terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Julian Assange agradece apoio de Lula

Julian Assange agradeceu hoje o apoio dado pelo presidente Lula quando ele foi preso.

Em uma entrevista ao El Pais dada da mansão onde está, no interior da Inglaterra, ele disse que queria agradecer especialmente ao presidente brasileiro, que “é um caso especial, porque está deixando o cargo, e isso lhe permite ser mais direto do que havia sido. Já não tem que prestar nenhuma lealdade aos Estados Unidos”.


Por Natalia Viana em WikiLeaks por Natalia Viana

UNE: militares destruíram a casa dos estudantes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira, do lançamento da pedra fundamental da nova sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), na Praia do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro.
A construção abrange um projeto imponente, com assinatura e participação do escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, previsão de dois anos de obras e custo avaliado em R$ 44,6 milhões.
O custo da obra será bancado com a indenização que a instituição recebeu da União por ter sido incendiada e destruída pelo regime militar no ano de 1964.
A construção da nova sede da UNE abrange um projeto imponente, com assinatura de Oscar Niemeyer, e previsão de dois anos de obras, consumindo R$ 44,6 milhões. A pedra fundamental do prédio que será erguido na Praia do Flamengo, na zona sul do Rio, será lançada na segunda-feira, 20, pelo presidente Lula. O valor da obra seria ainda maior se Niemeyer não tivesse doado o projeto para a UNE em 2007.
A construção será composta por um prédio principal de 13 andares, uma praça aberta e um anexo, que deve funcionar como anfiteatro. Além dos departamentos administrativos, a sede abrigará um museu do movimento estudantil e centros culturais.
A sede original da UNE havia sido doada à entidade em 1942 pelo presidente Getúlio Vargas. O espaço concentrou campanhas importantes e atividades do movimento estudantil até 1º de abril de 1964, um dia após o golpe militar, quando o prédio foi destruído por um incêndio. Em junho deste ano, o Congresso e a Presidência reconheceram a responsabilidade do Estado pela destruição do prédio, o que garantiu a indenização. Por Celso Jardim

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Twitter está censurando o WikiLeaks?

Rumores é o que não estão faltando. Diversas análises e dezenas de especialistas em monitoramento de redes sociais estão criticando o Twitter e seu famoso Trending Topics, os termos mais citados no microblog.
Ao que tudo indica, após o Twitter e o Facebook cancelarem as contas dos usuários que apoiaram Julian Assange nos ataques ciberativistas, a rede social de 140 caracteres estaria manipulando os TT´s e censurando a aparição do fundador do WikiLeaks. Para muitos, inclusive, está mais do que confirmado que os Trending Topics não conduzem com o que realmente é mais comentado no Twitter. Confira uma análise:


Por Cleyton Carlos Torres, jornalista e blogueiro do Blog Mídia8!

Google e jornais brasileiros fazem acordo para busca de notícias na internet

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e o Google firmaram um acordo que estabelece novas regras para a busca de notícias na internet, noticia O Globo. Quando o usuário buscar palavras no Google Notícias, aparecerá apenas uma linha de cada reportagem listada. Antes eram exibidas até três linhas de conteúdo.

Segundo a ANJ, a intenção do protocolo “Uma Linha no Google News” é atrair o leitor para as fontes originais, ou seja, os sites das empresas jornalísticas. O protocolo terá duração de seis meses, durante o qual será avaliado o comportamento dos leitores, através da ferramenta Google Analytics.


Atualmente, nem todos os veículos permitem que seu conteúdo seja exibido no Google Notícias, como é o caso da Folha e do UOL. Como explica o jornal paulista, enquanto alguns meios de comunicação veem o Google como um inimigo que distribui conteúdo sem pagar por isso, outros encaram o site como um parceiro que ajuda a gerar tráfego. A parceria com a ANJ também prevê treinamentos para incrementar notícias e atrair anunciantes, diz a Folha.

Com informações do Knight Center.

A construção do mito Assange

Digam o que disserem, esperneiem como quiserem, tomem as medidas mais tradicionais e também as mais estapafúrdias possíveis para amordaçá-lo, retenham seus movimentos, a verdade é que se existe alguém, nos dias que correm, melhor antenado com a ideia de cidadania para além das fronteiras puramente nacionais, esse alguém é um australiano com seus incompletos 40 anos de idade.

Não me precipito ao afirmar que estamos vendo a construção de um mito. É corrente que mitos são importantes porque representam uma imagem de sucesso e glória que todo mundo almeja, mas é também evidente que a aura do mito transcende sua obra. Mitos não são criados por serem explicáveis, são idolatrados. Mitos tendem sempre a valorizar determinada característica humana vista sob enfoque bastante positivo. É a passagem do tempo que confere ao mito a percepção de alguém ou de algo que ultrapassa seu valor real, intrínseco e passa a referir todo o conjunto de virtudes humanas.

Os elementos constitutivos para a criação de um mito podem ser ruins ou bons para a verdade. Mas a verdade é sempre factual quando se trata de esquadrinhar a pessoa humana e, no fundo, quem torna mito alguém é a trajetória percorrida por esse alguém. A trajetória do homem-que-se-torna-mito tem relação quase sempre direta de escolhas e estratégias adotadas durante o caminho de mitificação, seja na falsificação ou na comprovação de sua excelência.

Julian Assange parte da premissa que sua criatura – o WikiLeaks – “publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos”. Notem que a atividade principal de sua criatura é publicar e sua principal característica abarca um sentido de urgência e de necessidade: “Fatos que precisam ser tornados públicos”. Não esqueçamos do destemor, da ousadia e do passo à frente simbolizado pelas palavras “sem medo”. É aqui que começa a atividade maior de Julian Assange: ele sabe o que quer fazer, o que sente que deve ser feito e está consciente dos riscos envolvidos. E porque se sente investido de lutar por algo em que acredita, alcança com inédita velocidade essa aura de benfeitor, de quem consegue reanimar antigas utopias humanas, como essa da busca da verdade, verdade que deve ser alcançada a qualquer custo. Mesmo que sempre… no limite.

Liberdade de expressão

Para nossa grande imprensa, que tem elegido a defesa da liberdade de expressão com aquele ardor digno dos seguidores de Antonio Conselheiro no episódio de Canudos, soa patético que não conheçamos nenhum editorial inflamado em defesa de Assange e contra sua prisão, aparentemente causada por suas peripécias sexuais na Suécia e que incluem até uma obscura história de estupro. Qualquer biscoito (cookie, em inglês), além de qualquer cidadão norte-americano medianamente informado e mesmo qualquer dona de casa alemã que assine Der Spiegel, sabe muito bem que sua prisão tem tudo a ver com os transtornos que o WikiLeaks vem causando à imagem e às relações de Washington com governos do resto do mundo.

Não se exigirá mestrado ou doutorado em Comunicação, conferido por Cambridge ou por Harvard, para que não tarde a que a história da diplomacia no século 21 venha a ser ensinada em dois períodos de tempo distintos: antes e depois dos wikileaks.

Julian Assange assume que “qualquer governo corre o risco de ser corrompido caso não seja vigiado cuidadosamente”. Até aqui, nada demais, porque data de muito longe o ditado de que “o poder corrompe”. E o que exerce o poder em uma sociedade? Primeiramente, o governo. Uma coisa é inferir sabedoria popular, geralmente fundada na experiência dos antigos. Mas agora a coisa é bem diferente. A novidade é que esse axioma acaba de ser comprovado cientificamente em um trabalho de pesquisadores da renomada Kellogg School of Management, nos Estados Unidos. Foi após uma série de testes comportamentais com voluntários que ficou evidenciada a forma como o poder costuma, em geral, mudar as pessoas para pior.

Em testes, os poderosos não só trapaceavam mais, não só usavam os mais sórdidos golpes, aqueles bem abaixo da linha da cintura, como também se mostravam mais hipócritas ao se desculpar por atitudes que condenavam nos outros. Neste contexto, vale conferir a afirmação do psicólogo social Adam Galinsky, professor de Ética e Decisões em Gerência da Kellogg School of Management e um dos autores do estudo, quando diz que “os poderosos acreditam que devem ser excluídos de certas regras”.

A propósito, é isso o que precisamente vem acontecendo se considerarmos as reações de Washington aos wikileaks. Quem não lembra que há apenas um ano, em resposta a ações do governo da China contra o Google, a secretária de Estado americana Hillary Clinton fez apaixonado discurso em defesa da liberdade de expressão na internet? A senhora Clinton não parou por aí. Foi além: “Mesmo em países autoritários, governados por ditadores, redes de informação têm ajudado pessoas a descobrir novos fatos e feito governos mais transparentes”. Seria patético, não fosse apenas ridículo, o uso contumaz de dois pesos e duas medidas quando autoridade política trata de atacar governo estrangeiro que é acometido por sua própria enfermidade.

Documentos secretos

Julian Assange se expressa com clareza quando o assunto é a sua entidade WikiLeaks. Sabendo que tem gente que acredita ser ele um pacifista nato, totalmente avesso às guerras, ele trata logo de desfazer o “piedoso engano”:

“As pessoas afirmaram que sou antiguerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço dessas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.”

Há um quê de quixotesco no pensamento e na ação de Assange quando vemos quão distante ele se encontra da realpolitik. Não será a política o campo para a dissimulação, para vestir de significado novo velhas ações, para utilizar todos os meios ao alcance com o intuito de conquistar esta ou aquela vitória política? Não foi o Departamento de Estado dos EUA que buscou negociar com o primeiro-ministro da Eslovênia um encontro com o presidente Barack Obama desde que a Eslovênia aceitasse, em troca, receber um preso de Guantánamo?

Por extensão, seria equivocado inferir que o mundo da política internacional é o vale-tudo cotidiano entre os que tudo podem e os que pouco podem? E, por acaso, já não intuíamos isso? Claro! O que o WikiLeaks faz é retirar das relações diplomáticas mantidas pelos EUA com outros países o benefício da dúvida. E, em caso de dúvida, se existe uma arena em que a ultrapassagem é quase sempre certa é a da política internacional.

O que existia de fato para justificar a guerra no Iraque? Dúvidas. Apenas dúvidas sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque governado por Saddam Hussein. Devo registrar que não é de hoje que o WikiLeaks divulga documentos secretos. Isso é feito há anos. Mas só ganhou destaque internacional em 2010, com três vazamentos: (1) publicou um vídeo confidencial, feito por um helicóptero americano, que parece mostrar um ataque contra dois funcionários da agência de notícias Reuters e outros civis; (2) tornou públicos 77 mil arquivos de inteligência dos EUA sobre a guerra do Afeganistão; e, (3) divulgou mais 400 mil arquivos expondo ataques, detenções e interrogatórios no Iraque.

“O melhor dos desinfetantes”

Se o jornalismo tradicional – aquele que é impresso em jornais e revistas, que é ouvido nas rádios e assistido nos telejornais – constrói sua versão da realidade tendo como ponto de partida apenas uma ou duas peças do quebra-cabeça, e sobre estas cobre o restante da imagem com a opinião de seus colunistas e comentaristas, quase sempre de política ou de economia, o WikiLeaks arroga para si o mérito de realizar jornalismo científico, aquele que opera com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, “mas também para provar que essas notícias são verdadeiras”. E como faz isso? Com a palavra Julian Assange:

“O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?”

Infelizmente, o governo norte-americano, diante do escrutínio público de menos de 5% do material que ainda deve ser revelado, ao invés de fazer uma inadiável releitura de sua política internacional, de seus pressupostos e de suas atividades bastante heterodoxas, estará, neste momento, planejando novas estratégias, esquemas e modus procedendis para cobrir de sigilo (e suspeição) o que sempre fez: tudo é permissível para alcançar seus fins políticos, econômicos e financeiros – e isto inclui o direito de não precisar prestar contas a ninguém. O WikiLeaks ajudou a rasgar as duas pontas da capa que lhe encobria as vergonhas e reduziu a pó sua autoafirmação de que seu governo constituía a única e inatacável fonte da autoridade moral do planeta. Não mais.

A sociedade, os governos e a imprensa serão melhores com Julian Assange?

Acredito que sim. E por várias razões, dentre as quais destaco que seu WikiLeaks entrega um espelho a cada diplomata para que possa aferir o grau de sinceridade e também de hipocrisia de suas ações. O WikiLeaks abre imensa clareira no cipoal de boas intenções que costumam vicejar nas relações entre governos e apenas camuflam os objetivos reais da diplomacia de uma nação sobre outra, e fica mais evidente quando joga pesados fachos de luz sobre a nação que se apresenta como a mais rica do planeta, a mais equipada militarmente, a mais influente politicamente. E a imprensa passa a ter a oportunidade raríssima de tirar a prova dos noves sobre seu alinhamento automático a qualquer governo, bem como sobre sua postura ácida e crítica às ações de qualquer governo.

Há quase um século, o juiz americano Louis Brandeis disse que “a luz do sol é o melhor dos desinfetantes”. Se vivo fosse, talvez dissesse o mesmo com outro enunciado: “O trabalho do WikiLeaks é o melhor dos desinfetantes.” Por Observatório da imprensa

domingo, 19 de dezembro de 2010

Brasil a caminho do pleno emprego

A fila das pessoas à procura de emprego no Brasil nunca esteve tão pequena. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em novembro, o país alcançou taxa de desocupação de 5,7%. O índice é o menor, considerando todos os meses, desde março de 2002, quando começou a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego. Naquela época, o indicador media 12,9%. Para especialistas, algumas localidades do país estão perto do que se pode chamar de pleno emprego, quando todas as pessoas que querem trabalhar estão ocupadas. Porto Alegre (RS), por exemplo, registra taxa de desemprego de 3,7%; Rio de Janeiro (RJ), 4,9%; e Belo Horizonte (MG), 5,3%.

"Em Porto Alegre, já é possível falar em pleno emprego. Em outras cidades, como Salvador, onde o índice é de 9%, há espaço para melhorias", afirmou o economista da Fundação Getulio Vargas (FVG) Armando Castelar. O recorde de novembro é o quarto seguido este ano. A baixa inédita vem desde agosto, quando a taxa chegou a 6,7%, caindo para 6,2% em setembro e atingindo 6,1% em outubro. Em relação a um ano atrás, quando o índice era de 7,4%, o recuo foi de 1,7 ponto percentual. "Após a crise internacional de 2008, esses são números de um país em plena recuperação. O resultado foi puxado, principalmente, pelo comércio, por conta da contratação de temporários", afirmou o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo.

"Fiquei esgotada, pois ficava na emergência de um hospital. Agora que estou em um laboratório, é bem diferente"

Rosely Gomes dos Santos, atendente

Em números absolutos, a população desocupada (1,3 milhão de pessoas) atingiu seu menor patamar desde 2002, quando havia 2,5 milhões de desempregados. Em relação a novembro do ano passado, a queda foi de 20,7% ou 354 mil pessoas desocupadas a menos. O salário médio real dos trabalhadores ficou em R$ 1.516,70 em novembro. Embora represente crescimento de 5,7% nos últimos 12 meses, o valor caiu 0,8% ante outubro (R$ 1.529,15). "O problema é que, apesar de o salário ter crescido, a inflação subiu em ritmo mais acelerado", explicou a economista do Santander Luiza Rodrigues.

Em meio ao forte crescimento econômico do país, a atendente Rosely Gomes dos Santos, 39 anos, não teve dificuldades para se recolocar. Ela decidiu mudar de empresa por conta da rotina de trabalho e ficou apenas um mês desempregada. "Cheguei ao meu limite de estresse. Fiquei esgotada, pois ficava na emergência de um hospital. Agora que estou em um laboratório, o dia-a-dia é bem diferente", contou.

Carteira assinada

Azeredo destacou que o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,4 milhões) em novembro cresceu 8,7% na comparação ao mesmo mês do ano passado, o que significa mais 839 mil vagas formais. "Além de termos um mercado aquecido, aumentamos a oferta de empregos de qualidade", ressaltou o pesquisador. Victor Oliveira de Almeida, 21 anos, foi um dos beneficiados pelo aumento da oferta de postos com carteira assinada. Com ensino médio completo, ele foi contratado na última semana em uma empresa de telecomunicações. Victor ganha R$ 600 mensais e já faz planos. "Eu era o único desempregado em casa. Agora, além de ajudar a família, quero economizar para comprar um carro e entrar na faculdade", disse o auxiliar administrativo.

A pesquisa do IBGE revelou que, em comparação com novembro de 2009, cinco setores apresentaram variação positiva na população ocupada. Entre eles, as maiores altas foram na educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (7,7%) e em outros serviços (6,7%). Por outro lado, houve recuo de vagas nos serviços domésticos (-4,6%), o que se explica pelo retorno de trabalhadores às fábricas, devido à recuperação da economia.

Risco para a inflação

Embora seja comemorada por trabalhadores em todo o Brasil, a taxa de desemprego de 5,7% pode ter consequências perversas para a própria população. Na avaliação da economista do Santander Luiza Rodrigues, o índice já representa pressão inflacionária e pode levar a um salto nos preços nos próximos meses. "Como falta mão de obra qualificada no país, os empresários vão pagar mais para tirar alguém de outra corporação ou treinar os seus funcionários. Esses gastos são repassados e aumentam o valor de produtos e serviços", explicou.

Luiza destaca que, com a elevação dos preços, os empregados vão exigir melhorias salariais. "Os patrões, ao atender a reivindicação, repassam mais uma vez os custos para o consumidor. Isso cria uma espiral que precisa ser contida rapidamente", avaliou.

Aos olhos da economista, as últimas medidas de enxugamento de crédito do Banco Central - que retiraram R$ 61 bilhões da economia - devem demorar ao menos seis meses para mostrar resultados. "Essa ação não substitui a principal, que é a elevação da taxa básica de juros (Selic). Em janeiro, ela deve aumentar 0,5% e continuar a crescer o meio do ano, até o limite de 13%", estimou. A Selic está em 10,75% ao ano.

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), diz que uma eventual elevação da Selic seria prejudicial para o país. "Isso traria mais dólares para o mercado interno, o que valorizaria ainda mais o real. Temos de conter o avanço do crédito, mas o aumento dos juros não seria favorável para o setor produtivo. O que será feito em 2011 na política econômica é uma surpresa", disse. (CB)

Em números absolutos, a população desocupada (1,3 milhão de pessoas) atingiu seu menor patamar desde 2002, quando havia 2,5 milhões de desempregados. Em relação a novembro do ano passado, a queda foi de 20,7% ou 354 mil pessoas desocupadas a menos. O salário médio real dos trabalhadores ficou em R$ 1.516,70 em novembro. Embora represente crescimento de 5,7% nos últimos 12 meses, o valor caiu 0,8% ante outubro (R$ 1.529,15). "O problema é que, apesar de o salário ter crescido, a inflação subiu em ritmo mais acelerado", explicou a economista do Santander Luiza Rodrigues.

Em meio ao forte crescimento econômico do país, a atendente Rosely Gomes dos Santos, 39 anos, não teve dificuldades para se recolocar. Ela decidiu mudar de empresa por conta da rotina de trabalho e ficou apenas um mês desempregada. "Cheguei ao meu limite de estresse. Fiquei esgotada, pois ficava na emergência de um hospital. Agora que estou em um laboratório, o dia-a-dia é bem diferente", contou.

Carteira assinada

Azeredo destacou que o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,4 milhões) em novembro cresceu 8,7% na comparação ao mesmo mês do ano passado, o que significa mais 839 mil vagas formais. "Além de termos um mercado aquecido, aumentamos a oferta de empregos de qualidade", ressaltou o pesquisador. Victor Oliveira de Almeida, 21 anos, foi um dos beneficiados pelo aumento da oferta de postos com carteira assinada. Com ensino médio completo, ele foi contratado na última semana em uma empresa de telecomunicações. Victor ganha R$ 600 mensais e já faz planos. "Eu era o único desempregado em casa. Agora, além de ajudar a família, quero economizar para comprar um carro e entrar na faculdade", disse o auxiliar administrativo.

A pesquisa do IBGE revelou que, em comparação com novembro de 2009, cinco setores apresentaram variação positiva na população ocupada. Entre eles, as maiores altas foram na educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (7,7%) e em outros serviços (6,7%). Por outro lado, houve recuo de vagas nos serviços domésticos (-4,6%), o que se explica pelo retorno de trabalhadores às fábricas, devido à recuperação da economia.Correio

Esquema de venda de sentenças leva ao afastamento da presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou o afastamento por seis meses da presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, Willamara Leira, e do vice-presidente, Carlos Luiz de Souza, além do desembargador José Liberato Povoa e dos assessores Dagoberto Pinheiro Andrade Filho e Manoel Pedro de Andrade.

Os cinco são investigados pela Polícia Federal em um esquema de venda de sentenças e de autorização irregular de pagamento de precatórios.

A Polícia Federal pediu a prisão cautelar dos suspeitos, mas o STF julgou os motivos insuficientes para prisão, até o momento. O Ministério Público Federal (MPF) também emitiu parecer pelo afastamento.

Os investigados também estão proibidos de entrar no tribunal do estado e de usar veículos oficiais. Mas continuarão recebendo os polpudos salários rigorosamente em dia. (Com informações da Agência Brasil)

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