.wordpress.com
Reproduzo resenha enviada pela Boitempo Editorial do livro de Geraldo Augusto Pinto, no blog do Miro



